153 O Corinthians perdeu para a Ponte. O Brasileiro está nas mãos do Palmeiras
O que parecia impossível, não é mais.

O Brasileiro de 2017 está mais aberto do que nunca. O Corinthians fracassou em Campinas. Não teve intensidade, vibração, pegada. Perdeu para a Ponte Preta por 1 a 0, gol de Lucca. Depende apenas do Palmeiras colocar fogo de vez. Basta vencer amanhã o Cruzeiro, na sua arena, e encostará no líder. Ficará a apenas três pontos. E no próximo domingo haverá o confronto, em Itaquera, Corinthians e Palmeiras. Algo inacreditável, por exemplo, há um mês.

O Brasileiro está nas mãos do Palmeiras. Bastam duas vitórias seguidas para desbancar o Corinthians do primeiro lugar. O Santos perdeu para o São Paulo, estagnou nos 53 pontos, seis distantes dos corintianos, demitiu Levir Culpi, e saiu da disputa.

O primeiro no Brasileiro não tem como esconder a sua decadência. Foi a quarta partida seguida dos corintianos sem vencer sequer um jogo. Pior, perdeu três destas quatro partidas.

Aranha, ex-goleiro do Palmeiras, fez excelentes defesas e garantiu a vitória da Ponte Preta. Ajudou seu ex-clube. O resultado foi ótimo para a Ponte Preta, que saiu da zona do rebaixamento.

A ironia é que o autor do gol, Lucca, pertence ao Corinthians. Está apenas emprestado ao time campineiro.

"Não falta vontade para o nosso time. Jogamos abaixo contra o Botafogo. Mas hoje criamos e o Aranha estava em uma tarde excepcional. Temos cobrança e fazemos muito para melhorar. Hoje o Aranha fez uma grande partida. Se a Ponte Preta não está pior, é por causa dele", dizia Cássio, tentando amenizar a crise que já domina o Corinthians. Para evitar que a tensão aumente, o time se reuniu depois da derrota de hoje, no gramado, e os jogadores combinaram evitar declarações polêmicas, que piorasse o ambiente.

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"Nós vamos mesmo 'nos fechar' e ganhar essa porra", garantia, irritado, Clayson, se referindo da maneira mais chula possível ao Campeonato Brasileiro.

Fabio Carille vive seu pior momento desde que assumiu como treinador do Corinthians. A cobrança interna já é forte. Acabou a lua de mel com diretoria, conselheiros e torcedores. A reclamação geral é a falta de intensidade, dedicação, gana do líder que quer ser campeão do Brasil.

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"Não falta alma, não. A gente criou, finalizou, acertamos o gol, mas infelizmente, não entrou. Campeonato é assim, já tivemos 14 pontos na frente, sequência de vitórias, agora o resultado não está acontecendo e está para o adversário.

"Meu ano está sendo maravilhoso ainda. Não posso reclamar nada do meu primeiro ano como profissional. Temos que continuar trabalhando e sei que os resultados têm que aparecer. Triste pelo momento, mas feliz pelo ano", disse Carille, tentando amenizar o clima ruim na sala de imprensa de Campinas, após mais essa derrota. E que deixa o Corinthians ao alcance do seu maior rival, o Palmeiras.

A partida em Campinas era fundamental para o Corinthians. Mas o time de Carille não passou essa importância nas divididas, na ousadia, na alma. Parecia que disputava apenas mais um jogo. Não era. Bastasse a vitória contra um time na zona do rebaixamento para manter abrir nove pontos de vantagem na liderança. Faltando sete rodadas. Mas, não. O Corinthians foi frio demais para uma decisão. E taticamente previsível. O que facilitou o trabalho do desesperado time de Eduardo Baptista.

O técnico do time campineiro espelhou o 4-1-4-1 de Carille. Mas sua equipe tinha muito mais determinação. Jogava com raiva. Da péssima campanha, da séria ameaça da Segunda Divisão e da própria torcida. A equipe foi recebida com palavrões e vaias ao chegar no estádio Moisés Lucarelli. Atletas foram ameaçados e até agredidos pelas organizadas.

Entre eles estava Lucca. O jogador que está emprestado até o final do ano pelo Corinthians. Justo ele, o artilheiro da temporada com 11 gols. A cobrança é violenta. Dirigentes e Eduardo Baptista foram também ameaçados de agressão se o time cair.

E o que se viu foi um Corinthians cauteloso, tentando jogar por uma bola. Principalmente no primeiro tempo, contra a Ponte obrigada a partir para o ataque. Mais uma vez, Rodriguinho e Jadson foram mal, não conseguiram encontrar o isolado e tenso Jô. Romero também só se preocupava em marcar. Fagner e Arana pareciam caricaturas de si mesmos. Tiveram outra vez péssimo desempenho. A maior chance corintiana nos primeiros 45 minutos foi um chute no travessão de Gabriel. No mais, só outro lance, que Pablo tirou a chance de Jô cabecear para o gol da Ponte Preta, se antecipando e jogando a bola longe.

Além de não atacar, o Corinthians estava inseguro, com suas linhas distantes. Faltava concentração, sobrava nervosismo. Medo de perder. O empate era um desejo à flor da pele.

A Ponte queria, precisava vencer. E forçava por seu lado mais forte. Danilo e Jeferson atormentavam a defesa corintiana. Dos dois saíam as principais jogadas ofensivas. Até que, aos 39 minutos, Jefferson foi até a linha de fundo e cruzou com capricho. Lucca entrou livre e cabeceou no contrapé de Cássio. Ponte Preta 1 a O.

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Lucca só encarou a torcida que o agrediu, balançou a cabeça e agradeceu aos céus. Não comemorou de maneira efuziva também por ainda pertencer ao Corinthians. Enquanto isso, Eduardo Baptista subiu os alambrados para celebrar com os torcedores campineiros.

No intervalo, Carille fez uma troca ousada. Tirou Gabriel e colocou Clayson, que deveria ter começado o jogo. Colocou Romero na ponta direita. E fez o Corinthians focar seus ataques pela esquerda, com o driblador atacante. E ainda adiantou seu time. Eduardo Baptista fez a Ponte recuar. O líder do Brasileiro conseguiu criar algumas chances, mas Aranha esteve muito bem. Evitou o empate com pelo menos três grandes defesas.

O Corinthians no segundo tempo mostrou mais nervosismo, tensão do que vontade.

Está sentindo a pressão.

Com a derrota, deixou o Brasileiro nas mãos do Palmeiras.

Os 14 pontos que um dia já teve na liderança podem virar três amanhã.

E sumirem, domingo.

Só depende do Palmeiras de Alberto Valentim.

A decadência corintiana fez o campeonato renascer.

Para tensão de Fábio Carille...
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