1reproducao9 O árbitro venezuelano deve considerar normal pessoas chamarem negros de macacos. Por isso não relatou na súmula o racismo contra Tinga no Peru. Detalhe: o juiz é negro. A América do Sul é atrasada, preconceituosa e hipócrita. Somos todos macacos...
A CBF foi dura, firme, rígida com o racismo.

José Maria Marin mostrou toda sua indignação.

Mandou desenhar um escudo branco e preto.

O Ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, foi além.

Mando avisou a imprensa que ligou para a Conmebol.

A presidente Dilma Rousseff tuitou.

O presidente do Peru, Ollanta Humala, retuitou.

O presidente Blatter reclamou com jornalistas.

A diretoria do Cruzeiro protestou oficialmente.

O dirigente maior da Conmebol disse que vai analisar as imagens.

E convocará seu tribunal disciplinar.

O uruguaio Eugenio Figueredo teve de ser avisado por jornalistas.

Na manhã de ontem ele não tinha a menor ideia do que havia acontecido.

Não se deu ao trabalho de acompanhar a rodada da Libertadores na quarta.

E a vergonha das vergonhas vem agora.

O juiz venezuelano José Argote mostrou a sua fraqueza.

A absurda conivência ao preconceito, à estupidez humana.

Revelou de vez o quanto é covarde.

Não teve coragem de relatar os insultos raciais a Tinga.

Fingiu ser surdo.

E não ouvir centenas de peruanos imitando macaco assim que o jogador pegava na bola.

O árbitro já deveria ter parado o jogo.

Não permitido que aquela agressão continuasse.

Mas teve medo.

É revoltante.

Tudo fica ainda mais constrangedor porque Argote é tão negro quanto Tinga.

A América do Sul assume ao mundo o quanto é atrasada.

Um ser humano por causa da cor de sua pele foi comparado a um macaco.

E todos se mostram sem atitude.

José Maria Marin se contentar com um desenho é inaceitável.

Postura lamentável do presidente da CBF.

Fica claro que ele quer o poder pelo poder.

Não para agir, defender não o futebol deste país.

Mas a honra dos jogadores nascidos aqui.

A história de Tinga é marcante, de superação.

Paulo César Fonseca do Nascimento é filho de uma faxineira.

Sua mãe teve quatro filhos.

Morava em uma comunidade de casebres, quase uma favela em Porto Alegre.

O apelido do jogador vem do nome deste local sem infraestrutura: Restinga.

Virou Tinga.

Nasceu no Grêmio, passou pelo Inter e depois chegou ao Cruzeiro.

Atuou no futebol japonês, português e no alemão.

No Borussia Dortmund.

No berço do nazismo, da intolerância não ouviu uma ofensa.

Sua pele negra foi respeitada.

1gazetapress7 O árbitro venezuelano deve considerar normal pessoas chamarem negros de macacos. Por isso não relatou na súmula o racismo contra Tinga no Peru. Detalhe: o juiz é negro. A América do Sul é atrasada, preconceituosa e hipócrita. Somos todos macacos...

Ao contrário do que aconteceu por aqui, na América do Sul.

E não foi só apenas na Venezuela.

Quando jogava no Inter em 2005, contra o Juventude.

Em Caxias ouviu torcedores rivais o chamarem de macaco.

Não houve grande escândalo na época porque era disputado o Campeonato Gaúcho.

Agora, não.

As ofensas da torcida do Real Garcilaso ganharam repercussão pela Libertadores.

Inclusive dentro de casa.

Tinga revelou que seu filho chorou muito ao perceber a situação.

E não quis ontem à escola por vergonha dos seus colegas de classe.

O jogador de 36 anos foi calmo, comedido ao falar sobre o que sofreu.

Disse que o problema não é racial.

"É social. As pessoas não têm educação nas suas casas.

Não ensinam seus filhos a viver em sociedade.

O problema está no convívio com a família, com os amigos.

Estou triste, mas entendo o que aconteceu..."

A covardia de José Argote complica a situação.

A Conmebol terá de punir o Real Garcilaso por tudo que observou na tevê.

Para o amedrontado árbitro, seu maior representante, nada aconteceu.

É de se imaginar que ele considere normal um negro ser chamado de 'macaco'.

Talvez seja tratado assim no trabalho, na família.

Seus amigos o cumprimente urrando, imitando símios.

Talvez essa seja a rotina que Jose Argote quer que todos imaginem viver.

Mas o que fez ao fingir não perceber as ofensas a Tinga foi terrível.

Uma agressão até maior ao jogador brasileiro.

Que espécie de pessoa é esse árbitro venezuelano?

Talvez alguém que para continuar apitando preferiu se omitir.

Simbólico demais.

2reproducao6 O árbitro venezuelano deve considerar normal pessoas chamarem negros de macacos. Por isso não relatou na súmula o racismo contra Tinga no Peru. Detalhe: o juiz é negro. A América do Sul é atrasada, preconceituosa e hipócrita. Somos todos macacos...

Um árbitro negro não relatando a torcida chamar de macaco um jogador negro.

Por isso a América do Sul tem soldados protegendo atleta que vai bater escanteio.

Que tolera sinalizadores assassinos nas arquibancadas.

Permitam torcidas organizadas espantarem as pessoas comuns do futebol.

Aqui há uma celebração do atraso.

A Conmebol poderia até excluir o Real Garcilaso da competição.

As regras da Libertadores permitiriam e até sugeririam em caso de racismo.

Mas seria comprar uma briga com o futebol peruano.

Dirigentes sul-americanos vivem de conchavos.

Ninguém deseja brigar com um país.

A tendência é a Conmebol é obrigar o Garcilaso a jogar de portões fechados.

Algumas partidas apenas.

Além disso, fazer o que gosta, multar.

Tudo baseado nas suas observações.

Porque a súmula do árbitro venezuelano está limpa.

Nada aconteceu demais na quarta-feira.

Tinga foi humilhado, seu filho está traumatizado à toa.

José Argote é negro e deve saber.

Ser chamado de macaco para ele não é nada demais.

Por isso não relatou o que aconteceu no Peru.

Como é que esperavam isso dele?

Essa é a verdadeira face do futebol...

Da sociedade sul-americana.

Preconceituosa, atrasada e absolutamente hipócrita.

Talvez Argote esteja certo.

O melhor é aproveitar essa sexta-feira.

E se divertir.

Que tal relaxar com a Dança do Kong?

A música é ideal.

Negro, branco, índio, amarelo...

Somos todos macacos do lado Sul da Linha do Equador...

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