O futuro do Palmeiras e Flamengo, os favoritos brasileiros à Libertadores, nas mãos de dois novatos. Eduardo Baptista e Zé Ricardo. Técnicos que nunca disputaram a desejada competição...
Palmeiras e Flamengo se assumem como os favoritos brasileiros para a conquista da Libertadores. Por seus elencos, a força de sua torcida, a tradição, a força política nos bastidores do futebol, o dinheiro dos patrocinadores.

Quase tudo é citado.

Menos os seus técnicos.

Eduardo Baptista e Zé Ricardo terão, a partir de hoje, de provar se merecem estar no comando de tanta expectativa. A pressão é inegável. Tanto no Palestra Itália quanto na Gávea.

Os dois técnicos nunca sequer disputaram uma Libertadores na vida.

Tudo o que sabem é teórico.

Mas mesmo assim, mereceram a confiança dos dirigentes.

Eduardo Baptista é o mais pressionado. Desde o 'renascimento' do Palmeiras com a construção da nova arena e com os R$ 200 milhões que Paulo Nobre injetou no clube, as metas foram não só traçadas, como divulgadas publicamente. Primeiro a busca do respeito, perdido com dois rebaixamentos. Isso foi conseguido com a conquista da Copa do Brasil de 2015.

Em 2016, Cuca anunciou que era o ano de o Palmeiras voltar a ser campeão brasileiro, depois de 22 anos de jejum. E foi o que o clube paulista conseguiu alcançar. Foi uma façanha. E que só trouxe mais pressão a Eduardo Baptista. Ele estava trabalhando tranquilo na Ponte Preta. E acabou herdando a pressão, a responsabilidade que nem imaginava.

Cuca se desentendeu com Paulo Nobre. O rompimento entre eles acabou com a mínima possibilidade de o atrevido treinador campeão brasileiro seguir na Libertadores. Ele já tinha dois parentes doentes e decidiu que iria tirar, pelo menos um semestre de folga. Para cuidar dos familiares, descansar. E ficar pronto para voltar ao futebol a partir do meio do ano. A princípio, na China.

Antes de virar as costas à Libertadores, indicou Eduardo Baptista. O filho de Nelsinho Baptista foi apontado por ele a Alexandre Mattos como um treinador jovem, trabalhador, honesto, com ótima visão tática e com grande futuro pela frente. Estaria pronto e com muita energia para poder fazer o Palmeiras campeão da Libertadores.

Mattos, Paulo Nobre e Mauricio Galiotte aceitaram a indicação. E Eduardo Baptista foi contratado. Aos 46 anos, ele tem 16 anos como preparador físico. E apenas três como técnico. É uma pessoa centrada, racional.

No seu currículo, apenas três títulos. Todos pelo Sport. A Copa do Nordeste, o Campeonato Pernambucano, ambos em 2014, e a Taça Ariano Suassuna, em 2015. Teve uma frustrante passagem no Fluminense, onde se desentendeu com Fred. Ficou apenas 26 partidas comandando a equipe. Foi demitido. Voltou a fazer bom trabalho em Campinas, na Ponte Preta. Até ser contratado pelo Palmeiras.

Sua missão: vencer a Libertadores da América, depois de 18 anos.

Levar o clube à disputa do Mundial.

Simples assim.

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Eduardo convive com a sombra de Cuca. A comparação é inevitável. Até porque o elenco continua praticamente o mesmo que venceu o Brasileiro. Perdeu Gabriel Jesus. E ficou sem Moisés, contundido. Mas ganhou reforços significativos: Borja, Guerra, Felipe Melo, Michel Bastos, Willian, Keno, Raphael Veiga, Hyoran. Nomes indicados pelo treinador que deixou o clube.

Para mostrar personalidade, Eduardo Baptista desprezou o esquema 4-3-3 de Cuca. E optou pelo 4-1-4-1 e o 4-2-3-1. Já disputou sete jogos com rendimento instável da equipe. Sabe que não desperta grande confiança da torcida, dos dirigentes e da imprensa. Mesmo com o elenco mais forte do país, a equipe não tem mostrado constância, força ofensiva que todos esperavam.

Com o time ainda claudicante, chegou a estreia na Libertadores. Hoje,contra o aguerrido Atlético Tucuman. O técnico Pablo Lavallén já deixou bem claro que tentará compensar a diferença técnica entre os times com luta, empenho, pressão da torcida e muita velocidade com a posse de bola.

Eduardo Baptista sabe o quanto será importante para sua carreira a Libertadores. E por isso exige uma boa arrancada. Fez seus treinamentos mais importantes fechados, longe da imprensa. Ele quer o Palmeiras dono da posse de bola, mais consciente, racional. Não tão agudo como nos tempos de Cuca. Sem tantos lançamentos, laterais na área. Insiste querer que a bola passe pelo meio de campo. Exige tabelas, infiltrações, trocas constantes de posições do meio para a frente. Time mais frio, controlando o jogo.

"Não sou uma aposta. Eu fui escolhido por estar preparado. Pelo meu perfil", destacou ao chegar ao Palmeiras. "Sei da minha responsabilidade em 2017. Ganhar todas as competições. Principalmente a Libertadores. E é o que iremos buscar."

E Eduardo Baptista sabe.

A partir de hoje, será cobrado como nunca foi na carreira.

Na vida.

Com gente importante no clube suspirando de saudades.

De Cuca...

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A sombra de Zé Ricardo é outra. A do troféu da Libertadores. Renascido das dívidas, o Flamengo se modernizou, se estruturou. Tem dinheiro, jogadores importantes, a maior torcida do país. E acalenta o desejo de vencer de novo a competição mais importante da América do Sul, depois de 36 anos. A euforia dos flamenguistas é escancarada.

Logo na sua estreia na Libertadores, hoje contra o San Lorenzo, na aguardada reabertura do Maracanã, estão garantidos o maior público e a maior arrecadação de 2017. Mais de 50 mil apaixonados. Há uma euforia generalizada. A sensação que a Libertadores é muito possível. Diego, Guerrero, Éverton, Rômulo, Willian Arão, Mancuelo, Rafael Vaz, Rever, Alex Muralha... E ainda esperando a recuperação de Conca. O elenco permite o sonho.

Zé Ricardo já surpreendeu a todos em 2016. Se firmou quando os dirigentes sonhavam com treinadores vividos, de renome. E impôs respeito. Nascido na base do clube, sabe muito bem o que a torcida e imprensa querem do Flamengo. Uma equipe de toque de bola, vibrante. Com sua vivência dos tempos de treinador de futsal e estudioso de futebol, deu ao clube a postura compacta, estruturada defensivamente. Sem espaço no meio para o adversário. A marcação alta, sufocante na saída de bola do rival.

Adepto do 4-1-4-1, o seu Flamengo não tem nada de romântico. Pelo contrário. É uma equipe competitiva. E que ainda precisa de ajustes. Principalmente defensivos, sujeita a contragolpes, como aconteceu contra o Fluminense, na decisão da Taça Guanabara. Até mesmo a figura de Márcio Araújo renasceu. Podendo ganhar espaço como volante à frente da zaga. A proteção à defesa ainda não está bem resolvida.

Ao contrário do empolgante ataque, coordenado com competência e redescoberta da paixão pelo futebol de Diego. Não voltou à Seleção Brasileira à toa. É mais um renascido neste cenário da Libertadores de 2017.

De personalidade forte, o jovem técnico conseguiu ter o domínio do elenco. A saída de Sheik foi uma silenciosa demonstração de força. E que os jogadores vividos perceberam. Ele tem o aval dos dirigentes. Eduardo Bandeira de Mello admitiu a companheiros de diretoria que vê potencial em Zé Ricardo para repetir a façanha do então novato Paulo César Carpegiani em 1981.

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Mas não há dúvida que a pressão é imensa por Zé Ricardo.

Ele sabe de sua responsabilidade a partir de hoje no Maracanã.

Há um clima de euforia, alegria incontida na Gávea.

A esperança pelo título da Libertadores é enorme.

Os favoritos da mídia brasileira começarão sua caminhada.

Flamengo e Palmeiras já sabem não terão vida fácil.

Serão cobrados a cada partida na Libertadores.

E os mais pressionados serão os novatos.

Eduardo Baptista e Zé Ricardo terão de mostrar.

Se merecem ou não a confiança de duas nações ansiosas, aflitas.

Esperançosas.

A palmeirense e a flamenguista.

As respostas começarão a serem dadas às 21h45.

Em San Miguel de Tucumán e no Maracanã...
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