122 Ministério Público quer acabar com ligação entre clubes e organizadas. Vasco foi só o primeiro
A acusação é gravíssima.

O Ministério Público do Rio de Janeiro quer o afastamento imediato de Eurico Miranda da presidência do Vasco. Os motivos. A contratação de lideranças da banida organizada Força Jovem para trabalhar como seguranças nos dias de jogos. Acobertar conflitos violentos em São Januário. E ainda ceder um camarote do estádio para o desfrute da organizada.

O MP quer a destituição imediata e uma multa de R$ 500 mil.

O Vasco descumpriria artigos do estatuto do torcedor sobre a violência no esporte ao apoiar a Força Jovem e ainda compromete a ação da Polícia Militar em dias de jogos.

O maior exemplo aconteceu no dia do jogo entre Vasco e Flamengo, o integrante da Força Jovem, Sidnei da Silva Andrade, conhecido como “Tindô”, foi contratado pelo clube para trabalhar como “Steward”, com crachá do Vasco e colete refletivo. Ficou responsável pelo “Portão 09” do estádio, principal entrada das torcidas organizadas do clube.

Os auditores garantem que ele não Tindô não estava lá por acaso. E contribuiu para o caos que aconteceu após o jogo. Com direito a bombas, pedras e paus disparados pela torcida vascaína contra torcedores flamenguistas, policiais e jornalistas, naquela noite. A confusão terminou com a morte do vascaíno David Rocha Lopes, baleado.

O Gepe (Grupamento Especial de Policiamento em Estádios) identificou pelo menos dois membros da organizada a serviço do clube em dias de jogos em São Januário. Sidney da Silva, o "Tindô", e Rodrigo Granja ao clube.

Eurico afirmou que a denúncia é absurda e motivada por interesses pessoais. A Torcida Jovem, maior organizada cruz-maltina, garantiu que não tem vínculo com o clube e negou que seja dona de camarote no estádio.

O Vasco emitiu uma nota oficial repudiando as acusações.

"Inacreditável!!!
É com perplexidade que tomamos conhecimento de tamanho absurdo. Não é novidade que um membro do Ministério Público tem se aventurado em ações absolutamente precipitadas e desarrazoadas no que tange os episódios de violência nos estádios cariocas, especialmente em relação ao Club de Regatas Vasco da Gama, contra o qual se chegou a deduzir pedido de interdição do Estádio pela via inadequada e com base em suposto descumprimento de obrigações de terceiros, que inusitadamente não foram alvos de pretensões similares.

Agora, seguindo a batida, e evidentemente temperada com questões pessoais e/ou políticas, se aventura, às vésperas do lançamento da candidatura do atual mandatário à reeleição, vir a juízo requerer, com base em mera ilação do parquet, a destituição de toda a diretoria do Clube, porquanto, segundo vocês afirmam, fotografias “comprovariam” que o VASCO apoia a Força Jovem e, por conseguinte, estimularia a violência nos estádios. Inacreditavelmente assiste-se a mais um exemplo de uso da máquina estatal como instrumento político!

Em meio a tantas evidências que levam à essa insofismável conclusão, vemos mais uma jogada ensaiada entre o(s) condutor(es) da manobra e os canais que se desesperam com a retomada do bom desempenho do futebol, afinal uma ação distribuída e que ainda se encontra em autuação produziu uma matéria em tempo recorde, a ser reverberada nas primeiras horas do dia do lançamento da candidatura do atual mandatário à reeleição. Nada mais peculiar!

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Ora, se de um lado não há dúvidas do caráter político/pessoal da manobra encetada, há também de outro, a certeza que o Judiciário não servirá a tais propósitos, até porque, segundo determina o art. 37 do Estatuto do Torcedor, no qual se prevê a destituição de dirigentes, para que haja uma decisão neste sentido necessário se faz a observância do devido processo legal, o que, obrigatoriamente, ensejerá a prévia intimação do Clube para apresentação de defesa.
Busca pelo holofote, questões pessoais e sede de poder! Essa é a combinação que assustadoramente parece ter dado ensejo ao instrumento político em questão.
O Vasco, quando efetivamente intimado para manifestar-se, demonstrará o absurdo por de trás da manobra!
Diretoria
Club de Regatas Vasco da Gama"

O que o Ministério Público do Rio de Janeiro fez foi a mostra do que deverá acontecer em todo o país. Os auditores finalmente resolveram investigar de verdade a relação íntima entre alguns dirigentes e membros de organizadas. Usando como escudo o estatuto do torcedor.

O MP paulista, por exemplo, quis criar um documento no qual os dirigentes dos quatro clubes grandes se comprometeriam a não dar um centavo para qualquer organizadas. Nem ceder lugar no estádio. Ou emprestar ônibus. Nem mesmo no Carnaval.

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Não houve acordo Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos não assinaram.

E a relação das organizadas entre os clubes segue firme. Como, por exemplo, a reunião que aconteceu no CCT do São Paulo, quando Dorival e seus jogadores, tiveram de dar satisfação às organizadas. Por ordem do presidente Leco.

"Se você não controla as organizadas, não controla o clube. Foram elas que me derrubaram do Corinthians", já disse o ex-presidente Alberto Dualib, ao deixar o Parque São Jorge, em 2007.

No seu lugar, assumiu Andrés Sanchez, fundador da Pavilhão Nove, organizada corintiana que leva o nome do pavilhão mais violento do extinto presídio Carandiru.

Só faltava o Ministério Público dar o primeiro passo para terminar esse vínculo.

O passo foi dado no Rio de Janeiro...

(O Ministério Público do Rio deu dez dias para Eurico Miranda se defender e provar que não tem envolvimento com a organizada. Se não conseguir, poderá perder a presidência do clube...)
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