113 O genial Messi leva a Argentina para a Copa da Rússia. Sorte de quem ama esse tal futebol
"Seria uma loucura não estar no Mundial. Não só para mim. Mas para toda Argentina. Isso nos dá paz, porque estávamos todos inquietos. Merecíamos nos ter classificado antes. Havia o medo de cair fora. Mas conseguimos. E agora a Seleção Argentina vai crescer. Vai ser outra."

"Não merecíamos não estar na Copa, por tudo que passamos. O grupo tinha de estar dentro. E foi o que viemos buscar em Quito. Aconteceu de começarmos perdendo e ainda havia o medo da altitude. Não merecíamos isso pelo que remamos e lutamos."

"Faz tempo que os jogadores são contestados, apesar de ter disputado três finais e mesmo assim, seguiam sendo discutidos..."

"É um dia importante para todos."

Messi estava emocionado como um garoto.

Nem parecia ser o homem de 30 anos, cinco vezes escolhido como o melhor do mundo. Três vezes campeão do mundo pelo Barcelona. Quatro vezes campeão da Champions League. E oito vezes campeão espanhol.

Nada disso valeria se não disputasse seu quarto mundial. Provavelmente o último em que pode render tudo fisicamente. Por isso seu desabafo, misturando alegria com ressentimento.

Só ele sabe o peso que estava em seus ombros.

A geração argentina é fraca.

A corrupção domina a AFA.

A incompetência dos dirigentes de clubes é criminosa.

Três treinadores, de filosofias completamente diferente foram responsáveis pelos descaminhos dentro de campo, nestas Eliminatórias.

Os jogadores foram carimbados como fracassados por perderem seguidamente as finais da Copa do Mundo e duas Copas América.

O país afundado em uma profunda recessão, buscava no futebol a alegria perdida no dia-a-dia.

E o melhor jogador do mundo era o alvo principal do descontentamento, da desilusão.

Jornalistas e torcedores o cobravam por tudo.

Daí a melhor resposta de Messi.

Liderou a greve de silêncio pelas críticas.

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Se apegou à acusação sem sentido que Lavezzi tinha fumado maconha na concentração da Argentina e, desde novembro do ano passado, os jogadores da Seleção Argentina não davam entrevista. Só que o time engrenou uma série de péssimos resultados. Ficou à beira de humilhante situação de não disputar sequer a repescagem.

Até que veio o jogo de ontem contra o Equador em Quito.

E Messi deu a sua resposta.

Em campo e nos microfones.

Três gols, na virada por 3 a 1.

Cansou de dar assistências geniais e os companheiros desperdiçarem.

Ele mesmo fez os três gols.

E decretou o final da greve do silêncio.

A hora era de se mostrar ser humano e desabafar.

"Eu disse ao grupo. Messi não deve um Mundial.

"O futebol deve um Mundial a Messi."

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Estas foram as palavras de Jorge Sampaoli, o técnico que deu total liberdade ao jogador mais talentoso do planeta. Foi contra os seus rígidos princípios táticos para possibilitar que Messi estivesse o mais próximo possível do gol equatoriano. E ele mostrou seu talento, sua frieza, sua raiva em um dos jogos mais simbólicos, mais importantes de sua maravilhosa carreira.

Messi sabe que, para a sofrida Argentina, ele ainda deve a conquista de uma Copa do Mundo. Porque é atormentado por uma sombra gigantesca. Dentro de um cenário muito parecido, Diego Armando Maradona conseguiu trazer o troféu para Buenos Aires.

Lionel já conseguiu perder uma final, com o seu indesejado rival.

Por isso, quando deveria estar maduro, pronto para mergulhar de cabeça na luta pela Copa de 2018, o time estava por um triz de sequer ter a chance de disputá-la. Seria um fracasso retumbante que levaria pela vida. Algo injusto demais.

"Leo demonstrou uma vez mais que é o dono deste jogo. É difícil falar sobre alguém tão especial. É seguro que nós o recordaremos como um jogador diferente. Ele é o dono deste jogo", resumia o líder dos vestiários, Mascherano.

Os três gols de Messi levaram a Seleção Argentina da sexta colocação para a terceira. Garantindo a vaga para o Mundial da Rússia.

Como a irracionalidade que o futebol provoca, a Argentina que trucidava Messi e sua seleção, agora comemora. Os coloca no céu. São tratados como heróis. Principalmente o camisa 10, a quem adoram chamar pelo apelido de Pulga, pelo tamanho pequeno.

Mas o rancor estava impregnado na pele dos jogadores.

Na comemoração festiva dos jogadores, a vingança no refrão.

"Não importa o que digam os putos jornalistas, dale, dale Seleção."

Ou seja, o clima de guerra ainda prevalece.

Mas com exceção de fanáticos frustrados, entorpecidos pela rivalidade, é uma bênção ter Messi e a Argentina na Rússia. Um Copa do Mundo sem seu melhor jogador não tem sentido. Apesar das conquistas e títulos seguidos do fabuloso e decisivo atleta chamado Cristiano Ronaldo, o argentino tem muito mais recursos.

É genial.

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Ele merecia e vai disputar sua quarta Copa.

Talvez a sua última.

O futebol não mereceria Messi de fora da festa.

Até os países que lutarão pelo título o queriam lá.

Agora terá o sabor completo para for campeão.

Seja a Argentina ou, principalmente, outra seleção.

Ver Lionel Messi comemorando nos vestiários, como um garoto, a classificação da Argentina é mais do que compreensível. É emocionante. Arrepia a alma. É a alegria de quem diz que não precisaria provar mais nada para ninguém. Mas se sente incompleto, diminuído. Apesar de todas as conquistas.

A sombra gelada de Diego Maradona cobre suas costas.

E a única maneira de exorcizá-la é ganhar um Mundial.

Será o que ele dará a alma para fazer na Rússia.

Para sorte de quem ama esse esporte chamado futebol.

O diário Olé destaca em manchete.

Faz um trocadilho com os 3 mil metros de altitude de Quito.

E, para elogiar Messi, relembra Maradona.

"À altura de Deus", crava.

Mas Lionel Messi sabe muito bem.

"Ainda não, ainda não..."

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