divulgacao42 O Corinthians contratou a peça que faltava para brigar pela Libertadores. Recontratou Douglas, o meia pensante e talentoso que havia saído pela estupidez dos dirigentes...
Em 2009 o Corinthians tinha o melhor time da América Latina.

Ganhou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil com sobras.

Ronaldo estava sensacional.

O time era moderno, compacto, vibrante, talentoso.

Se tivesse disputado a Libertadores naquele semestre poderia ter se livrado da sina de não conquistar o torneio.

Mas poderia ter disputado com o mesmo time a Libertadores do centenário, a de 2010.

Mas aí entra a filosofia do vice de futebol, o delegado Mário Gobbi.

"Futebol é business."

E o clube feriu de morte o time bem montado por Mano Menezes, no seu último bom trabalho como técnico.

Vendeu André Santos, Cristian e Douglas.

André era o único que queria sair.

Insistia que queria ganhar o dinheiro oferecido pelos turcos do Fenerbhace.

Sua postura foi clara, queria sair de qualquer jeito.

Faltou visão e competência à diretoria para convencê-lo.

Se ele ficasse para a Libertadores e o clube vencesse, ele sairia muito mais valorizado.

Mesmo os parceiros donos do fatiado jogador poderiam ser convencidos.

Só que os dirigentes não se deram ao trabalho.

Pior foi com Cristian.

O volante não deseja ir embora de maneira alguma.

Só que não teve opção.

A direção impôs a negociação goela abaixo do jogador.

Insistiu que ele conquistaria a sua independência financeira.

E que um dia voltaria.

Assim foi despachado também para o Fenerbhace.

Dougla era o cérebro da equipe.

Vivia a sua melhor fase.

Ronaldo adorava jogar ao seu lado.

Inteligente, sempre soube articular muito bem o ataque dos times em que atuou.

Nunca tinha atuado por uma equipe tão popular e com tanto sucesso.

Estava deslumbrado.

Acreditava que poderia não só ganhar a Libertadores.

Mas disputar a Copa de 2010.

Ronaldo era o maior defensor da sua candidatura à meia no time de Dunga.

Só que a filosofia de 'futebol é business' acabou com seu sonho.

Os dirigentes não pensaram duas vezes em vendê-lo aos Emirados Árabes.

Foi jogar no Al Wasl.

Conversei com ele por telefone.

"Não queria ter ido.

Falei com todos no Corinthians.

Mas não houve jeito.

Queriam me vender.

Quando é assim, o jogador não pode fazer nada.

Mas eu gostaria muito de voltar."

Isso em 2009...

Ou seja, há três anos ele acalentava o desejo do retorno.

A excelente atuação de Andres Sanchez e Mario 'futebol é business' Gobbi teve consequências...

A venda do trio resultou em R$ 32 milhões.

Bom valor.

Não fosse por um detalhe.

Ao Corinthians coube R$ 11 milhões.

E parcelados...

A diretoria desmanchou o melhor time que teve na última década por migalhas.

A equipe nunca mais venceu nada.

Foi um fracasso na Libertadores.

Ronaldo começou o seu processo de engorda na saída do trio.

"Perder três jogadores importantes de uma vez em um time azeitado é duro.

Não se repõe de uma hora para outra.

Sofremos com isso", confessou, na épóca, Mano Menezes.

O arrependimento foi generalizado no clube.

A transação dos três acabou sendo um enorme erro admitido depois por Andres.

Nos Emirados Árabes, Douglas teve a proposta do Palmeiras para voltar ao Brasil.

Foi o primeiro time a se interessar por ele.

Só que o meia não quis confusão na sua vida e preferiu esperar outra proposta.

Ela não demorou.

O Grêmio o foi buscar.

E mesmo no competitivo e duro futebol gaúcho, ele conseguiu impor a sua técnica no meio de campo.

Chegou à Seleção nas mãos de Mano Menezes.

Mas foi displicente num jogo em que não poderia: contra a Argentina de verdade, com Messi e tudo.

Falhou no lance do gol da derrota do Brasil.

Vingativo e esperto para repassar responsabilidade em derrotas, Mano nunca mais o chamou.

E Douglas se desmotivou no Grêmio.

Embora muito talentoso, ele é o típico jogador que precisa estar sempre sendo estimulado.

A falta de rumo do clube gaúcho, como contratações feita à base do coração, como Renato Portaluppi o desestimulou de vez.

Enquanto isso, o Corinthians buscava um meia pensante de qualquer maneira para a Libertadores de 2012.

Desde setembro de 2011, o clube articulava buscar Montillo.

Quando o Cruzeiro perdia qualquer chance de conseguir vaga para a Libertadores, o caminho ficou aberto.

Irmãos de filosofia, de estilo de vida, Andres e Zezé Perrella tinham combinado o negócio.

Só que o novo presidente eleito, Gilvan Tavares não quis.

Acreditou que compraria briga com os torcedores logo de cara.

E mesmo com o meia implorando a sua saída, resolveu segurá-lo.

Apesar de não ter dinheiro sequer para pagar os salários em dia.

A direção corintiana esperou o quanto pôde.

Insistiu, aumentou proposta.

Incluiu jogador na transação.

Mas Gilvan foi categórico.

Não quis vender por menos de 15 milhões de euros.

Mais de R$ 33 milhões.

Não houve jeito.

Tite ficou desesperado.

Sabia que precisava de um meia que pensasse o jogo.

Alex flutua, corre de um lado do outro da intermediária, chuta forte, mas não tem esse dom.

Danilo é muito técnico, lúcido, mas sua condição física, sua letargia o impede de assumir a função.

Se o Cruzeiro não aceitava os R$ 22,5 milhões que o clube paulista chegou a oferecer...

Uma solução surgiu no horizonte.

Douglas queria sair do Grêmio.

Voltar para São Paulo.

Outra vez, para variar, recusou proposta do Palmeiras.

Pelo mesmo motivo, não queria enfrentar as organizadas do clube.

E esperava por uma transação.

O São Paulo teve a chance.

Mas Juvenal Juvêncio e Leão queriam um atleta mais vibrante.

E fecharam com Jadson.

Foi quando os sinais chegaram ao Corinthians.

E três anos depois, o clube se redime.

Por uma pechincha, R$ 3 milhões, recontrata o jogador que não deveria ter vendido.

Tudo mudou, o time é outro.

Mas Douglas pode ser muito importante na caminhada da Libertadores.

É o jogador que faltava na engrenagem.

Precisava desesperadamente de um meia pensante, talentoso, articulador.

Alguém para ditar o ritmo do jogo.

Um maestro.

Desde que Tite saiba estimulá-lo, foi uma excelente contratação.

A volta de quem nunca deveria ter ido.

O clube comprou a peça certa no melhor momento.

Agora pode brigar para valer pela sonhada Libertadores...

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