114 O mundo não perdoa o jejum de Neymar. Dez jogos sem marcar no Barcelona. A pior média de gols em sete anos. Ronaldo estava certo. Atacante com o talento do brasileiro não tem o direito de ficar sem balançar as redes...
O ano era 2011. Ronaldo estava muito mais próximo e influente em relação a Neymar do que jamais estaria. Ele o tinha como o contratado principal da extinta agência 9ine. O chamou para uma conversa especial. E disse claramente que, apesar de todo seu talento, dribles, arrancadas, assistências, o que importava no futebol eram os gols.

"Você bate muito bem na bola. E agora treinar. Todos os pênaltis e faltas perto da área têm de ser seus. Quanto mais gols, mais mídia, mais sucesso na carreira. Você tem futebol para jogar pelo time, pela Seleção. Mas tem horas que precisa jogar para você, também."

Neymar levou esse conselho a ferro e fogo.

Mudou sua atitude em campo. Não deixou de ser o jogador produtivo, mas passou a ser muito mais efetivo. Cobrador oficial de pênaltis e faltas perto da área no Santos e na Seleção. Seguiu também outros conselhos de Ronaldo. Os que o Fenômeno ouviu de Romário. Ser o último a entrar nos treinos. Estar sempre com um detalhe do uniforme diferente dos demais. Amarrar ou ajeitar as chuteiras para agradar os patrocinadores, já que invariavelmente, cada gesto seu é filmado ou fotografado.

Em junho de 2013, quando iria começar a Copa das Confederações, Neymar não pediu por acaso a camisa 10, que pertencia a Oscar. A 11 da Seleção não tinha o mesmo peso, a mesma importância história. Depois do fracasso da Copa de 2014, Dunga o fez capitão do Brasil. A faixa era o que faltava no seu diferencial.

Ou seja, tanto no Santos como na Seleção, nunca faltou nada. Tanto para marketing como na certeza que não ficaria sem marcar gols. Seguiria atendendo o antigo pedido de Ronaldo, seu ídolo.

Só que em 2013, seu pai procurou a direção santista. E foi direto. Estava preocupado. Disse aos dirigentes que não queria arriscar a carreira do filho. E que temia ele ser culpado caso o Brasil perdesse a Copa. Esse foi seu argumento mais forte, o que insistiu para a venda ao Barcelona. Na verdade, ele já havia recebido 10 milhões de euros em 2011, como sinal, como ficaria provado no futuro.

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Desembarcou na Catalunha vacinado. Foi prevenido. Não quis repetir o erro do seu grande parceiro, Robinho. Ele chegou no Real Madrid em 2005 prometendo que seria o melhor jogador do mundo. Acabou sendo boicotado por Raúl e o grupo de espanhóis que dominava o time. Neymar sabia que seria coadjuvante de Messi. Os pênaltis, as faltas, o jogador a ser procurado quando a bola passasse pela linha do meio de campo era o argentino.

Neymar foi brilhante.

Aceitou as coisas como eram.

Ele sabia que seria questão de tempo para ganhar seu espaço. Foi o que aconteceu. Mais rápido até do que todos, menos ele, esperavam. E se tornou um dos principais jogadores do mundo. O reconhecimento veio em propostas milionárias do Manchester United, do PSG e até do Real Madrid para tirá-lo da Catalunha. Além, do ano passado, figurar como terceiro do mundo na eleição da Fifa e do jornal L'Equipe.

O tempo é inexorável. Passa para todos. Messi completará 30 anos em junho. No mês que vem, Neymar chegará a 25 anos. Ou seja, a fisiologia e a medicina deixam claro que aspectos físicos deverão começar a decair no argentino. O auge do jogador de futebol costuma ser aos 28 anos. Ou seja, enquanto um começará a descer o outro ainda terá muito a subir.

Na Catalunha se acredita que em dois ou três anos, Messi será vendido por uma fortuna para a China. Luiz Suárez completará 30 anos daqui 16 dias. Também se tornará um jogador negociável antes de Neymar.

Mas quanto mais importante o jogador, mais pesada a cobrança. Ainda mais ao completar números 'redondos', chamativos. Neymar está há dez partidas pelo Barcelona sem marcar um gol. 883 minutos sem balançar as redes. Nunca havia ficado tanto tempo, desde que foi comprado pelo Barcelona, em 2013. A temporada 2016/2017 tem sido cruel em relação a gols. A comparação com Messi e Suárez chega a ser assustadora. O argentino fez 24 gols, o uruguaio 15 e o brasileiro, apenas seis. Atrás até, como destaca a imprensa espanhola, do reserva turco Arda Turan, com 11 gols.

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Só no Santos, em 2009, quando iniciava a carreira, Neymar ficou mais tempo sem marcar.

14 jogos.

Só que em apenas cinco foi titular.

Muito se questiona na Espanha sobre o motivo dos dez jogos sem gols. Os processos com o fisco teriam tirado o foco no seu segundo semestre. O desgaste com as farras. Em Barcelona e no Brasil.

Mas são análises superficiais. Neymar foi peça fundamental na conquista da medalha de ouro olímpica. E também na arrancada fantástica da Seleção Brasileira nas Eliminatórias, sob o comando de Tite. Além disso, está jogando muito bem no Barcelona. Aumentou inclusive a média de assistências para gols de Messi e Suárez. E também no Brasil.

Desta vez, o escândalo não tem substância. Os números estão sendo usados de maneira tola. A começar pelos gols. Em 2013, com a camisa do Barcelona e da Seleção, ele marcou 21 gols, em 2014, 30; em 2015, 43; e em 2106; 25. As médias, dividindo os gols pelas partidas que esteve em campo, 0,5; 0,61; 0,70; 0,47. O que dá vazão à chamativa manchete: Neymar tem a pior média de gols em sete anos.

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É verdade.

Mas 2016 foi um ano excelente para o jogador na Seleção Brasileira no segundo semestre.

E mesmo sem marcar tantos gols, as assistências, os passes para gols cresceram. Tanto no time catalão como na Seleção. Em 2013 foram 24; em 2014, ano de Copa e contusão, 11; em 2015, voltaram a 24; e, em 2016, chegaram a 34.

Neymar já mereceu todo tipo de crítica. Por individualismo, falta de atitude de capitão da seleção, simulação em faltas e pênaltis, egocentrismo, confrontos desnecessários com árbitros. Mas agora o barulho em relação à falta de gols é por nada.

O Barcelona enfrentará o Villarreal. O ambiente no Barcelona com Messi e Suárez é ótimo. Os dez jogos sem gols do brasileiro estão nas manchetes dos jornais e portais espanhóis. Há a certeza que o argentino e o uruguaio farão de tudo para acabar com essa seca. Ele terá a prioridade na hora dos arremates. Principalmente se a vitória já estiver garantida.

Luis Enrique já se cansou deste assunto.

Não importa justificar que o brasileiro está ótimo taticamente.

Que sua visão de jogo melhorou demais.

E joga pelos companheiros como nunca.

O treinador não é ouvido.

No fundo, quem sempre esteve certo foi Ronaldo.

Jogador com o talento de Neymar não tem o direito de ficar sem marcar.

O mundo não deixa...

(E a conta aumentou. No empate contra o Villarreal, em 1 a 1, Neymar bem que tentou. Mas completou 11 jogos de jejum. Nada de gols. Já é um dos assuntos principais do Campeonato Espanhol. O brasileiro tenta não se importar. Mas está visivelmente irritado com sua contabilidade...)
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