136 O homem que fez o Brasil inteiro chorar, revela as suas lágrimas. Mas finge esquecer. Ele foi o grande responsável pelo maior vexame do futebol deste país, em todos os tempos. Felipão diz que não quer nunca mais a Seleção. Sorte dos brasileiros...
"Foi uma derrota frustrante, e que era pra chorar até hoje. Mas você chora um dia, chora outro, ou não chora e sente um pouco mais. Passei muitos dias triste. Agora, a vida continua. Só levanta de novo quem caiu e tem qualidades para levantar. Foi o que fiz. Estou muito contente com todas as atitudes que tomei depois da Copa. Lá na China já são seis títulos. E para mim o mais importante é que meus jogadores estão felizes porque estão jogando no Guangzhou.

"Não tenho muito o que justificar (no 7 a 1). Perdemos algumas bolas ali que... Hoje você olha o contexto do futebol mundial e o jogador tal que fez um gol de fora da área com o pé esquerdo nem chuta com o pé esquerdo. Aquele dia ele acertou. Além do mais, se tirarmos o Neymar e o Thiago [Silva] da equipe do Brasil, vão fazer falta. Podem querer crucificar o Thiago pela derrota para o Barcelona, mas não tem zagueiro melhor. Naquele dia, fizeram falta.

E deu tudo errado. Não faria nada diferente. Quando eu me comunicava com meus auxiliares, Murtosa, Parreira, e quando tínhamos a oportunidade de falar com pessoas que já jogaram futebol e que hoje são comentaristas, nós tivemos completo apoio de um, dois, três, sobre a forma de jogar. Depois, nenhum [comentarista] se manifestou.

"Não penso em voltar à Seleção Brasileira. Já passei duas vezes. Fiz meu trabalho dentro do que tinha de possibilidades, e agora a seleção tem outros parâmetros, rumos, tem outro treinador, está bem dirigida. Nunca trabalhei nos clubes pensando em ser técnico da seleção. Não penso nisso, não.
Agora tenho um bom trabalho com o Guangzhou. Já ganhamos um título em 2017, e precisamos ganhar mais um ou dois. Pretendo ficar na China por pelo menos mais dois anos.

"O torcedor não é ingrato. Ele é induzido a ser ingrato. Mas ele não é. Não tenho nenhuma queixa de torcedor. Até quando alguém se aproxima para alguma colocação mais pesada sobre a Copa de 2014, vem com educação. Mas alguns setores da imprensa induzem o torcedor a agir com maldade. Isso eu acho absurdo e errado. E outra coisa: os técnicos não têm representatividade alguma. Nossa associação está fundada, nós financiamos, mas não temos representatividade. Vou te dar um exemplo claro: o Micale. Antes da Olimpíada, foi absurdo o que fizeram com o rapaz, poderiam ter acabado com a vida dele. Depois que ganharam, mudou tudo. E a nossa associação nada fez, nem uma cartinha de repúdio. Você pode dar sua opinião, mas não do jeito que foi.

222 1024x682 O homem que fez o Brasil inteiro chorar, revela as suas lágrimas. Mas finge esquecer. Ele foi o grande responsável pelo maior vexame do futebol deste país, em todos os tempos. Felipão diz que não quer nunca mais a Seleção. Sorte dos brasileiros...

"Não penso em voltar a trabalhar no futebol do Brasil. (...) Pelo que eu iria brigar aqui no Brasil como treinador? O que acrescentaria ao meu currículo? Confusão na minha vida. As pessoas aqui confundem situações de campeonatos, de jogos e acontecimentos. Mesmo que fôssemos campeões, apagaria o que aconteceu na Copa de 2014? Não. As pessoas se lembrariam da Copa de 2002? Não. Tem canal de televisão que diz que os grandes campeões foram 1970 e 1994. Para eles, 2002 não existe. Fica uma situação que não quero mais viver. Há meio ano atrás, recebi o convite de uma das maiores equipes de futebol do Brasil para ser manager. Mas disse que não."

Luiz Felipe Scolari tenta disfarçar, mas continua profundamente magoado. Só depois de três anos resolveu falar do maior vexame da história do futebol brasileiro. Primeiro foi em dezembro de 2016, ao ótimo site chuteirafc. Na entrevista tentou repartir o fracasso. E destacar que ele era o último campeão mundial com a Seleção, há 15 anos, em 2002.

"O mínimo que eu posso dizer aos que querem me culpar é que, se sou o culpado pela derrota de 2014, então sou o único responsável pela vitória de 2002. Eu pergunto: quem é o último campeão do mundo com o Brasil? Sou eu. Então, se perdi sozinho a Copa de 2014, ganhei sozinho a Copa de 2002. O resultado absurdo contra a Alemanha não refletia nossa situação. Vínhamos jogando muito bem e, às vezes, de forma razoável. Objetivo era passar de etapa a etapa. Estávamos cumprindo bem o objetivo. Naquele jogo houve uma falha coletiva geral. Posso garantir que só vai acontecer outro resultado igual daqui a uns dois mil anos", justificou há quatro meses.

E hoje, à Folha, vai no mesmo caminho. Se isenta. Tenta justificar com seus seis títulos chineses a sua condição de treinador vencedor. Realmente, ele está pronto para ganhar tudo na China. Não na elite do futebol mundial.

Nem no fraco futebol brasileiro de clubes, porque a Seleção é outra situação, Felipão tem mais espaço. Foi demitido sumariamente do Palmeiras em setembro de 2012. Deixou muito bem encaminhado o rebaixamento no Brasileiro. Depois da Copa, assumiu o Grêmio em julho de 2014 e em maio, já era demitido. Para não manchar ainda mais sua carreira, os dirigentes resolveram amenizar, dizer que ele pediu demissão. O certo é que não moveram um dedo para que seguisse no clube.

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Felipão é tratado por 'general' no Guangzhou. Se encaixou perfeitamente no sistema ditatorial da China de Xi Jinping. O treinador é defensor da rigidez das ditaduras. Em 1988 elogiou o general Augusto Pinochet. " O Pinochet ajeitou muitas coisas lá (no Chile). O pessoal estava meio desajeitado. Ele pode ter feito uma ou outra retaliaçãozinha aqui e ali, mas fez muito mais do que não fez. Há determinados momentos que ou o pessoal se ajeita ou a anarquia toma conta", disse, sem levar em conta os mais de 40 mil mortos nos 17 anos de ditadura militar.

Ele segue muito rancoroso. Foi traído por José Maria Marin e Marco Polo Del Nero. Os dois asseguraram que ele seguiria na Seleção, fosse qual fosse o resultado da Copa de 2014. Só que depois dos 7 a 1, os dois voltaram atrás na palavra empenhada. Não quiseram nem ler o relatório detalhado que Felipão levou sobre os jogadores no Mundial. Scolari, iludido, tinha a esperança em seguir com a Seleção. E levar o time para o Mundial de 2018.

Mas mesmo vivendo 16.663 quilômetros de distância, o vexame de quase três anos atrás não foi e nunca será esquecido. O maior fracasso do futebol brasileiro tirou seu último sonho como técnico, assumir a Seleção da Itália, depois da Copa do Brasil. Até os russos, segunda opção, o esqueceram. Tem de se contentar com a periferia do esporte no mundo. Seu nome não faz parte dos planos de qualquer grande seleção.

 O homem que fez o Brasil inteiro chorar, revela as suas lágrimas. Mas finge esquecer. Ele foi o grande responsável pelo maior vexame do futebol deste país, em todos os tempos. Felipão diz que não quer nunca mais a Seleção. Sorte dos brasileiros...

Ele avisa que poderá estar em uma outra Copa.

Dirigindo um time asiático.

Deixa no ar que pode ser na Rússia, aos 70 anos.

Ou até no Catar, aos 74 anos.

"Eu ainda tenho uma possibilidade, sim, de voltar a uma Copa.

Não por uma seleção da América do Sul, mas da Ásia.

Pode ser na Rússia, mas também para 2022."

Mas trabalhar no Brasil, nunca mais.

Ele não se ilude.

Aqui, o seu tempo acabou.

Os clubes que ama, Grêmio e Palmeiras, fecharam as portas.

Assim como a Seleção Brasileira.

Os 7 a 1 são imperdoáveis.

Foi Felipão quem abriu a Granja Comary para a farra dos jornalistas.

Quem nunca treinou a Seleção sem Neymar.

A pessoa que decidiu manter o esquema que venceu a Copa das Confederações.

Não treinou outras variações táticas.

Que menosprezou o potencial da Alemanha.

Escancarou o time no Mineirão.

E possibilitou a vergonhosa goleada.

Suas lágrimas não interessam mais...
622 1024x576 O homem que fez o Brasil inteiro chorar, revela as suas lágrimas. Mas finge esquecer. Ele foi o grande responsável pelo maior vexame do futebol deste país, em todos os tempos. Felipão diz que não quer nunca mais a Seleção. Sorte dos brasileiros...

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