1ae9 O mundo girou. O moderno São Paulo se transformou no atrasado Corinthians. Acumula fracassos e está nas mãos de um homem que faz o que quer. Já o rival enriqueceu, evoluiu, se blindou. Aprendeu imitando o que via no Morumbi...
Os papéis se inverteram.

De uma forma assustadora.

O Corinthians virou o clube da modernidade.

O São Paulo assumiu ser o do atraso.

Nas décadas de 70, 80 e 90 o Parque São Jorge era motivo de piada.

Principalmente pelos lados do Morumbi.

Crises escancaradas, jogadores ameaçados pela torcida.

Dirigentes eternos, lista de dispensa.

E fracassos nos gramados.

O Corinthians era o clube mais fácil para o jornalista.

As notícias jorravam.

Quando não vinham da situação, a oposição fazia seu show.

Nada ficava escondido.

Eram crises atrás de crises.

Enquanto isso, o São Paulo posava de moderno.

Levava o futebol para a Barra Funda.

E os dirigentes se trancavam no Morumbi.

O sucesso na maneira de trabalhar se refletia nos gramados.

Com conquistas de Brasileiros, Libertadores, Mundiais.

O clube servia de modelo.

Seus dirigentes narcistas definiam o São Paulo de forma peculiar.

Era um 'europeu perdido no selvagem Terceiro Mundo'.

Adoraram ser tratados ironicamente por lordes por humoristas.

Se consideravam dândis no meio de índios.

Usavam o Corinthians como exemplo de atraso administrativo.

E tinham razão.

Dirigentes como Alberto Dualib não tinham visão de futuro.

Só queriam sobreviver no cargo.

"Quando houver pressão, cobrança é só comprar um jogador.

E aí a gente cala a boca da imprensa."

Foi essa filosofia que imperou no clube.

A torcida organizada ou não tinha livre acesso ao clube.

Em fases ruins, os jogadores eram torturados nos treinos.

Havia um prazer sádico dos dirigentes corintianos.

Entregavam de bandeja a cabeça de atletas diante dos insucessos.

A prioridade era desviar o foco e continuar mandando.

O continuísmo era um dos grandes vícios e responsável pelo atraso.

Não havia oposição.

Enquanto isso no São Paulo, as eleições eram renhidas.

Cada grupo político tinha ideia mais moderna, mais revolucionária.

A força da oposição era similar à situação.

O ambiente democrático obrigava os dirigentes a se renovarem.

A tornarem o clube mais profissional.

Mas o tempo passou e tudo se reverteu.

Houve uma revolução no Corinthians.

Movida pela ala batizada de 'baixo clero'.

Andrés Sanchez conseguiu unir os dois polos distintos.

O de torcedor e membro da diretoria.

Fundador da organizada Pavilhão Nove.

E apadrinhado de Nesi Curi.

Teve apoio das organizadas e cresceu no colo da diretoria Dualib.

1reproducao13 O mundo girou. O moderno São Paulo se transformou no atrasado Corinthians. Acumula fracassos e está nas mãos de um homem que faz o que quer. Já o rival enriqueceu, evoluiu, se blindou. Aprendeu imitando o que via no Morumbi...

Foi elemento fundamental para que a MSI chegasse ao clube.

Conseguiu sobreviver à devassa da Polícia Federal.

E se aproveitou do movimento pela renovação do Corinthians.

Se tornou presidente e levou um grupo de administradores para o clube.

Nega, mas teve sim o São Paulo como exemplo.

Finalizou o CT no Parque Ecológico que Dualib havia começado.

Foi a mesma filosofia da Barra Funda.

Jogadores e imprensa perto do Aeroporto de Cumbica.

A vida política no Parque São Jorge.

Começou a explorar o potencial financeiro da torcida.

Se uniu à tevê que tem o futebol nas mãos, a Globo.

Com maior exposição, mais dinheiro de patrocinador.

Usou Ronaldo Fenômeno para alavancar tudo isso.

Criou um centro de reabilitação de atletas inspirado no Reffis.

Teve a sorte grande em ter o presidente Lula como amigo íntimo de sua família.

Andrés utilizou da sua influência como o clube do Morumbi fez com Laudo Natel.

E no mais, seguiu a administração do Barcelona.

Tudo mudou o clube ficou fechado.

Suas brigas são internas.

O Corinthians hoje é blindado.

As notícias vazam quando a diretoria quer.

O maior exemplo foi o que aconteceu com Jorge Henrique.

Tamanho controle refletiu nos títulos da Libertadores e Mundial.

Andrés foi inteligente para não cair na tentação da reeleição ad infinitum.

Não, dois mandatos e adeus presidência.

Hoje ele faz de Mario Gobbi seu pupilo, sem o desgaste do continuísmo.

Já o São Paulo regrediu.

É como se da modernidade, voltasse à Idade Média.

Técnicos e jogadores são trocados sem critérios.

Profissionais do mais alto gabarito são desprezados.

Turíbio Leite, Carlinhos Neves, Luiz Rosan saíam pelo mesmo motivo.

Questionar a diretoria.

O clube resolveu utilizar estratégia velhas senhoras em feiras livres.

De uma hora para outra resolveu contratar jogadores machucados.

Busca no mercado quem está se recuperando de operações.

Como frutas amassadas são mais baratos.

Filosofia deprimente.

Os fracassos em campo se acumulam.

E demonstram o quanto é ruim ter um clube nas mãos de uma pessoa.

Juvenal Juvêncio tem o poder de Alberto Dualib.

E a mesma sede de se perpetuar.

Só faz o que quer, desconsidera a opinião alheia.

Desvaloriza o patrimônio do clube.

Divulga lista de dispensa.

Oferece sete cabeças na bandeja para tentar acalmar a imprensa e a torcida.

Todos peixes pequenos.

Dos tubarões aceita tudo.

Engole jogadores descontrolados e caros como Lúcio e Luís Fabiano.

Agora busca Felipe Melo, o volante que sabotou a Seleção na África.

Como?

Pisando no holandês Robben caído no gramado.

O Brasil de Dunga ficou com um homem a menos e foi eliminado do Mundial.

2reproducao3 O mundo girou. O moderno São Paulo se transformou no atrasado Corinthians. Acumula fracassos e está nas mãos de um homem que faz o que quer. Já o rival enriqueceu, evoluiu, se blindou. Aprendeu imitando o que via no Morumbi...

Juvenal parece estar querendo concorrer com Dana White.

Ele vislumbrou os bilhões que o MMA movimenta.

E está formando seu grupo de lutadores.

Como o Corinthians de 30 anos atrás...

O São Paulo busca medalhões sem mercado na Europa.

Como o lateral Maicon.

A candidatura de Marco Aurélio Cunha é a cereja no bolo.

Ele sabe não ter a mínima chance de vitória.

Juvenal Juvêncio tem o Conselho Deliberativo nas mãos.

Mas o vereador se lançou ontem como candidato a presidente.

É uma forma de protestar.

Expor ainda mais a falta de rumo de Juvenal.

Os descaminhos de Adalberto Baptista, piloto e diretor de futebol.

"Falam que estou cuspindo no prato que comi.

Na verdade eu fui cuspido do prato que ajudei a construir", resume Marco Aurélio.

"Sou candidato para tentar mudar essa fórmula que só trouxe fracasso no futebol.

Ele está nas mãos de uma pessoa que o está conhecendo agora.

E talvez por isso tenha uma forma intempestiva de trabalhar.

Com demissões e contratações feitas precipitadas."

Ele se refere a Adalberto.

"O São Paulo precisa de troca de comando.

Precisa se arejar.

As ideias são as mesmas com o Juvenal há três mandatos.

Ele já ganhou muito no clube.

Mas acumula três anos de fracassos.

Venceu a Copa Sul Americana, torneio representativo.

Mas repleto de equipes fracas.

O São Paulo parou no tempo."

Mais do que plataforma política, Marco Aurélio escancara.

Mostra a todos o quanto o São Paulo está estagnado.

Preso nas mãos de uma só pessoa.

Sem oposição, Juvenal tem vida de imperador do Morumbi.

Nada acontece sem a sua aprovação.

Por causa de sua personalidade centralizadora.

Marco Aurélio sabe o que fala.

Ele foi gerente de futebol e genro de Juvenal.

O convívio íntimo demais.

E revela o que todos sabiam mas ninguém verbalizava.

"A Copa do Mundo saiu do Morumbi por causa do Juvenal.

Ele tornou a briga com Ricardo Teixeira particular.

Não fez com que o São Paulo brigasse com o presidente da CBF.

Não, foi algo só entre os dois.

E Ricardo lhe deu o troco tirando a Copa do Morumbi.

Levou para Itaquerão, para prejuízo da população.

Fui e sou contra à liberação de R$ 420 milhões da prefeitura para o estádio.

Fui contra porque existia um estádio pronto que só precisava ser reformado.

Seria a metade dos gastos para a população de São Paulo.

Mas o Ricardo Teixeira quis e conseguiu.

O Juvenal insiste que não.

Mas a verdade é uma só.

O São Paulo tomou um belo chapéu com essa história da Copa."

Marco Aurélio sabe, Juvenal fará o novo presidente.

A princípio, quer Roberto Natel, primo de Laudo Natel.

Ou o vice presidente Leco.

Com os dois, continuará tendo influência, mandando.

Tudo está à tona.

O Corinthians blindado, enriquecido, modelo para outros clubes.

Com títulos importantes na prateleira.

Campeão da Libertadores, do Mundo.

Pelo quarto ano seguido é marca mais valiosa no futebol brasileiro.

Está avaliada em mais de um bilhão...

O São Paulo atrasado, com brigas internas expostas como fraturas.

Nas mãos de uma só pessoa.

Sem oposição alguma.

Fracassado nos gramados.

Tudo mudou no Parque São Jorge.

E, principalmente, no Morumbi...

1gazata O mundo girou. O moderno São Paulo se transformou no atrasado Corinthians. Acumula fracassos e está nas mãos de um homem que faz o que quer. Já o rival enriqueceu, evoluiu, se blindou. Aprendeu imitando o que via no Morumbi...

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