Na histórica Libertadores de 2015, Tite faz o Corinthians favorito contra o São Paulo, no primeiro clássico do Grupo da Morte. A Quarta Feira de Cinzas promete ser inesquecível...
Pela primeira vez na história, Corinthians e São Paulo se enfrentam em uma Libertadores da América. Com o empate frio, calculista, de ontem diante do Once Caldas, na Colômbia, o time de Tite selou sua classificação. Se livrou do trauma Tolima. Está no Grupo da Morte.

Há duas vagas para serem disputadas, teoricamente, entre três equipes poderosas. Os dois rivais paulistas e mais o atual campeão da competição, o argentino San Lorenzo. Para complicar mais as coisas, o competitivo Danubio uruguaio.

Para deixar tudo ainda mais emocionante, o primeiro jogo deste grupo 2 é exatamente o clássico. Na próxima quarta-feira, no Itaquerão. Uma partida de altíssimo risco de confronto entre os torcedores, de acordo com a definição do Ministério Público e Polícia Militar. Com 95% dos ingressos aos corintianos e 5% restantes que a diretoria são paulina deverá destinar à suas organizadas. A divisão deverá ser exatamente inversa no jogo de volta, no dia 22 de abril, no Morumbi.

A violência já foi e será muito comentada até o confronto. Agora vale a pena detalhar como os dois rivais chegam para o jogo. Embora esteja no início de temporada, o Corinthians de Tite se mostra muito mais pronto. Com mais potencial para conseguir a obrigatória vitória em casa. Mesmo sem poder escalar Guerrero, suspenso por três partidas pela Conmebol. Sua expulsão contra o Once Caldas foi considerada agressão.

Tite está na frente de Muricy. Já conseguiu dar um padrão tático competitivo, firme, seguro ao time. Com a participação efetiva de todos os jogadores importantes que estão no Parque São Jorge. Seu ano sabático serviu para consolidar seu esquema 4-1-4-1. Com variações táticas durante o jogo. Está conseguindo impor o que tanto sonhava: adaptar a intensidade europeia aos brasileiros.

O Corinthians busca atacar e defender em bloco, com todos os jogadores próximos, trocando passes em velocidade. Ele percebeu que o grande erro em 2013, ano decepcionante, após as conquistas da Libertadores e Mundial em 2012, foi a lentidão do time. Isso acontecia pelo distanciamento da defesa, meio de campo e ataque. A equipe se tornou previsível, fácil de marcar. E sucumbiu, a ponto de Tite ser dispensado.

O técnico queria muito a sua revanche pessoal. Sem a sonhada Seleção, o retorno 'para casa' foi sua opção. No desequilibrado Corinthians de Mano Menezes, o principal erro de 2014, estava em adiantar Ralf. Ele não tem e nunca terá habilidade para atuar com eficiência longe de sua grande área. Nasceu para ser protetor dos zagueiros. É o que voltou a fazer, para equilíbrio do time.

A movimentação incessante de Elias, Renato Augusto, Jadson e Sheik. Aí está o segredo corintiano. O poder do quarteto tanto para defender como atacar é algo raro no território nacional. Sabendo ter cobertura, Elias pode sair jogando de cabeça erguida, tabelar e ser o elemento surpresa na área adversária. Como no gol que marcou ontem contra os colombianos. O esquema de Tite é responsável pela volta do que precisa para ser decisivo, a confiança.

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Renato Augusto está livre do martírio de suas contusões musculares. Jogador hábil, inteligente, com potencial ofensivo interessante, ele é o toque de inteligência do meio para a frente. Mais a dedicação na marcação da intermediária. Jadson está tentando agarrar com unhas e dentes a oportunidade que não pensou que teria no Corinthians. Já tinha até acertado salários com o Flamengo. Tite o tem cobrado vibração para não só armar, mas para assumir a responsabilidade de toda a intermediária direita. Ofensiva e defensiva. Agora não se limita apenas a bater faltas, escanteios e tentar tabelas e lançamentos. Participa muito mais do jogo, marcando quando é preciso.

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Sheik tem o lado esquerdo, que tanto gosta, para mostrar o que é capaz. Aos 36 anos, ele surpreendeu muita gente no próprio Parque São Jorge. Tite não aceitou dispensá-lo, como o ex-presidente Mario Gobbi queria. Pelo contrário. O fez o coração do time. Teve uma conversa franca e exigiu dele sua vibração, seu envolvimento de 2012. O jogador, no Botafogo, comeu o pão que o diabo amassou. Percebeu o que tinha nas mãos no Corinthians. E está dando o sangue e o que tem de fôlego para partir para cima dos zagueiros, tabelar, chutar a gol. Além ajudar a fechar a defesa, com carrinhos e muita luta.

Esses quatro têm liberado Fagner e Fábio Santos. Os laterais podem apoiar, até ao mesmo tempo, sabendo que existe cobertura. O que não acontecia com Mano Menezes.

Na frente deste quarteto, deveria estar o efetivo Guerrero. Mas muito irritadiço por não ter renovado contrato, se descontrolou e foi expulso contra o Once Caldas. Pagará três jogos de suspensão. Tite vai levar como dúvida esse homem que deverá atuar mais à frente contra o São Paulo. A versatilidade de Danilo sai na frente. Mas terá concorrência de Vagner Love, o velocista Mendoza ou até o jovem Malcom.

Uma situação já está definida, o Corinthians assume a postura ofensiva. Com a pressão de seus torcedores lotando o Itaquerão, partirá convicto, assumindo como obrigatória a vitória no primeiro jogo do grupo da Morte.

Nem sem sob tortura, Muricy assumirá que o empate seria ótimo ao São Paulo. O treinador ainda testará, para valer, Centurión e Dória contra o Bragantino, sábado. O time tem problemas graves táticos. Contra o Santos ontem foi massacrado. Foi envolvido com facilidade. Seu poder de marcação é fraco demais. Sofreu 19 finalizações do time em formação que Enderson Moreira tem nas mãos. Rogério Ceni teve uma atuação sensacional e evitou a derrota.

O São Paulo tem mostrado muita lentidão na recomposição de seus jogadores quando é atacado. Não há muita versatilidade no esquema tático. O 4-4-2 perdura durante a maior parte das partidas. Tudo é mais estático. Denílson e Souza marcam forte nas intermediárias. Michel Bastos é a opção tanto nos contragolpes e na compactação nos contragolpes. Ganso é o elo entre o meio e o ataque. Continua instável, imprevisível. Com vários momentos de apatia durante os jogos. E raros lances de genialidade.

Na frente, Muricy quer a correria de Centurión. Dependendo do que render no sábado, enfrenta o Corinthians. E o veterano Luis Fabiano na frente. Atuando cada vez mais no carisma do que no potencial. O São Paulo tem problemas graves. Seus laterais Bruno e Reinaldo ou Carlinhos são fracos, inseguros. Assim como seu miolo de zaga. Por isso o desespero do treinador em encaixar Dória, provavelmente ao lado de Rafael Toloi.

Não será surpresa, se Muricy colocar Maicon para ajudar na marcação no meio de campo, caso o jovem argentino Centurión não consiga render.

O Corinthians é favorito no clássico da próxima quarta-feira. Tem o time mais arrumado, pronto, confiante. Mas a tradição, o poder de superação do São Paulo não pode ser desprezado. Logo após conseguir a classificação na Pré-Libertadores, Tite foi feliz demais ao definir o confronto.

"Vou tentar resumir: dois campeões mundiais. Isso é muito, é orgulho para duas equipes, duas torcidas. Que seja um espetáculo dentro de campo, sem violência, por favor. Tem tantas famílias para torcer. Eu não gostaria que no noticiário estivesse a violência em um clássico com dois campeões mundiais."

Os jornalistas também gostariam de não tocar no assunto, Tite. E só falar da beleza do clássico. Dependerá da competência e da coragem das autoridades para enfrentar os vândalos infiltrados nas organizadas corintianas e são paulinas...
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