gettyimage551 Neymar e Dorival Júnior. O abraço combinado mais triste do futebol brasileiro...
Como encarar o chefe que o demitiu injustamente?

E o pivô da abrupta saída?

Menos de dois meses da demissão?

Quando os sentimentos ainda se misturam: a raiva, a decepção, a sensação de traição...

No futebol isso se resolve com um abraço.

Pelo menos é o que está preparado para hoje em Minas Gerais.

Dorival Júnior já adiantou para as redes de tevê que embalará Neymar nos braços.

E o jogador também já adiantou o seu script.

Vai pedir perdão a Dorival diante das câmeras.

Ter provocada a demissão do treinador campeão paulista e da Copa do Brasil foi o maior erro na carreira de Neymar.

Foi um marco.

Acabou com a simpatia que grande parte dos torcedores brasileiros nutria por ele.

Até Mano Menezes, sempre politicamente correto, resolveu lhe dar um castigo não convocando para enfrentar Irã e Ucrânia.

O garoto de 18 anos sentiu pela primeira vez na vida que o mundo não ficará batendo palmas para tudo o que fizer.

É bom destacar que Neymar não esteve sozinho no triste desfecho.

Pelo contrário.

A participação do dirigente que se apresentava como 'moderno' foi decepcionante.

Inclusive para seus parceiros de direção de clube.

Ele demitiu sumariamente Dorival quando ele quis manter Neymar afastado, tentar lhe ensinar respeito.

A repercusão foi imensa, inclusive na Europa.

Hoje, Neymar é apresentado como um grande talento, mas jogador rebelde.

Daqueles que xingam treinadores em campo por não ter atendida a vontade de bater um pênalti.

Os empresários explicaram com todas as letras para Luís Álvaro o significado da palavra desvalorização.

Hoje Neymar vale menos do que os R$ 82 milhões que os ingleses estavam dispostos a pagar.

E Luís Álvaro tem sua participação na desvalorização.

Se não demitisse Dorival, a situação seria feia, mas contornável.

Com a demissão fez a rejeição por Neymar ser mundial.

Comprar talento brasileiro vale muito dinheiro.

Comprar talento brasileiro problemático vale menos.

A equação é simples.

Luís Álvaro tinha a certeza de que contrataria Abel Braga para a vaga de Dorival.

Só que não contava com a multa de US$ 1 milhão e a falta de disposição do treinador em decepcionar os dirigentes do Al Jazira dos Emirados Árabes.

Agora o presidente está entre as promessas de Paulo Autuori se livrar do Al Rayan do Catar.

Ou a instabilidade emocional de Adilson Batista.

Muitos, mas muitos mesmo, conselheiros imploram para que Luís Álvaro tente recontratar Dorival para a Libertadores de 2011, que ele mesmo conseguiu a classificação.

Até mesmo os jogadores já pediram ao presidente.

Não Neymar, mas Paulo Henrique Ganso.

Luís Álvaro não quer passar pelo vexame de ouvir um não.

Demitir alguém sumariamente e se arrepender é assumir incompetência.

Dorival quer seguir com o Atlético Mineiro.

Já está corrigindo o péssimo trabalho de Vanderlei Luxemburgo.

Tem todas as condições de salvar o time do rebaixamento.

E, depois, prometeu para a diretoria montar uma equipe forte, competitiva no próximo ano.

Sem trazer jogadores sem comprometimento, como fez o demitido Luxemburgo.

Ele tem contrato até o final de 2011.

Esse é o quadro atual.

Hoje tem o abraço para as câmeras entre Neymar e Dorival Júnior.

O treinador precisará apelar para o seu sangue frio.

Para a grandeza de espírito que possui.

E Neymar enfrentar a vergonha pela injustiça que provocou e só prejudicou o Santos e ele mesmo.

Será o abraço mais triste do ano para quem aprendeu a amar o Santos Futebol Clube.

E o sonhava campeão da Libertadores, campeão do mundo em 2011.

Mas o ego de Neymar e o paternalismo de Luís Álvaro colocaram tudo a perder...

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