1reproducaoavai 1024x682 O milagre da Chapecoense. O inacreditável renascimento do time que sofreu a maior tragédia do futebol mundial. 159 dias após o desastre, a conquista do bicampeonato catarinense. Mais do que um título, foi uma lição de vida...
"É inédito no mundo reconstruir um time e conquistar um título quatro meses depois, com todas as estatísticas melhores. A Chape chegou com muita justiça ao título.

"Eu saio como técnico muito perto daquilo que sempre sonhei na carreira, que é ganhar títulos e eu já tenho alguns, mas nenhum como a importância que teve esse com a Chape, porque é um trabalho de quatro meses que está sendo muito bem feito.

"Como ser humano me sinto muito melhor do que me sentia há cinco meses, quando houve o convite da Chape. Aprendi muitas coisas nesses cinco meses na Chapecoense, aprendi o valor da vida, aprendi o valor de você vir diariamente aqui e colocar tijolo em cima de tijolo para que a reconstrução da equipe seja feita com base na honestidade, simplicidade, na lealdade.

"Tem um significado muito forte. Esse título, de certa forma, não homenageia somente aqueles que aqui estavam, mas uma torcida, uma comunidade, que vive muito o time, que passa um carinho muito grande a todo que fazem parte desta equipe. Isso faz com que a gente se sinta muito bem, se sinta até maior do que a gente acha que é."

Fantásticos o trabalho e o depoimento de Vagner Mancini.

O que ele conseguiu com a Chapecoense precisa e vai ficar para a história.

No final de novembro de 2016, o mundo acompanhou a tragédia que dizimou o time que iria decidir a Copa Sul-Americana. Uma criminosa e irresponsável economia de R$ 10 mil fez com que o avião que transportava a delegação para a Colômbia caísse. A apenas alguns quilômetros do aeroporto de Medellin, onde o time catarinense enfrentaria o Atlético Nacional.

Foram 71 mortos.

E quatro meses depois, o clube comemorou o título catarinense. Conquistado sem nenhum favorecimento. Aliás, a postura digna acompanhou essa equipe especial. A começar pelos dirigentes que recusaram, não forçaram o favor que alguns clubes desejavam fazer. Propor uma proteção especial. O time não poderia ser rebaixado no Brasileiro. Não só no de 2017 como no de 2018 e até 2019. E ainda um dos 19 times que disputam com a Chapecoense a Série A, deveria dar um atleta, sem custo algum.

Tudo isso foi proposto quando os nervos estavam à flor da pele. No velório dos jogadores, da Comissão Técnica, dos dirigentes que morreram na tragédia. Só que depois que a comoção passou, a solidariedade sumiu.

Primeiro, a Chapecoense recusou ficar livre do rebaixamento.

Não quis dó, nem proteção exagerada.

Depois, os clubes se esqueceram da oferta gratuita de seus atletas. A Chapecoense recebeu listas de jogadores que as equipes queriam se livrar, mas estavam presas por contratos. Jogadores de baixo nível técnico. Os dirigentes só agradecem ao Palmeiras e ao Cruzeiro, que verdadeiramente foram solidários.

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Mantendo a própria filosofia empresarial, o clube trabalhou muito e reconstruiu o time. Deu a responsabilidade para Vagner Mancini. Ele soube que o teto salarial seria de R$ 100 mil. E que buscasse os atletas que considerassem em condições de ganhar não só o Catarinense, fazer frente à Libertadores, à Supercopa e que não fizesse a cidade passar vergonha no Brasileiro.

O trabalho de seleção foi árduo.

E Mancini tratou de reverenciar, mas se distanciar da tragédia.

Não quis que o luto durasse para sempre.

Muito pelo contrário.

Conseguiu montar um time competitivo, vibrante.

Foram 25 novas contratações.

Um elenco coeso, que formou um time tático.

A Arena Condá seguiu sendo das maiores armas.

A população da cidade seguiu ainda mais engajada.

As arquibancadas seguem constantemente lotadas.

Aos poucos, o trauma foi passando.

As lágrimas secando.

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Os jogos eram para valer, brigados.

Não havia espaço para solidariedade.

E em apenas 159 dias, o que era tristeza absoluta, virou alegria, superação, comemoração de título. Graças a um trabalho árduo, com comprometimento, foco. Respeito pelo time que morreu, mas certeza que o novo iria representá-lo da melhor maneira.

O governo federal confirmou. Dará R$ 15,5 milhões para reforma na arena Condá e na criação de um museu para homenagear o time que pereceu no acidente. Excelente iniciativa. Mas se esse dinheiro não viesse, os empresários de Chapecó iriam fazer como sempre. Juntar forças para ajudar o clube. Essa história de dependência, favores, não combina mesmo com a Chapecoense.

Em meio à alegria dos dois clubes mais populares do país, Corinthians e Flamengo, a conquista do Atlético Mineiro, do Coritiba, da surpresa Novo Hamburgo, o Estadual mais representativo foi o de Santa Catarina.

O clube que sofreu a maior tragédia da história do futebol ressurgiu.

Renasceu.

E ostenta, com orgulho, o título de bicampeão catarinense de 2017.

Algo inacreditável naquele terrível 29 de novembro.

Graças à uma cidade incrível.

Com população abdicada.

Visão empresarial em todos os atos.

Dedicação e muita competência de Vagner Mancini.

E comprometimento dos jogadores.

A conquista do bicampeonato é impactante.

Mesmo que as pessoas não consigam avaliar agora.

Este título ficará para a história.

Será motivo de fascinação para sempre.

Não só na história do futebol catarinense.

Mas brasileiro.

Foi o mais impressionante renascimento de um clube.

A hashtag #forçachape uniu o mundo.

Mas ninguém iria imaginar o quanto a Chapecoense é forte.

Por isso o Brasil tem de reverenciar seu título.

Nunca um Campeonato Catarinense teve tanta representatividade.

Impossível não se emocionar com a conquista.

Artur Moraes, João Pedro, Luiz Otávio, Douglas Grolli e Reinaldo; Nathan (Apodi), Moisés Ribeiro e Luiz Antonio (Osman); Rossi, Arthur e Wellington Paulista (Tulio de Melo).

Técnico: Vagner Mancini.

Essa equipe não pode e nem vai ser esquecida.

A Chapecoense não é mais motivo de lágrimas.

Mas de orgulho...
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