Outra vez será a mesma história.

O mundo chocado.

A Fifa prometendo mudanças.

E daqui seis meses, todos se esquecem.

A selvageria dos torcedores e incompetência das autoridades se juntam outra vez.

O resultado...

Dezenas de mortos.

Até agora, 73 pessoas perderam a vida.

São mais de mil feridos.

Por um jogo de futebol no Egito.

Tudo filmado ao vivo, filmado.

Em 2012, a barbárie.

A falta de visão, planejamento, autoridade foi responsável pelo massacre.

E as gangues batizadas de torcidas organizadas.

Na cidade egípcia de Port Said haveria um jogo importante.

O time da casa, o Al-Masry, enfrentaria o melhor time do Egito: o invicto Al-Ahly.

As declarações irresponsáveis de dirigentes, de jogadores do Al-Masry...

O clima de guerra contagiou os torcedores.

Principalmente os membros das organizadas.

Os do Al-Masry eram esmagadora maioria.

As agências internacionais informam que houve negligência.

Falta de policiais no estádio.

E os que estavam não se importavam.

Esqueceram-se das suas obrigações e, omissos, colaboraram com a barbárie.

A partida já havia sido paralisada na comemoração de um dos gols do Al-Masry.

Os torcedores alucinados comemoraram com fogos de artifício.

E muitos sinalizadores de fumaça.

O estádio ficou um caos.

Era um sinal do que viria pela frente.

Ao final do jogo, confirmada a vitória do time local por 3 a 1, o terror.

Os policiais permissivos, nada fizeram para evitar a invasão dos torcedores do Al Masry.

Irresponsáveis, não tinham idéia do que estavam fazendo.

Quando tentaram agir, foi tarde.

Ensandecidos com a facilidade para entrar no gramado, os torcedores organizados partiram para a agressão aos jogadores e comissão técnica do Al-Ahly.

Esmurravam, chutavam, queriam linchar os adversários.

Eles conseguiram correr, fugir.

E acabaram se escondendo em um quartel perto do estádio.

Porque se não fossem para o quartel, poderiam ser mortos.

Nas arquibancadas ficou tudo pior.

Incentivados com a displicência da polícia, os torcedores do Al-Masry, em covarde maioria, partiram para cima da torcida do Al-Ahly.

Foi onde aconteceram as mortes.

Pessoas tentavam fugir e morriam pisoteadas.

Ou asfixiadas, presas entre as organizadas da casa e os alambrados.

No meio disso tudo, os policiais em pequeno número e despreparados tentavam fazer alguma coisa.

E agrediam quem passava pela frente.

As cenas começam a chegar de todos os lados.

Foi uma selvageria, lamentável.

A contagem de mortos e feridos só aumenta.

Até porque pessoas foram mortas no gramado, agredidas de todas as formas.

Linchadas por estarem com a camisa do Al-Ahly.

Até nos corredores que levavam ao vestiário torcedores foram mortos.

As autoridades egípcias suspenderam o campeonato devido à barbárie em Port Said.

Sempre é a mesma situação.

Depois que acontece, o início das providências.

Mas está cada vez mais claro: as torcidas organizadas são as grandes inimigas do futebol.

O que aconteceu no Egito foi a prova do que elas são capazes quando ficam livres.

E ainda mais em grande vantagem numérica diante do adversário.

Só medidas extremas como aconteceram na Inglaterra para acabar com seu poderio.

Medidas que o Egito deve tomar depois do massacre de hoje.

Sempre assim.

Depois que muitas vidas foram perdidas de maneira estúpida, as providências são tomadas.

O Brasil vai organizar a Copa do Mundo de 2014.

A maior comemoração da Fifa foi o acordo pela liberalização da cerveja.

Em troca permitirá um certo número de meias-entradas.

Ricardo Teixeira, o ministro Aldo Rebelo, Ronaldo, Dilma Rousseff comemoram.

Mas até hoje não há plano algum traçado em relação à segurança dos torcedores.

Só se pensa nos R$ 70 bilhões que o Brasil gastará com a Copa.

Uma notícia que poucas pessoas prestaram atenção.

E é chocante.

O secretário extraordinário de Segurança para Grandes Eventos, José Ricardo Botelho, pediu demissão do cargo.

No dia 24 de janeiro.

A secretaria, vinculada ao Ministério da Justiça, foi criada no ano passado.

Sua função: coordenar e planejar as ações de segurança dos grandes eventos que o Brasil vai sediar nos próximos anos.

Botelho era responsável pelo planejamento da Copa e da Olimpíada de 2016.

Ele alegou 'motivos pessoais'.

Mas na verdade, ele pediu demissão porque não havia vontade política...

Investimento de verdade do governo federal para o plano de segurança.

Lógico...

Esse serviço não aparece.

O que importa é jogar dinheiro no ralo com arenas modernas e dispensáveis.

Plano de segurança não rende inauguração, foto em jornais.

Talvez o que tenha acontecido hoje no Egito faça a nossa presidente acordar.

Talvez.

Se não houver um planejamento sério para a Copa...

O controle absoluto das torcidas organizadas...

Quem vai para estádio no Brasil sabe que o quanto estamos perto de Port Said...

Antes de criticar os Estados Unidos por Guantánamo...

Pense no que acontece no seu país, presidente...

Descubra que o espírito de Port Said já chegou por aqui...

http://r7.com/pFuc