reuteres362 Ney Franco revela o planejamento sério para ganhar a medalha olímpica em Londres. Neymar será enquadrado já no Sul Americano sub 20. Para não repetir Robinho em 2004... Pela primeira vez seriedade de primeiro mundo na base brasileira...

Há um plano silencioso de sucessão na seleção brasileira.

Sem alarde, sem espalhafato.

Lembra o que acontece com vário países de primeiro mundo.

Se der certo, ótimo.

Se não, tudo bem, a vida segue.

Ney Franco será preparado para substituir Mano Menezes.

Pela primeira vez na história do futebol brasileiro, um treinador assina um contrato de seis anos.

Para coordenar as categorias de base e ser o braço direito do técnico da seleção principal.

E com salário alto.

"Na teoria está tudo ótimo.

Mas se não vier as vitórias, tudo pode acabar.

No Brasil, sem resultado treinador nenhum continua no cargo.

Mas eu confesso que estou empolgado com a seriedade do planejamento.

Estamos no caminho certo para a inédita medalha olímpica e para a Copa de 2014.

Nunca se fez nada parecido no Brasil", diz Ney, empolgado, em entrevista exclusiva ao blog.

Cosme Rímoli: Antes de falar da seleção brasileira, diga qual a emoção que sentiu com o Coritiba voltando para a Série A?

Ney Franco: Foi uma emoção única, que vai marcar a minha vida para sempre.

Nós caímos para a Série B em 2009.

Fomos duramente punidos pela confusão que aconteceu no Couto Pereira.

A queda foi duplamente triste.

Conseguimos nos unir de uma maneira impressionante.

Fomos buscar forças quando ninguém acreditava.

Ganhamos o Campeonato Paranaense.

E cumprimos a punição de jogar fora do nosso estádio, da nossa cidade.

Mesmo assim, conseguimos as vitórias suficientes, os pontos que trouxeram de forma brilhante o time de volta para a Série A.

Recusei vários convites para sair, para ganhar mais até, mas nunca abandonaria o Coritiba na Série B.

Era uma questão de honra.

Eu estava no comando quando o clube caiu e eu tinha de resgatá-lo.

Foi uma das maiores vitórias da minha carreira.

Saí do clube de cabeça erguida para a seleção brasileira.

CR: Por que trabalhar nas categorias de base, quando você teve ofertas excelentes de vários clubes grandes?

Franco: Por uma questão de projeto.

O plano que foi traçado na CBF pelo Mano Menezes é excelente e muito sério.

A categoria de base do Brasil nunca foi tratada de maneira tão profissional e com tanto foco.

Queremos aproveitar ao máximo o talento que surge com os meninos para que, no futuro, sirva para a seleção principal.

Vamos preparar os garotos, dar estrutura, dar todo o apoio possível para que se desenvolvam.

E que não estranhem quando chegarem à seleção principal.

Estejam completamente ambientados e pronto para as cobranças, para a responsabilidade.

CR: Tudo começa com o sul-americano sub-20 no Peru.

O Brasil tem a obrigação de conseguir uma das duas vagas para disputar a Olimpíada.

Serve de referência o que aconteceu com Ricardo Gomes, em 2004, e o Brasil não se classificou para a Olimpíada de Atenas, mesmo tendo Robinho, Diego e tantos outros bons jogadores ?

Franco: Sua pergunta é ótima.

Eu e o Mano Menezes conversamos muito sobre o que aconteceu naquele ano no Paraguai.

Houve muita falta de responsabilidade dos jogadores.

A Comissão Técnica acabou dando espaço demais, confiou nos atletas e faltou seriedade.

Mesmo com um grande time, tudo se perdeu com as brincadeiras de Robinho, Diego e os outros jogadores.

Conosco isso não acontecerá.

O trabalho será muito sério.

Tanto que jogadores que se desgastaram muito em 2010, como o Neymar, pediram licença da fase de preparação para o Sul-Americano.

Mas nós não demos.

Nossa preparação precisa ser a melhor possível.

E Neymar e os outros irão treinar muito já em dezembro para que o Brasil chegue muito forte no Peru.

Seleção brasileira tem que ser prioridade.

Se não for, o jogador não nos interessa.

CR: Você tocou no Neymar. Ele tem vários episódios de indisciplina no Santos.

Vai merecer uma atenção especial?

Franco: Conheço bem o Neymar, é um ótimo menino.

Mas sabemos que ele precisa ter um limite.

Não é porque tem tanto talento que irá além dos demais.

Não haverá lugar para estrelismos na seleção sub-20.

Todos os garotos serão tratados da mesma maneira na preparação e no Peru.

Quem não se adaptar ficará fora.

Seja quem for.

Até o Neymar.

CR: Você comandará o Brasil no Sul-Americano e o Mano na Olimpíada?

Franco: Sim. Isso já estava decidido há muito tempo.

Eu não vejo problema algum.

Quero contar com o apoio e as observações do Mano para montar o time mais forte possível no Peru.

E na Olimpíada, os papéis se invertem.

Serei eu quem ajudará o Mano Menezes nesta busca pela medalha de ouro.

E posso adiantar mais um detalhe.

Ao contrário do que aconteceu nas outras Olimpíadas, o Brasil chegará preparado em Londres.

Já estamos estudando diversos amistosos até a Olimpíada.

Não vamos juntar o grupo faltando pouco para começar a competição e vamos ver no que dá.

Issom não existe mais na seleção brasileira.

A falta de planejamento fez com que várias gerações vitóriosas fracassassem nas Olimpíadas.

Isso não acontecerá para 2012.

CR: Você será o coordenador exclusivo da CBF ou trabalhará também em clubes?

Franco: É uma situação que está completamente descartada.

Acredito que houve um enorme acerto por parte do presidente Ricardo Teixeira por definir desta maneira.

Não dá para conciliar as duas funções.

Quero observar os nossos principais meninos espalhados pelo Brasil e pela Europa.

Os jogadores saem do país cada vez mais cedo.

Não vou acreditar em relatórios, telefonemas de treinadores.

Farei uma observação verdadeira, profunda.

Acompanharei treinamentos, jogos.

Será um trabalho inédito na base do Brasil.

Estamos atrasados.

Vários outros países já fazem isso há muito tempo.

Vamos recuperar o tempo perdido...

CR: Várias seleções da Europa fazem esse tipo de trabalho com os treinadores também.

Pegam um técnico do profissional e o coloca na base para ganhar experiência.

E depois de anos, suceder o da seleção principal.

Posso dizer que desde já você é o favorito para assumir quando o Mano sair?

Franco: Olha, o meu contrato vai até 2016.

Quero é tratar colocar todo o conhecimento que adquiri ao dispor deo Mano.

Quero é ajudá-lo a conquistar a Olímpiada, a Copa de 2014 e a Copa de 2018.

Foi o Mano quem me indicou acreditando no meu trabalho, no meu caráter.

E sou uma pessoa leal.

Vim para a seleção para dar minha contribuição mas seguir as determinações do Mano.

Não para competir com ele.

Não quero o seu lugar.

Quero o meu, cumprir cada missão.

Conseguir uma vaga no Sul-Americano do Peru é a primeira.

E estou envolvido de corpo e alma nesta missão.

É isso que interessa para mim.

Quero é ser fundamental para o Mano e o Brasil ganharem as duas próximas Copas.

Isso é o que eu quero.

Estou orgulhoso de ser peça importante desse processo.

E orgulhoso também por contar com toda confiança do Mano.

Vamos mudar o conceito de seleção de base no Brasil.

E de uma vez por todas...

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