reuters3967 Mundial do Corinthians não passou mesmo de um Mundialito. Roberto Carlos estava certo...

"Era um Mundialito.

Mas, sinceramente, muitos jogadores do nosso time ficavam acordados até as 5 horas, 6 horas.

O pessoal não dormiu, muitos vieram aqui a passeio.

Além do mais, os times europeus enfrentaram um calor enorme.

O pessoal do Manchester United, então, lá no Rio, ficava só na piscina tomando cerveja".

Ele desmoralizou a maior conquista corintiana, o Mundial de 2000.

Outra vez o lateral-esquerdo foi sincero e paga por isso.

A pressão no Corinthians para ele se desmentir é imensa.

Andrés e Ronaldo não perdoaram o desatino.

Porque no futebol quem fala a verdade é punido.

Ainda mais porque Roberto Carlos não é mais funcionário do Real Madrid.

Seu dinheiro vem do Corinthians.

Como eu não tenho nada a ver com o Corinthians, dou o meu depoimento.

Cobri o Mundial, ou Mundialito - depende do freguês.

Acompanhei, na primeira fase, justamente os jogadores do Real Madrid, que ficaram em São Paulo.

Primeiro: os espanhóis estavam contrariados.

Não concordavam com o formato do torneio.

Estavam irritados com o calor.

A preocupação era com o que acontecia na Europa.

Lindas mulheres estavam, por coincidência, por supuesto, no luxuoso hotel do Real Madrid.

O treinador era ninguém menos do que Vicente del Bosque, atual campeão mundial com a seleção espanhola.

A estrela máxima era Raúl.

O jovem goleiro Casillas não saía do hall do hotel.

Deu tanta entrevista que ninguém mais queria falar com ele.

O espírito era de raiva e de pressa para voltar para a Espanha.

Todos faziam questão de mostrar que estavam no Mundialito obrigados.

As farras noturnas estavam presentes nas olheiras dos jogadores pela manhã.

Prostitutas de luxo da região dos Jardins fizeram a festa.

Para elas sim, foi um verdadeiro Mundial.

Fui para a fase final no Rio de Janeiro.

E encontrei a delegação do Manchester United.

Não no treino.

Mas na danceteria Nuth.

Muitas mulheres bonitas, público selecionado.

A grande estrela era Beckham.

Ele e seus companheiros de time estavam simplesmente celebrando a eliminação do torneio.

Sim.

Comemorando voltar para a Inglaterra.

Foi a primeira e última vez que vi isso na carreira.

Todos beberam muito.

Ficaram o tempo todo no camarote.

Alguns garotos furaram o cerco, se aproximaram, conversaram, arrancaram alguns beijos.

Menos Beckham, o mais arredio, preocupado com fotógrafos.

Era transparente a felicidade dos ingleses por estarem livres para voltar do Rio.

Ao final da noite, Beckham terminou bêbado, sentado na calçada, esperando o ônibus para levar o time de volta ao hotel.

Cena surreal que não tem preço.

Ou seja: Roberto Carlos não estava menosprezando o Mundial do Corinthians.

Os europeus realmente não deram a menor importância para o torneio que a Fifa resolveu fazer no Brasil.

E os obrigou a disputar.

O Corinthians é o digno campeão.

Jogou com todo empenho e seriedade.

Assim com o Vasco.

Cobrindo evento, a divisão foi clara.

Para os brasileiros, a competição valia a vida.

Para os europeus, um torneio sem sentido que a Fifa os obrigou a disputar.

E que eles sabiam que nunca mais seria repetido da mesma forma.

Não foi mesmo.

Só quem acreditou que haveria outro Mundial daquele foi o ex-presidente Mustafá Contursi.

Ele abriu a vaga do Palmeiras para o Vasco apostando no segundo, na Espanha.

Mustafá e os palmeirenses estão esperando por esse novo Mundial, ou Mundialito, há dez anos...

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