1ae13 O fraco desempenho do time de Mano é o menor dos problemas no Corinthians. A dívida milionária com o Itaquerão e os péssimos negócios travam Mario Gobbi. E Citadini, o protegido de Dualib, sai das cinzas pela oposição...
Romarinho não queria sair do Corinthians. Não para ir jogar no El Jaish, da Arábia. Com tantas dificuldades para seu time marcar gols, Mano Menezes não queria perder seu atacante de 23 anos. Quando percebeu que não havia saída, o treinador brincou com Mario Gobbi. "Então me dê o Nilmar ou o Jonas." Ambos estão livres de seus clubes. O presidente fechou a fisionomia, tenso. "Se fosse por mim, o Romarinho ficava e ainda trazia os dois. Mas o momento é outro."

A resposta de Gobbi demonstra o grave problema financeiro que o Corinthians vive. As dívidas se acumulam por causa do Itaquerão. Dos R$ 420 milhões em incentivos fiscais para 2012, ainda R$ 210 milhões não foram liberados pela prefeitura de São Paulo. Por problemas burocráticos. Os juros da dívida com a construtora Odebrecht só aumentam. Não é para menos. Todo o planejamento financeiro estava baseado nesse dinheiro prometido pela prefeitura.

O Itaquerão custou oficialmente R$ 1,150 bilhão. A Prefeitura prometeu R$ 420 milhões e o governo estadual já até repassou R$ 80 milhões. Ou seja esses R$ 500 milhões foram a garantia que levou a Odebrecht pegar, via Caixa Econômica, o restante do dinheiro emprestado do BNDES para fazer o estádio. Como o dinheiro municipal não chegava, a construtora pegou dos bancos muito mais do que era o combinado. Ou a arena não ficaria pronta.

O Corinthians tem 12 anos para pagar a dívida. Só que com o enorme atraso do repasse da prefeitura, os juros não param de crescer. O prazo declarado por Gobbi e Andrés Sanches de pagar em sete anos não será cumprido. Vale a pena prestar atenção na promessa de Sanches. Perguntado em 2013 sobre quando o clube pagaria o estádio.

"Em seis ou sete anos. Toda a receita do estádio vai para o Fundo. Os pessimistas dizem R$ 150 milhões (de arrecadação anual), os otimistas, R$ 250 milhões. Então, vamos fazer a conta com R$ 200 milhões. A prestação é 60, 70 milhões. Paga. Sobram R$ 140 milhões. Desses 140 milhões, 30% vai para o Fundo, fica amortizado, para ir antecipando o empréstimo. Sobram 100 milhões de lucro, vamos dizer assim: 50% é do Corinthians, 50% fica no fundo, antecipando os pagamentos. Se o Corinthians quiser usar a parte dela para antecipar os pagamentos, pode. Isso tudo sem naming rights."

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Sim, Andrés chegou a falar seis anos para o Lance! Mas acabou o otimismo no Parque São Jorge. Para que tudo isso acontecesse, a média de público deveria chegar nas 40 mil pessoas no novo estádio. Ela está batendo nos 32 mil torcedores (cerca de 29 mil, neste Brasileiro, somando jogos no Pacaembu e no Canindé). Só que, a diretoria pressionada, teve de abaixar o preço dos ingressos. Mesmo assim são os mais caros do país. O que provoca ainda hoje a revolta das organizadas. O ex-presidente preferiu sair 'oficialmente' da administração do estádio para não sofrer desgaste. Ele é candidato a deputado federal e quer levar um milhão de votos para o partido de seu 'padrinho', Lula. E, depois de dois anos de promessas, nada de naming rights.

Especialistas em marketing esportivo associam o nome Itaquerão ao Morumbi, Maracanã, Mineirão. Seria desperdício gastar dinheiro tentando batizar o estádio corintiano. Ainda mais com a crise mundial. Os R$ 400 milhões sonhados por Andrés em naming rights viraram fumaça.

Toda a pressão está recaindo sobre a administração Gobbi. O vexame de os telões prometidos para logo depois da Copa não foram instalados. Assim como a cobertura do estádio. Ou mesmo, absurdo dos absurdos, a instalação de bancos de reservas. Tudo é improvisado, com cadeiras soltas. Inaceitável para um estádio de mais de R$ 1 bilhão.

As saídas de Romarinho e Guilherme ainda renderam dinheiro ao clube. Triste foi ver Cléber. O zagueiro talentoso não rendeu um centavo ao clube. Ele foi para o Hamburgo por R$ 9,3 milhões, R$ 3,1 milhões. Dinheiro que foi integralmente para o bolso dos seus investidores. Por contrato, haveria a possibilidade de segurar o atleta. Desde que a proposta fosse inferior a 8 milhões de euros (R$ 24 milhões). Desde que comprasse 20% do jogador. O clube paulista alegou não ter caixa. Serviu apenas de vitrine para valorizar o atleta que veio da Ponte Preta e saiu de graça. Ele tem apenas 23 anos.

2ae5 1024x576 O fraco desempenho do time de Mano é o menor dos problemas no Corinthians. A dívida milionária com o Itaquerão e os péssimos negócios travam Mario Gobbi. E Citadini, o protegido de Dualib, sai das cinzas pela oposição...

A compra de Alexandre Pato por 15 milhões de euros, R$ 43 milhões. E a renovação de contrato de Sheik. O pagamento da metade dos salários dos dois atletas também pressionam Gobbi. A ridícula desventura por Zizao. São críticas e mais críticas. Elas ficaram duras quando o clube antecipou da Globo e da FPF nada menos do que R$ 15 milhões. Esse dinheiro foi para inocentar Andrés Sanches e mais três dirigentes da ação penal do Ministério Público. A acusação era de sonegação de impostos entre julho e dezembro de 2010. Além de Andrés, os outros dirigentes são Roberto de Andrade, ex-diretor de futebol do clube, Raul Correa da Silva, diretor financeiro, e André Luiz de Oliveira, ex-diretor administrativo. Roberto de Andrade e André Luiz são candidatos à presidência do clube.

O Corinthians foi o primeiro clube que Assis procurou quando tirou Ronaldinho Gaúcho do Atlético Mineiro. O irmão/empresário queria um acordo que rendesse pelo menos R$ 900 mil. Queria contrato por dois anos. Gobbi logo recusou. Não tinha a menor condição de se aventurar com o atacante tão caro. Pesou mais o dinheiro que desperdiçou com Pato do que todo o sofrimento que passou com Adriano.

Diego Tardelli também esteve nas mãos do Corinthians. O atacante estava disposto a trocar a Cidade do Galo pelo Parque São Jorge. Mas faltou dinheiro.

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Por tudo isso, Mano Menezes está mais do que blindado. Não importa que seu time seja o rei dos empates. E veja a chance de o clube ser campeão brasileiro ficar cada vez mais longe. Não há pressão alguma interna depois de um resultado vexatório como o 0 a 0 contra o Criciúma. Não para uma diretoria que não tem como segurar Romarinho. Ou colocar bancos de reservas no Itaquerão.

Gobbi esteve tão fragilizado. Ou Andrés tão criticado. A eleição no Corinthians se tornou uma incógnita. Roberto de Andrade, o candidato que se apresenta como da situação, não tem certeza alguma de vitória. Antônio Roque Citadini, dirigente protegido por Alberto Dualib, surge das cinzas. E com chance de brigar pela oposição.

Andrés havia jurado a um jornal suíço que voltaria à presidência do Corinthians em 2018. Para 'quebrar', destruir a CBF. As dívidas de mais de R$ 800 milhões com o Itaquerão e os péssimos negócios feitos por Gobbi podem acabar com sua ambição. A situação é complicada e pesada. O fraco futebol do time de Mano se tornou o menor dos problemas no Parque São Jorge.

مع السلامة, Romarinho. Traduzindo do árabe: tchau, Romarinho...

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