2309 Muricy Ramalho, o novo menino do Rio...

Foi uma questão de adaptação.

A demissão no São Paulo doeu muito.

Tricampeão brasileiro e saída pela pela porta dos fundos.

Com Ricardo Gomes já contratado antes de ter sido demitido.

Ir embora do Palmeiras foi ainda mais deprimente.

Sentiu na pele pela primeira vez o que é ter a própria torcida exigindo sua saída.

Ser vaiado, xingado, ameaçado.

Quis um tempo para se recuperar.

Precisava mudar de ares, sair de São Paulo.

Ele mesmo chegou a pensar que voltaria para o Interncional, em Porto Alegre.

Mas Fernando Carvalho demorou a admitir o fracasso com o uruguaio Jorge Fossati.

Enquanto isso, o Fluminense capengava.

Já havia sobrevivido na Série A graças a uma arrancada histórica em 2009.

Só que o comando da Unimed não quis correr o mesmo risco em 2010.

E quis montar um time forte, caro.

Mas não deixá-lo nas mãos de Cuca.

E o presidente Celso de Barros resolveu acabar com as férias forçadas de Muricy Ramalho.

Houve uma adaptação dos dois lados.

O técnico paulista amenizou seu jeito turrão, mal humorado, irritadiço.

Quem está com a moral baixa não pode exigir nada na vida.

E ainda mais no futebol, onde tudo é tão transparente.

A falta de profissionalismo, as adaptações...

Os treinos só à tarde para deixar os jogadores dormirem até o meio-dia...

Tudo isso também acabou.

O trabalho passou a ser ainda mais sério, com horários rígidos.

Não tanto quanto Muricy gostaria.

Mas a maneira de trabalhar mudou pronfundamente no Fluminense.

E dentro de campo também o clube sofreu sua metamorfose.

O toque de bola, a malemolência, a busca pelo refinamento acabou.

Chutões, correria, marcação forte, jogador perseguindo a estrela da outra equipe por 95 minutos.

Nove e mais cinco de prorrogação.

Se fosse possível, a marcação individual, por exemplo, em Robinho, aconteceria também no intervalo.

O Fluminense que derrotou o Santos com autoridade, ontem na Vila Belmiro impressionou.

Por mostrar o que a necessidade fez.

Tanto Muricy quanto o clube carioca tiveram de se reinventar.

Buscar o que cada um tinha de melhor para buscar um time forte.

Desta vez o treinador não foi enganado pelo parceiro.

E os cofres estão abertos para a contratação de jogadores.

Podem estar rodados e um tanto desgastados, mas ainda dão caldo.

Belletti e Deco podem acrescentar ao Fluminense.

Não técnica apurada, mas força, vigor pela lateral.

E mais inteligência no meio de campo.

Bronzeado, como um novo menino do Rio, Muricy está empolgado.

Mesmo com o desmoralizante boné da Unimed que é obrigado a usar nas entrevistas.

Ele sente que o mundo do futebol lhe deu outra ótima chance na carreira.

E quer aproveitar.

Muitos amigos do hipismo de Ricardo Teixeira já pediram para observar Muricy.

O Fluminense teria o maior prazer em repartir seu técnico com a seleção brasileira.

O treinador desprezado pela direção do São Paulo e pela torcida palmeirense finge que não é com ele.

Sua preocupação é outra.

E legítima.

Mostrar que está muito vivo.

E que não depende da infraestrutura do São Paulo para fazer um grande trabalho.

Situação que muita gente no Morumbi ainda duvida...

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