123 Neymar usa a proteção da Seleção e chora. Mas precisa entender: não é mais um menino mimado
"Sobre meus últimos tempos em Paris: nos números, os dias estão perfeitos. Estou bem, feliz, estou bem motivado para vencer, para ser um jogador que dê tudo dentro de campo. É um fato que vem me incomodando muito, estão inventando um monte de histórias que não são verdadeiras. Não tenho problema com Cavani e nem com treinador. Pelo contrário. Vim com aval dele para o PSG. Tivemos uma reunião e ele disse que ia me ajudar, ia me ajudar a alcançar os objetivos do clube e do grupo. Querem que parem por aqui com essa história de que tenho problemas. Porque é pelo contrário.

Quero ser feliz, não quero incomodar ninguém, não vim aqui para arrumar confusão. Vim para ajudar, somar e sei da minha importância, do meu papel. Faço as coisas que o treinador manda. Essas notícias estão me incomodando. Conversei com Tite e Edu, que é uma coisa que vem me ferindo aos aos poucos. São coisas de invenções, sobre quem não está dentro do PSG, que não está dentro do dia a dia, falando besteiras e inventando coisas. E isso incomoda. Peço para que sejam corretos”

"Não estou aqui bravo ou puto da vida. Eu vim aqui porque quero. Não gosto de invenções, de histórias. O incômodo é, sim, com parte da imprensa. Não é geral. Mas é das pessoas que pensam que sabem de tudo e não sabem. Por isso vim dar opinião. Não adianta inventar historinhas e eu não falar nada, porque aí pensam que é verdade. Claro que me incomodei, mas não tenho problema nenhum no país. Estou feliz, estou disposto a ajudar a minha equipe, vencer. E é isso que vim fazer no PSG. Vencer, ganhar títulos e jogos. Assim como na seleção. Eu vivo de gol, vitórias e títulos. Gosto de vencer e ganhar independentemente de onde eu esteja. Sou feliz sempre. Saí do Barcelona feliz e estou feliz aqui.

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"Claro, as pessoas inventam histórias... Eu sou um ser humano como qualquer um de vocês, acordo de mau humor. Tem dia que acordo feliz, dia que não, choro, dou risada, fico bravo, erro bastante, mas estou aqui para aprender todos os dias. O que eu peço para vocês é que... vou pedir primeiro desculpas pelos meus erros, porque quando você é um jogador de futebol, ainda mais sendo ídolo, espelho para muita gente, você tem que ser perfeito, e muitas das vezes eu não sou. Aí é onde vem as críticas, as “maldades”, entre aspas. Sou um cara de 25 anos que vem aprendendo muito no futebol, já errei muitas vezes, vou errar ainda. Mas sei do meu pensamento, sei do que tenho que mudar, do que eu tenho que melhorar. Não digo para todo mundo, digo para mim, que é o mais importante. Dizer que estou muito tranquilo, feliz na seleção, feliz no meu clube, feliz na minha nova casa e bem tranquilo para vencer todos os meus objetivos."

Neymar falou. E ao se levantar da sala de coletiva, Tite pediu que ficasse. O jogador estava visivelmente nervoso, trêmulo. E começou a chorar. Chegou a encostar sua cabeça no ombro de Tite. Buscou aconchego. O treinador da Seleção Brasileira pediu a palavra.

"Estou há um ano e meio junto com ele. Nos enfrentamos fortes e sempre fomos muito leais. As pessoas falavam que o Tite e o Neymar tinham problemas. Eu cansei de ouvir isso. A gente veio trabalhar junto e posso falar com os meus 56 anos da capacidade e caráter que ele tem. E se tiver problemas, ele tem a grandeza de direcionar isso no vestiário. E ouvir da grandeza dele de ser ser humano. Tem visibilidade grande, mas não é perfeito. E ai ficamos bravos por causa das faltas. E aí reagimos de forma errada. Existe uma série de aspectos para não tomar cuidado para generalizar. E principalmente do caráter e da índole e do grande coração que o Neymar tem."

 Neymar usa a proteção da Seleção e chora. Mas precisa entender: não é mais um menino mimado

Neymar se levantou e foi embora, chorando. Tite seguiu na entrevista. Foi questionado sobre a postura do seu camisa 10, de reagir às provocações, trocar empurrões, tapas com marcadores.

"É um fato que ele tem sofrido muitas faltas. Ele mal sofreu uma falta, na sequência ele sofreu outra. Deliberadamente se faz falta para que trave ele e pare o jogo. Dá para ver que é para desestabilizar. Erro ele tem de reagir a isso. Deixa na conta do árbitro. Está todo mundo vendo. Quando falamos em jogadores como ele, o Coutinho, o Gabriel, são jogadores que são muito velozes, fazem muitas faltas nele. Hoje o Gabriel sofreu uma sequência de faltas com 20 minutos e veio reclamar. Falei para ficar quieto e jogar.

"Ele (Neymar), por outro lado, está errado porque não deve reagir. O árbitro corretamente deu o cartão. Ainda mais com o recurso da tecnologia, melhor ainda. Vai premiar o justo, então faz a coisa certa. Faz o certo."

Hora de destrinchar tudo o que acabou de ocorrer na França, após o Brasil vencer o Japão por 3 a 1. Primeiro de tudo, Neymar estava na coletiva porque quis. Ele é o único jogador da Seleção Brasileira que só fala quando quer. Não adianta os jornalista implorarem para ele falar após os jogos. É um dos privilégios que tem no Brasil e no PSG, onde joga.

O descontrole do melhor jogador do país não era com o cartão amarelo, com a troca de provocações com zagueiros japoneses. Mas pelas notícias que toda a imprensa francesa vem cravando desde que pisou no PSG. O que seria ótimo para os franceses. Teriam uma equipe de verdade com condições de vencer a Champions. A perseguição seria imbecil. Sabotar o melhor jogador do mundo a troco de nada?

Veículos respeitados no mundo como L'Equipe e Le Parisien garantem que Neymar age como um rei no PSG. Tomou as cobranças de pênaltis e faltas de Cavani. A desavença foi pública, durante os jogos, não houve invenção alguma. A extensão dos problemas, que deverá fazer o uruguaio ir embora do clube, é informação dos dois veículos.

E Cavani não deverá sair sozinho. O treinador espanhol Unai Emery já seria descartado para a próxima temporada. Seu pecado? Não tratar Neymar de forma especial. O L' Equipe garantiu com todas as letras que há um 'abismo' entre eles. E que mal se falam. Já o Le Parisien garante que a diretoria deu um ultimato a Unai. Ou ele leva o time, pelo menos, até a semifinal da Champions ou será demitido. E o italiano Antonio Conte, técnico do Chelsea, já estaria engatilhado. Ele contaria com a simpatia da estrela brasileira.

Essas são as 'historinhas', as 'maldades' a que Neymar se referiu. Ele usou a imprensa nacional para atingir a francesa. Falar dos seus problemas no clube e não na Seleção, na entrevista coletiva. Seu desequilíbrio está na aversão que criou na França. Lá está longe de ser o ídolo incontestável que sonhou ser. E isso é que dói.

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Tite não pode fazer nada.

A não ser dar seu depoimento que ele é um grande ser humano. Mas no ambiente em que os dois convivem. Na Seleção Brasileira. O técnico não pode falar, garantir o que acontece nos bastidores do PSG. O máximo que pode fazer é pedir que não prenda a bola, não seja egoísta, não revide as faltas que sofre com a camisa amarela.

E só.

O que assistimos foi Neymar mandar um recado aos franceses.

Não aos brasileiros.

É um problema dele com a sua postura no PSG.

Tudo precisa estar muito claro.

E não misturado no mesmo caldeirão.

A imprensa brasileira só reproduz o que sai publicado em Paris.

A crise impede que repórteres brasileiros estejam no dia-a-dia do PSG.

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Neymar não é mais um menino mimado.

Tite dá o aconchego que pede, porque precisa do seu futebol na Seleção.

Lá pode protegê-lo, inclusive, das entrevistas.

Mas não tem voz alguma no PSG.

Cabe a Neymar se posicionar e enfrentar os problemas como homem.

Se estão inventando, mentindo sobre ele, que procure seus direitos.

Processe quem tem de processar.

E siga sua vida, como um dos melhores jogadores do mundo.

E que pare para pensar.

Se Messi e Cristiano Ronaldo são questionados nos clubes que defendem?

Apesar de todos os privilégios que recebem.

Passou da hora de Neymar parar de selfies.

De caretas, sorrisos irônicos.

Rolar no gramado a cada falta.

Simular pênaltis e provocar os adversários a cada falta que recebe.

Ou Messi e Cristiano Ronaldo não recebem pontapés a todo jogo?

Se o L'Equipe e o Le Parisien mentem, que os enfrente.

Em Paris, no PSG.

Não de longe, mandando recado, no aconchego da Seleção.

Não é justo misturar as coisas.

É sinal de imaturidade.

Passou da hora de crescer.

É pai, tem 25 anos.

Chega de pedir colo.

Convoque uma coletiva no PSG.

Encare os repórteres do L'Equipe e do Le Parisien.

Se assuma como um ídolo mundial de respeito.

Ninguém pode enxugar as lágrimas de Neymar.

Só ele mesmo...
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