142 O desespero de Manaus, Brasília, Natal e Cuiabá. Políticos acionam a Bancada da Bola. Querem reverter a proibição da venda de mando de jogos no Brasileiro. Os elefantes brancos da Copa, que custaram R$ 3,8 bilhões, mostram sua inutilidade...
Um excelente confronto à vista.

Digno dos políticos que habitam Brasília.

E que vivem de trocas de favores.

Toma lá, dá cá.

O caso é lastimável.

Há seis dias, a direção do Atlético Mineiro teve uma atitude nobre. Propôs acabar com a pouca vergonha da venda de mandos de jogos no Campeonato Brasileiro. Recurso espúrio de times rebaixados que, por algumas moedas, vendiam sua dignidade. Viravam as costas às torcidas e se dispunham a atuar onde fosse melhor para o adversário. Geralmente um estado onde existisse um reduto do time que mandante.

Situação ridícula que Marco Polo del Nero fingia não ver.

Na prática, sem a hipocrisia dos dirigentes, o mando era invertido. O prejuízo técnico, ético, moral do torneio era profundo. Essas inversões pagas ajudaram várias equipes. A serem campeões, disputar Libertadores, Sul-Americana, evitar rebaixamento. Algo abominável.

O Atlético Mineiro teve a decência de propor o fim dessa esculhambação. E conseguiu uma vitória que não foi tão fácil quanto parece. Os números de quem votou a favor e contra não serão divulgados. Porque a vilania neste país existe, mas poucos têm coragem de assumir.

A venda dos mandos de jogos foi vetada.

Nenhum time mandante poderá atuar fora do seu estado de origem.

A medida sanitária foi anunciada na segunda-feira, dia 20.

E pomposamente, como se a CBF tivesse proibido.

Afinal, impediu que esse maracutaia acontecesse nas últimas cinco rodadas do último Brasileiro. Se dependesse apenas de Marco Polo, a situação seguiria dessa maneira. Mas não dependeu. O Atlético Mineiro foi firme e a notícia vazou antes mesmo do Congresso Técnico. Se a proposta não passasse, outra vez a CBF iria assumir permissividade.

Mas a medida não completou nem uma semana.

E a bancada da bola foi acionada.

Para que tente reverter a situação.

Convença Marco Polo a voltar atrás.

De onde são esses políticos?

Das sedes dos elefantes brancos construídos para a Copa do Mundo.

Natal, Manaus, Brasília, Cuiabá.

Como era previsto, as arenas caríssimas estão sem uso.

Os clubes do Rio Grande do Norte, do Amazonas, do Mato Grosso e da Capital do Brasil não têm estrutura para jogarem a Série A. O máximo que Natal conseguiu foi classificar o ABC para a Segunda Divisão. Os outros, nem isso.

Na Terceira Divisão, o Cuiabá.

Era óbvio que a Arena Dunas, a Amazônia, a Pantanal e a Mané Garrincha ficariam às traças sem as vendas de mando no Brasileiro. Mas a decisão já foi tomada, anunciada publicamente por Marco Polo.

1reproducaotvca 1024x576 O desespero de Manaus, Brasília, Natal e Cuiabá. Políticos acionam a Bancada da Bola. Querem reverter a proibição da venda de mando de jogos no Brasileiro. Os elefantes brancos da Copa, que custaram R$ 3,8 bilhões, mostram sua inutilidade...

Só que políticos locais entraram em ação. Junto com representantes das Federações. E trataram de acionar a Bancada da Bola em Brasília. Querem que pressionem a CBF para permitir que os mandos da Libertadores, da Sul-Americana e até da Copa do Brasil continuem sendo colocados à venda.

E que Marco Polo não tente bloquear.

A média de público do Campeonato Amazonense de 2016 foi de 217 torcedores.

A capacidade da Arena Manaus é de 44.351.

Custo: R$ 700 milhões.

Dinheiro público, lógico.

Média do Campeonato Mato-grossense em 2016, 1.015 torcedores.

Capacidade da Arena Pantanal: 41.112 pessoas.

Custo: R$ 650 milhões.

Dinheiro público, lógico.

Média de público no Campeonato Brasiliense, em 2016: 1.100 pagantes.

Capacidade do Mané Garrincha: 72.788 pessoas.

Custo: R$ 1,8 bilhão.

Dinheiro público, lógico.

Média de público no Campeonato Potiguar: 1.947 pagantes.

325 O desespero de Manaus, Brasília, Natal e Cuiabá. Políticos acionam a Bancada da Bola. Querem reverter a proibição da venda de mando de jogos no Brasileiro. Os elefantes brancos da Copa, que custaram R$ 3,8 bilhões, mostram sua inutilidade...

Capacidade da Arena das Dunas: 31.375 pessoas.

Custo: R$ 430 milhões.

Dinheiro público, lógico.

Até a corrupta Fifa nas mãos de Joseph Blatter alertou o então presidente Lula que não necessitava de 12 estádios para o Mundial. Mas o político respondeu que faria a Copa com 12. "Lula disse que precisava ter um arranjo político. O Ricardo Teixeira concordou. E por isso foram construídas as 12 arenas", revelou Blatter.

Para agradar politicamente os eleitores do Rio Grande do Norte, de Brasília, do Amazonas e do Mato Grosso. Nada menos do que R$ 3,580 bilhões foram torrados com estádios inúteis. Que mesmo os moradores de Natal, Brasília, Manaus e Cuiabá tinham certeza que não teriam serventia. Mas os políticos locais tinham de mostrar prestígio. E como o dinheiro sairia do bolso de todos os brasileiros, as arenas foram feitas.

Sem o Brasileiro, o desespero.

Empresários oportunistas buscam times da Libertadores e da Copa do Brasil.

Mais próximo do final do ano, a Sul-Americana.

Esses agentes têm o apoio total de prefeitos, governadores.

Precisam trazer atrações, fazer o estádio ser usado.

Porque a manutenção de uma arena da Copa custa caro.

Em média, R$ 50 mil mensais para o estádio não deteriorar.

Quem garantia até o ano passado essa manutenção era o Brasileiro.

Que não tinha nenhum time da cidade disputando.

 O desespero de Manaus, Brasília, Natal e Cuiabá. Políticos acionam a Bancada da Bola. Querem reverter a proibição da venda de mando de jogos no Brasileiro. Os elefantes brancos da Copa, que custaram R$ 3,8 bilhões, mostram sua inutilidade...

Resta a esperança que os grandes clubes aceitem vender seus mandos.

A Conmebol que faz vista grossa para tudo não deve colocar obstáculo.

Tanto na Libertadores e na Conmebol.

A CBF cuida da Copa do Brasil.

Mas já há uma articulação para que o fim da venda no Brasileiro seja revertida. Já em 2018, possa estar novamente liberada. A missão cabe, lógico à Bancada da Bola.

Como o esperado, os elefantes brancos viraram problemas.

Não seriam se tivessem a estatura do futebol de suas cidades.

A megalomania, a farra com o dinheiro público não permitiram.

Por isso, shows, casamentos, eventos religiosos.

Futebol americano.

O que for possível para compensar o absurdo de suas construções.

E acordos vergonhosos para tentar salvar essas arenas fantasmas.

Que consumiram R$ 3,580 bilhões de dinheiro público.

E ainda sugam R$ 200 mil mensais só para seguir existindo.

Sem serventia.

Situação vexatória para um país com 13 milhões de desempregados.

Aproveite seu Carnaval...
625 O desespero de Manaus, Brasília, Natal e Cuiabá. Políticos acionam a Bancada da Bola. Querem reverter a proibição da venda de mando de jogos no Brasileiro. Os elefantes brancos da Copa, que custaram R$ 3,8 bilhões, mostram sua inutilidade...

http://r7.com/zM9u