1ae49 O Brasil pode até perder da Espanha. Mas o grande vencedor da Copa das Confederações é Felipão. De ultrapassado, desacreditado, rebaixado pelo Palmeiras a fundamental para a Seleção Brasileira...
Rio de Janeiro...

De repente, todos os clientes do restaurante Iemanjá ficam de pé.

Largam suas muquecas e bobós e começam a aplaudir.

O motivo é a entrada de Luiz Felipe Scolari.

Seu time havia acabado de golear a Itália por 4 a 2.

Sem graça, ele pede para que parem de aplaudir e comam.

Foi assim em Salvador, como em Fortaleza, Belo Horizonte, Brasília.

A ressurreição de Felipão é impressionante.

O treinador saiu do pior momento de sua carreira.

Foi demitido do Palmeiras no ano passado.

Seu pecado: encaminhar o time à Segunda Divisão.

A equipe mostrava todos os defeitos possíveis.

Defesa, meio de campo e ataque eram três setores separados.

O time não defendia ou atacava em bloco.

Tinha falhas infantis nas coberturas dos laterais.

A movimentação não era coordenada.

Cada um fazia o que queria em campo.

Time lento, inseguro.

Psicologicamente a um passo da terapia.

Cada gol que tomava, entrava em pânico.

Pior de tudo: não adiantava Felipão se esgoelar em campo.

O treinador cometeu um erro imperdoável de avaliação.

Apostou tudo na Copa do Brasil.

Fez seu fraco elenco abrir mão das primeiras rodadas do Brasileiro.

Pontos foram jogados na lata do lixo.

O discurso era tão repetitivo quanto improdutivo.

A ponto de Arnaldo Tirone, um dos piores presidentes do Palmeiras, o demitir.

Felipão foi rotulado de ultrapassado por muitos setores da imprensa.

Aguentou calado.

Foi fiel aos dirigentes.

Sabia ter sido traído por Beluzzo, que nunca contratou a 'seleção' que prometeu.

Assim como o fraco Tirone.

Se viu engolido por brigas políticas palmeirenses.

2ae11 O Brasil pode até perder da Espanha. Mas o grande vencedor da Copa das Confederações é Felipão. De ultrapassado, desacreditado, rebaixado pelo Palmeiras a fundamental para a Seleção Brasileira...

Seu salário era divulgado pela situação e pela oposição.

O intuito de uma ala era valorizá-lo.

O da outra enfraquecê-lo.

Aos 63 anos, seus planos pareciam ter implodido.

Ele havia prometido a si mesmo em 2010, que trabalharia em 2014.

Dirigiria um selecionado.

Não se contentaria apenas em comentar a Copa do Mundo no Brasil.

Nunca assumiu publicamente, mas era claro que sabia.

Seu título mundial de 2002 ainda refletia.

Era uma sombra aos outros treinadores.

Foi o último a conquistar o mais desejado campeonato.

Sem o Palmeiras, ele iria refletir no que fazer.

Foi quando o destino conspirou a favor do treinador.

Mano Menezes fazia um péssimo trabalho à frente da Seleção.

Confuso, inseguro, convocando mais jogadores do que uma lista telefônica.

Chegou a 106 atletas, 12 goleiros.

Mano tinha o respaldo de Andrés Sanchez, que tinha o respaldo de Ricardo Teixeira.

Com a queda do presidente da CBF, Sanchez perdeu toda a força.

José Maria Marin o esvaziou.

Queria o comando do futebol brasileiro para ele e Marco Polo del Nero.

Logo mostrou o papel de fantoche de Andrés.

Demitiu Mano Menezes com requintes de crueldade.

O técnico perdeu a medalha de ouro da Olimpíada para o México.

Mas não o mandou embora logo de cara.

Esperou o Brasil vencer a inutilidade chamada Superclássico das Américas.

Os confrontos entre os times B do país contra a a Argentina.

Mano foi demitido sem dó.

Marin sabia quem contrataria.

Ele seria o escudo perfeito.

E já estava sendo convencido a voltar à Seleção por Aldo Rebelo.

O ministro dos Esportes cruzava o Brasil com Felipão.

Faziam trabalho de divulgação da Copa.

Rebelo era firme, insistente, o queria no comando do Brasil.

Felipão foi ético.

Disse que não assumiria cargo algum.

Mano era o técnico brasileiro.

Marin ficou empolgado com os relatos de Aldo Rebelo.

Aconselhado por Marco Polo, ele já queria Scolari.

Despachou Mano Menezes.

E iria anunciar Felipão em janeiro.

Mas teve de antecipar a nomeação.

Tite havia acabado de ganhar a Libertadores.

E iria disputar o Mundial de Clubes.

Se o Corinthians vencesse, seria um nome fortíssimo.

Raposa velha, Marin percebeu que tudo deveria ser antecipado.

Ele não queria outro "homem de Andrés" comandando a Seleção.

Por isso veio o convite a Felipão.

E o Brasil fez história.

Nunca um país teve um treinador de time rebaixado assumiu uma seleção de elite.

Só aqui.

Felipão entendeu a mensagem patriótica que Marin queria dar à Seleção.

E acertou em cheio em chamar Parreira como seu coordenador.

 O Brasil pode até perder da Espanha. Mas o grande vencedor da Copa das Confederações é Felipão. De ultrapassado, desacreditado, rebaixado pelo Palmeiras a fundamental para a Seleção Brasileira...

Revigorou o raciocínio, desenvolveu novas ideias.

Descobriu outros jogadores.

O treinador misturou seu carisma, sua liderança com estratégia moderna.

Os dois passaram a viajar pela Europa.

Escolhendo jogadores para a Seleção.

E fazendo o que os técnicos daqui tanto precisam: se reciclando.

Taticamente, o Brasil é uma equipe completamente diferente da do Palmeiras de 2012.

Parece que décadas separam os dois times.

Felipão descobriu o significado de compactação.

Todos seus jogadores passaram a marcar atrás da linha da bola.

A Seleção ataca e defende em bloco.

Os setores se fundem, defesa, meio e ataque.

Alterna pressão total na saída de bola do adversário.

Com momentos de toque de bola no ataque.

Nesta Copa das Confederações um dado importante.

Nenhum adversário teve mais posse do que o Brasil.

A equipe também não cai na dependência fácil de Neymar.

Felipão montou um interessante 4-2-3-1.

Como os mais modernos times europeus.

Hulk, Oscar e Neymar flutuam.

Com Fred como referência.

Daniel Alves fica mais contido.

E Marcelo vira ponta esquerda quando o Brasil tem a bola.

Paulinho consegue unir saída de bola com talento e presença na área.

É o grande jogador tático da Seleção.

Neymar está mais leve, mais feliz.

Nunca esteve tão à vontade na Seleção.

Felipão também conseguiu a união do time.

Todos entram em campo sabendo que precisam justificar a camisa amarela.

O treinador fez a sua tradicional lavagem cerebral.

Os atletas só pensam na Nação, em calar a boca de quem desrespeitava a Seleção.

Esse clima bélico faz bem, alimenta os times de Felipão.

O trabalho do treinador é ótimo.

Chegou à final da Copa das Confederações com quatro vitórias.

Havia acabado com o complexo de vira-latas.

Desde 2009, a Seleção não ganhava de um campeão mundial.

Ganhou logo da França, Itália e Uruguai.

Faz o Brasil chegar muito forte à decisão de amanhã contra os espanhóis.

Seu trabalho é tão bom, que já conseguiu cativar a torcida.

E principalmente a cúpula da CBF.

"Se o Brasil perder para a Espanha, tudo bem.

O que nós queremos é a Copa do Mundo.

E a preparação está excelente.

O Felipão fica comigo até meu último dia de mandato."

A promessa é de Marin.

Depois dele, em maio de 2014, Marco Polo deverá sucedê-lo.

E já mandou avisar que pretende ficar com Felipão.

Quer o técnico na próxima Copa e além.

O deseja planejando tudo para o Mundial de 2018 na Rússia.

A reviravolta é espetacular.

Felipão está revigorado.

No Palmeiras parecia ter 80 anos.

Agora, tem a alegria e energia de um homem de 40 anos.

Sabe que os espanhóis são favoritos amanhã.

Bicampeões europeus e campeões do mundo.

Têm um entrosamento fantástico desde as categorias de base.

Mesmo assim, fará de tudo para o Brasil vencer.

Tentará repetir os italianos e ter o domínio do jogo.

Marcar na saída de bola, forte.

Travar o tic-tac, a troca de passes.

Mesmo se der tudo errado e a Espanha sair campeã, não há problema.

Luiz Felipe Scolari é o grande vencedor desta Copa das Confederações.

Ninguém pode tirar esse rótulo.

Do descrédito no Palmeiras à nova consagração na Seleção.

Em pouco mais de seis meses.

É outro homem.

Inacreditável...
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