15 O Brasil se impôs diante da Bolívia. E até da altitude. Só não superou o possuído Lampe
O Brasil enfrentou com muita inteligência seu pior adversário das Eliminatórias. Tite fez seu time encarar, sem medo, Bolívia e seus 3.640 metros de altitude. Segue uma desumanidade a Fifa permitir jogos das Eliminatórias em La Paz. Não foi por acaso que os bolivianos, no alto da montanha, venceram os brasileiros três vezes na história dos jogos classificatórios para os mundiais.

Com os jogadores do Brasil precisando tomar oxigênio no intervalo, a Seleção fez de Carlo Lampe o grande nome da partida. O goleiro da Bolívia esteve sensacional. Salvou pelo menos cinco gols. Evitou gols de Neymar, duas vezes, Paulinho, Gabriel Jesus e Willian. Paulinho chegou a acertar a trave.

A Seleção tomou um susto. Bejarano acertou o travessão de Alisson. No mais, Tite conseguiu controlar o incômodo rival. Não correu riscos em um animado 0 a 0. E a normalidade se impôs. O Brasil já classificado como primeiro nas Eliminatórias da América do Sul. Os bolivianos eliminados. Para chegar à Rússia, teriam de disputar todas as 18 partidas em La Paz. E como isso é impossível.

A Seleção encerra sua participação tranquila nas Eliminatórias, desde a chegada de Tite, com o jogo de terça-feira, na arena do Palmeiras. Contra o Chile.

O detalhe que não pode ser esquecido. Marcelo fez muita falta. Ele é um jogador fundamental para a Seleção Brasileira. Sem ele, Neymar tem mais espaço. Mas se ressente das triangulações. Fica mais previsível. Alex Sandro, mesmo com os insistentes pedidos de Tite para atacar, preferiu ficar atrás. Não se comprometeu. Tirou força ofensiva brasileira pela esquerda.

O jogador que destoou foi Philippe Coutinho. Afobado, tenso, visivelmente estava fora de ritmo. A altitude prejudicou demais a sua atuação. O que é muito comum para jogadores que são obrigados a atuarem em La Paz. A Fifa segue tão corrupta, populista e incompetente como nos tempos de Blatter. Segue uma insanidade partidas no ar rarefeito de La Paz.

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Foi a segunda vez nos 14 jogos de Tite como técnico da Seleção, que o Brasil não marca. A primeira foi na derrota, no amistoso na Austrália, derrota por 1 a 0 para a Argentina.

"Primeiro mérito ao Lampe. Sejamos justos. Teve um momento no segundo tempo que virei para a arquibancada e aplaudi. Tem de aplaudir, mesmo eu estando muito bravo, querendo que fossem efetivas nossas chances. Jogar aqui não é fácil. Não é à toa que aqui perdem muito pouco.

"Estrategicamente fiquei muito feliz, porque criamos oportunidades. Teve muitos jogos que produzimos muito menos e fomos menos efetivos. Mas volto a destacar essa grande atuação", dizia, satisfeito, Tite.

"O desempenho surpreendeu. Eu estive aqui duas vezes com o Grêmio, já sabia das dificuldades. E a performance sempre foi abaixo, para encontrar estratégia que encontrasse melhores condições. A gente sabe o quanto gera de dificuldade, o aspecto técnico, a bola foge mais, a bola viajada. Uma situação dupla. Acho que o que sintetiza é a frase: tem dia que a bola não entra", dizia Tite.

Ele tinha mesmo razão para estar feliz com o 0 a 0. O Brasil conseguiu oito chances reais de gols. Cinco foram impedidas por Lampe. O goleiro parecia possuído. Fez defesa incríveis, que fogem da sua normalidade. Tite foi muito inteligente.

Ele sabia que os bolivianos esperavam o Brasil mais recuado, tentando tornar o jogo lento. O técnico fez seus jogadores se sacrificarem. Marcarem á frente. E ficarem trocando passes, se deslocando com velocidade. Principalmente Neymar e Gabriel Jesus.

A postura corajosa surpreendeu a Bolívia E esteve melhor durante todo o jogo. E isso sem explorar as laterais, como está acostumado. Daniel Alves se mostrava afobado. E sem conseguir lidar bem com o ar rarefeito. Acertou sim, um grande chute, mas errou diversos passes, cruzamentos, lançamentos. De Alex Sandro não se pode cobrar nada disso, já que ele ficou preso marcado.

Thiago Silva não pode ser testado porque sentiu um estiramento na coxa direita e Tite fez voltar a zaga titular, com Marquinhos e Miranda. Philippe Coutinho deveria ter saído logo nos primeiros minutos do jogo. Estava ausente, sem conseguir render fisicamente. A altitude o venceu.

Com uma zaga lenta e ruim e o sistema de marcação boliviano falho, Neymar fez o que quis. Até chegar em Lampe. O goleiro foi excelente. Ele não evitou que sua seleção perdesse o jogo. Mas fosse goleada.

Mas ter um grande goleiro e a altitude foram armas fracas demais. Os bolivianos são vice lanternas das Eliminatórias. E vão acompanhar a Copa da Rússia pela televisão.

Já Tite não tem do que reclamar. A Seleção foi muito bem. Mereceria ter goleado. Se este time tiver tempo para treinar de maneira decente para a Copa, pode fazer muito sucesso. E Tite sabe disso...

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