1cam 1024x682 O fracasso de Micale é o retrato do atual Atlético Mineiro. Milionário, mas perdido, sem rumo
"Rogério Micale acaba de ser anunciado como treinador do Atlético Mineiro. O presidente Daniel Nepomuceno demitiu Roger pela instabilidade do time e pelos fracos resultados dentro de casa. A provocação 'caiu no Horto, está morto' não valia mais. O Independência não servia mais como alçapão. Em sete meses de trabalho, o técnico gaúcho ganhou o Mineiro, competição entre dois clubes, deixou o time classificado para as quartas da Copa do Brasil, para as oitavas de final da Libertadores -- perdeu o primeiro jogo contra o Jorge Wilstermann e decidiria a vaga no Independência.

(...)"Nós fomos vice da Copa do Brasil, do Brasileirão, batemos duas vezes na trave e temos que levantar uma dessas taças", assumiu o presidente.

Ou seja, Micale já sabe. Chega para ser campeão da Copa do Brasil ou do Brasileirão. Tem perdão até se fracassar na Libertadores. Mas o Atlético Mineiro precisa de um título de relevância até o final do ano.

Se Nepomuceno espera um treinador estudioso, que entende muito sobre estratégia, tática. Capaz de levar o quadro negro para o meio do gramado para ensinar aos atletas o que deseja, Micale é o homem. O grande problema crônico é a maneira pela qual ele se comunica com os atletas profissionais. Sua insegurança. A falta de convicção.

Ele tem 18 anos como treinador. Mais de 17 anos com garotos. Sua duas únicas passagens pelo profissional foram dois retumbantes fracassos. No Figueirense e no Grêmio Barueri. Clubes menores no contexto do futebol brasileiro.

O motivo das demissões foi o que constatei na Olimpíada.

A submissão diante de jogadores experientes, vividos.

A falta de firmeza nas suas convicções.

Se o Brasil ganhou tem o ouro olímpico, precisa agradecer a Tite.

Se não fosse a intervenção branca de Tite, na Bahia, a Seleção, mesmo jogando contra adversários medíocres, em casa, e com Neymar, não teria o ouro olímpico.

(...) O caríssimo elenco atleticano é repleto de jogadores importantes e vaidosos.

E que não costumam se dobrar diante de treinadores inseguros, imaturos.

Micale trabalhou duas vezes na base atleticana. Entre 2009 e 2010. E 2011 e 2015. Não teve a chance de assumir o time principal, mesmo com várias demissões.

Nepomuceno que arque com suas escolhas.

A medalha de ouro olímpica tem mais histórias do que parece.

O presidente do Atlético deveria se informar.

Saber do real peso das visitas de Tite.

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Mas a sua escolha já está feita.

Em um ano tão importante para o Atlético.

Na fase decisiva de 2017, seu complicado time é entregue a Micale.

Um inexperiente e inseguro treinador.

O problema é todo seu, Daniel Nepomuceno.

Quem sabe, Tite não está livre para 'fazer umas visitas'..."

O texto acima foi escrito neste blog no dia 21 de julho.

Dois meses e três dias depois, Nepomuceno demite Rogério Micale. O clube que o presidente ama não vencerá nem Brasileiro e muito menos a Libertadores. E ainda caiu na Copa do Brasil. O clube acumulou três fracassos retumbantes.

O Atlético tem a segunda folha salarial do Brasil. Só fica atrás do Palmeiras e com sua bilionária Crefisa, que desembolsa R$ 12 milhões. Os mineiros pagam R$ 10,2 milhões a um elenco galáctico, com direito a Fred, Elias, Victor, Robinho, Cazares, Otero, Fábio Santos, Marlone, Léo Silva, Erazo, Valdivia.

Logo de cara, o fracasso na Copa do Brasil, diante do Botafogo.

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Era o cartão de visita do técnico que ganhou o ouro olímpico.

Depois, com o elenco que recebe mais de R$ 10 milhões a cada 30 dias, Micale com todo apoio de uma das mais apaixonadas torcidas do Brasil, não conseguiu vencer o fraquíssimo Jorge Wilstermann, em pleno Mineirão. Empatou a partida em 0 a 0. Não fez um mísero gol no time boliviano que acaba de ser eliminado da Libertadores pelo River Plate. Os argentinos mostraram o que é personalidade. Haviam perdido por 3 a 0, em Chochabamba, na altitude de 2.500 metros. Missão bem mais difícil do que reverter o 1 a 0 que os atleticanos sofreram, quando Roger era o treinador.

O River Plate de Marcelo Gallardo fez o que deveria. Mostrou personalidade, gana, convicção, autoestima e a firmeza de quem se assume como um dos grandes clubes da América do Sul, como o Atlético Mineiro é. Os argentinos colocaram as coisas nos seus devidos lugares. E golearam, na semana passada, por 8 a 0.

Com a Libertadores perdidas, o Atlético Mineiro seguiu despencando no Brasileiro. O time não tinha o mínimo padrão tático. Os jogadores não se desdobravam em campo. Corriam sem rumo, sem alma, sem convicção. Sem o mínimo de vibração, marca registrada na alma guerreira de qualquer atleticano.

Taticamente, a lousa no gramado pouco significou. As linhas continuaram separadas, distantes. O time sem a menor intensidade. Incoerente, o treinador ficava mudando de sistema. Se mostrava perdido. Tornou uma delícia atacar a equipe desprotegida de Micale. Era nítido que os jogadores não acreditavam no que ele propunha.

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Para tentar mostrar força, mexeu com as estrelas Fred e Robinho. Acabou engolido por elas. Não mostrou o menor traquejo para lidar com jogadores profissionais. Juniores aceitam tudo, por sonharem com uma carreira. A mentalidade de treinador de base está impregnada em Micale. Bastasse Nepomuceno fazer a mínima pesquisa antes de contratá-lo. Por sinal, ele já trabalhou na base atleticana, não custa lembrar. E se não teve a chance de chegar ao time principal, motivos não faltavam.

A campanha de Micale, com o time que tinha nas mãos, vexatória. Em 12 jogos, quatro vitórias, três empates e cinco derrotas. Não bastassem as eliminações da Copa do Brasil, Libertadores, o time está a três pontos da zona do rebaixamento no Brasileiro. Veio a óbvia demissão. Com ele, o Atlético Mineiro perdeu o ano. E Nepomuceno, lógico, não tem a menor condição de tentar a reeleição. Seu mandato no futebol foi terrível. A cereja podre no bolo velho foi a contratação de um técnico inseguro, imaturo, para comandar o clube em decisões tão importantes.

"Cheguei dia 25 de julho e não é muito tempo. Não vejo terra arrasada. Temos 13 partidas para conquistar 14 pontos. Quatro vitórias nos levam a 45 pontos pontos suficientes. Isso que vem acontecendo é só na minha gestão?", perguntava o demitido Micale.

Não. Até ele sabia que era o quinto técnico demitido por Nepomuceno. Levir Culpi, Diego Aguirre, Marcelo Oliveira, Roger Machado tiveram antes este privilégio, em um ano e sete meses. Treinadores distintos, com filosofias completamente diferentes. A pior delas, de Micale.

Nepomuceno só acerta em cheio em uma decisão.

A de nem tentar a reeleição.

Se o Atlético Mineiro terá seu estádio, mais do que sonhado, precisa ter um time de futebol forte, digno de suas tradições. Que lute para estar nas decisões de tudo o que disputar. E para isso é preciso ter grandes elencos e excelentes técnicos. Nepomuceno não soube escolher.

O nome de Cuca circula nos bastidores do clube.

É preciso alguém com conquistas comprovadas, vivência, personalidade para controlar um grupo milionário. E fazer um time competitivo, poderoso, impiedoso. Principalmente nos seus domínios.

É o mínimo que se espera.

O clube não é lugar para estagiários.

O torcedor atleticano não merecia passar por tanta vergonha em 2017...
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