divulgação3900 Muricy Ramalho transformou o Fluminense no mais paulista dos clubes cariocas...
Quando Muricy Ramalho recebeu o quinto telefonema de Robero Horcades decidiu ir.

Aceitou a aventura de trabalhar no Rio de Janeiro.

Amigos próximos e pessoas que trabalham com o treinador ficaram contrariados.

O técnico já havia se desgastado demais com o fracasso no Palmeiras.

E o clube tem infraestrutura de ponta.

Como assumir o Fluminense, com inúmeros problemas estruturais?

"Carioca não gosta de treinar de manhã.

Ele prefere ficar dormindo e se recuperando da balada da noite anterior."

Essa visão preconceituosa em tom de alerta foi o que mais ouviu de amigos.

Justo ele, que virou adesivo de carro com o slogan "Aqui é trabalho, meu filho", nos tempos do tricampeonato brasileiro pelo São Paulo.

Só que Horcades lhe prometeu ótimo salário, condições de trabalho e carta branca.

E ele não estava para brincadeira.

Porque uma das primeiras exigências de Muricy para começar a conversar era o Fluminense não ter treinador.

Mesmo com a possibilidade de não dar certo com ele, Horcades demitiu Cuca, o técnico que havia salvado o Fluminense do rebaixamento em 2009.

Mandou Cuca sem dó porque queria Muricy.

E o casamento deu certo.

O Fluminense virou o 'mais paulista dos clubes cariocas'.

Com treinamento puxado de manhã e tarde.

As noitadas diminuíram muito.

Fred, por exemplo, não foi visto mais com frequência de madrugada tomando chope.

A dedicação dos treinos foi espartana.

Muricy Ramalho deu o maior exemplo, como queria que o trabalho desse certo.

Em nome do seu compromisso com o Fluminense recusou a seleção brasileira.

A dedicação espantou a todos.

Até Horcades.

E Muricy teve o direito de fazer o que bem entendeu.

Como colocar o caríssimo Belletti no banco.

E insistir até mais não poder com Washington.

Mesmo com tropeções bobos, o time engrenou na hora certa no Brasileiro.

Conseguiu chegar à última rodada com um ponto precioso de vantagem em relação ao Corinthians.

Vem de duas vitórias surreais, contra São Paulo e Palmeiras sem ímpeto de ganhar.

Não interessa.

Valem os seis pontos que o time acumulou.

E agora basta vencer o rebaixado Guarani e a consagração.

Muricy Ramalho, fiel ao seu estilo, está irritadíssimo.

Quer que a diretoria sossegue.

Pare de cantar vitória antes do tempo.

Prometer prêmios, festas, consagração.

O treinador exige o fim de comemoração antes do tempo.

Horcades sossegou com a dura do treinador.

E o técnico já avisou que não quer saber de oba-oba na concentração, nos treinamentos.

Avisou que vai treinar duro e muitas vezes pela manhã para garantir a vitória.

Nenhum jogador teve coragem de contestá-lo.

Haverá eleições no clube amanhã.

O Ministério Público estará lá para se certificar que mortos não votarão.

Seja qual for o novo presidente há uma garantia.

Ninguém mexerá no paulista.

Ninguém encostará um dedo em Muricy Ramalho.

O homem que acertou na mosca ao aceitar o Rio de Janeiro, o Fluminense.

Lá também ele conseguiu fazer valer o que pensa.

"Futebol é 90% trabalho e 10% de talento."

E mesmo jogando de uma maneira feia, sem entusiasmar ninguém o time está a uma vitória da consagração.

De repetir 1984...

É o jeito Muricy se impondo na terra do Cristo Redentor...

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