1reproducao23 O constrangedor fim de uma época. João Havelange teve o mundo aos seus pés. Revolucionou o futebol no mundo. Agora, aos 96 anos, envolvido em escândalos, é obrigado a renunciar à presidência de honra da Fifa. Ricardo Teixeira foi sua desgraça...
O comando do esporte mundial é cruel.

Quando há provas cabais sobre uma denúncia.

O acusado tem duas opções.

A primeira é sofrer as sanções.

Ser expulso, humilhado, excomungado.

Ou renunciar.

Os mandatários da Fifa e do COI sabem que esta é a pior pena.

Ninguém abdica de cargos importantíssimos à toa.

É assumir a culpa perante o mundo.

Sem a punição.

A humilhação é igual.

O caso ISL acabou com a carreira esportiva de vários dirigentes.

Ricardo Teixeira abandonou a CBF para não ser destituído pela Fifa.

Depois de 23 longos anos.

O paraguaio Nicolas Leoz também se viu obrigado a renunciar à Conmebol.

E também ao Comitê Organizador Local da Copa do Brasil.

Sim, ele também organizava o 'nosso' mundial.

Leoz ficou 27 anos no poder.

Seu cargo era vitalício.

Só deveria perdê-lo se morresse.

Como os faraós do antigo Egito.

Mas a ISL o matou politicamente.

Agora veio o golpe mais dolorido para o Brasil.

Não terá o impacto que deveria.

O personagem está na penumbra há anos e anos.

João Havelange teve de abdicar do cargo de presidente honorário da Fifa.

Desonra inimaginável em 1998.

Ele deixava a Fifa depois de organizar seis Copas do Mundo.

A comandou com mão de ferro, a enriqueceu.

A tirou do amadorismo.

Trouxe grandes impérios do capitalismo para viabilizar os Mundiais.

Coca-Cola, Gilette, Visa...

Foi com parceria da Adidas do seu amigo Horst Dassler que mudou o cenário do futebol.

Organizou mundiais para as categorias de base e para as mulheres.

Rompeu o isolamento esportivo da China.

Valorizou a África, o Oriente, as Américas.

A Europa deixou de ser única em relação ao futebol.

Aprendeu muito bem nos 18 anos que comandou a CBD, atual CBF.

Sob sua liderança, o Brasil foi tricampeão mundial:58, 62 e 70.

Descobriu como manipular os bastidores do futebol a seu favor.

Juntando com os 24 anos na Fifa, ficou incríveis 42 anos no poder.

Ganhou todas as honrarias, o reconhecimento mundial.

Desde 1963 se tornou membro do Comitê Olímpico Internacional.

E presidente honorário da Fifa desde 1998.

O COI o apontou como um dos três maiores "Dirigentes do Século XX".

2reproducao11 O constrangedor fim de uma época. João Havelange teve o mundo aos seus pés. Revolucionou o futebol no mundo. Agora, aos 96 anos, envolvido em escândalos, é obrigado a renunciar à presidência de honra da Fifa. Ricardo Teixeira foi sua desgraça...

Estava ao lado do barão Pierre de Coubertin, idealizador das Olimpíadas na Era Moderna.

E o ex-presidente do COI, Juan Antonio Samaranch.

Havelange era recebido como um estadista pelo mundo todo.

Presidentes, reis, primeiros ministros faziam fila para tê-lo em jantares.

No Brasil, fez questão de colocar o desconhecido Ricardo Teixeira na CBF.

Foi uma demonstração do seu poder em 1989.

Presidentes de federações brincavam na época.

Diziam que se Havelange quisesse, faria o seu motorista o presidente da CBF.

Preferiu fazer o genro.

Ainda era motivo de homenagens em todo lugar.

Parecia que seria assim até o final da vida.

Tudo estava sob controle.

Até que veio a última eleição da Fifa, em 2011.

Ricardo Teixeira estava frustrado.

Ele entendeu que nunca seguiria o caminho do ex-sogro.

Não comandaria o futebol mundial.

Não tinha a mesma estatura política, não soube fazer aliados.

A CBF seria o seu reino, sua diversão enquanto quisesse.

E só.

Mas veio a eleição que deveria ser apenas a confirmação de Blatter no cargo.

Porém apareceu Mohamed bin Hammam, presidente da Confederação Asiática de Futebol.

Ele fez uma campanha milionária.

Era o articulador da campanha da Copa de 2022 no Catar.

Teixeira se aproximou de Mohamed e caiu em desgraça com Blatter.

Arrastou junto João Havelange.

6reproducao O constrangedor fim de uma época. João Havelange teve o mundo aos seus pés. Revolucionou o futebol no mundo. Agora, aos 96 anos, envolvido em escândalos, é obrigado a renunciar à presidência de honra da Fifa. Ricardo Teixeira foi sua desgraça...

Bin Hammam teve de retirar sua candidatura, acusado de subornar eleitores.

Foi banido da Fifa.

Logo após a reeleição de Blatter, veio à tona de forma definitiva o escândalo ISL.

Não por coincidência.

Foi uma nada discreta vingança a que se virou contra ele.

A empresa de marketing esportivo International Sports and Leisure firmou contrato com a Fifa nos anos de 1990.

A FIFA lhe cedeu a exclusividade nos direitos de comercialização da Copa do Mundo.

E também participação na negociação de direitos de transmissão para a televisão.

Mal administrada, a ISL faliu em 2001.

Só que antes do seu colapso financeiro de US$ 300 milhões, veio o escândalo.

A empresa teria feito pagamentos de milhões de dólares a dirigentes esportivos.

Seriam recompensas pelo tráfico de influência.

A BBC conseguiu documentos do Tribunal Federal da Suíça.

Incriminavam Havelange e Teixeira.

Eles teriam até devolvido dinheiro que receberam.

O dinheiro recebido pela dupla chegaria a R$ 45 milhões.

O processo foi encerrado na Suíça com o dinheiro devolvido.

Mas não na entidade comandada por Blatter.

A Fifa criou em 2012 um comitê de ética.

E anunciou a abertura de uma investigação interna sobre o caso.

Nomeou o americano Michael J. Garcia como chefe da apuração.

A investigação chegou aos nomes de Leoz, Teixeira e Havelange.

Teixeira renunciou ao comando da Copa do Brasil, à CBF.

Leoz abriu mão da Conmebol.

E há 12 dias, Havelange deixou o cargo de presidente honorário da Fifa.

A entidade afirma que não pode punir quem já não está mais no cargo.

Blatter conseguiu o que queria.

Vingou-se a quem o traiu na última eleição.

O mais poderoso dirigente do Brasil caiu.

Perdeu a honraria mais significativa.

Só quem acompanhou a transformação da Fifa sabe o que Havelange significou.

Modernizou a Fifa, se aliou a grandes conglomerados.

Troca de favores, ligação com ditadores, tráfico de influência.

Tudo de bom e de ruim aconteceu sob seu comando.

Mas ninguém pode negar que revolucionou o futebol.

A renúncia ao cargo de presidente de honra da Fifa é a mais dolorida.

Aos 96 anos ele não esperava passar por essa humilhação.

Ele parecia e acreditava estar acima do bem e do mal.

Mas o mundo girou.

Seu secretário-geral que fez seu sucessor foi mais esperto do que ele.

Não quis reservar seu lugar para o genro Ricardo.

O suíço esqueceu-se das promessas feitas em 1998.

Tomou gosto pelo poder.

E, como aprendeu com seu mentor, a não ter piedade dos inimigos.

Por isso Jean-Marie Faustin Goedefroid Havelange sai de cena.

Da pior maneira possível.

Abandonando o cargo que acreditava ser seu até morrer.

Aquele que mais o orgulhava.

O de presidente honorário da Fifa.

Abriu mão para não ser expulso pelo Comitê de Ética.

Triste fim para quem teve o mundo aos seus pés.

Ricardo Teixeira foi sua desgraça...
3reproducao1 O constrangedor fim de uma época. João Havelange teve o mundo aos seus pés. Revolucionou o futebol no mundo. Agora, aos 96 anos, envolvido em escândalos, é obrigado a renunciar à presidência de honra da Fifa. Ricardo Teixeira foi sua desgraça...

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