1 Marta envelheceu. E Emily teve coragem de enxergar. Esse é o motivo da grave crise na Seleção

Há um nome que está sendo preservado nessa guerra na Seleção Brasileira Feminina de Futebol. Por respeito, por consideração por medo de sua influência na alta cúpula da CBF, principalmente com Marco Polo del Nero.

Marta.

O trabalho da demitida Emily Limma era revolucionário. E foi montado para acabar com a dependência tática e técnica daquela que foi a cinco vezes a melhor jogadora do mundo. Um fenômeno no futebol mundial.

Mas Emily resolveu enfrentar o que, por exemplo, Vadão fecha os olhos. Marta é humana. E envelheceu. A caminho dos 32 anos não é mais a mesma atleta quando tinha 24, 25, 26 anos. É bom lembrar que os anos que ela foi melhor jogadora do mundo: : 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010.

Ou seja, a última vez que ela ganhou o troféu faz sete anos.

Del Nero está longe de ser um grande apreciador do futebol feminino. Mas sabe a representatividade que Marta, merecidamente, tem. E confia plenamente em seu coordenador, Marco Aurélio Cunha. Quando o presidente da entidade soube da revolução que Emily fazia na Seleção, não ficou exatamente animado. Muito pelo contrário.

Não queria que o espaço da estrela da Seleção Brasileira diminuísse. Mesmo ela não tendo mais a explosão física para conseguir dar os dribles e concluir com gols maravilhosos, como fez durante quase toda sua carreira.

O desempenho fraco, decepcionante de Marta na Olimpíada do Rio de Janeiro, foi mais do que uma prova para Emily.

O Brasil ainda não pode abrir mão do improviso, da técnica, do respeito que Marta despreza. Mas não há lógica alguma fazer todo o esquema tático partir da meia. Isso é jogar a responsabilidade sobre a camisa 10. E mais. Menosprezar o potencial do time.

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Daí a revolta, as cinco renúncias à Seleção. Cristiane, Fran, Andreia Rosa e Rosana já haviam se despedido da Seleção, com a demissão de Emily, e a volta de Vadão, com o mesmo plano tático da Olimpíada, tendo Marta como a grande referência tática e técnica do time. Mesmo estando longe do seu auge.

Maurine se juntou ao grupo que não quer mais saber de Seleção. Não com este retrocesso, com esse esquema que fracassou na competição que poderia mudar a história do futebol feminino no país, os Jogos do Rio.

O número de atletas que preferem renunciar à Seleção não deve parar nestas cinco jogadoras importantes. As conversas continuam. E há mais interessadas. Além de não ceder, elas querem expor o que consideram um absurdo. A troca de um novo e moderno planejamento, pela mesmice com Vadão.

Marta, para variar, foge de polêmicas. Ainda mais porque sabe que seu nome tem um peso grande no que está acontecendo.

Ela deu uma salomônica entrevista ao Sportv. E foi só.

"A minha opinião é a mesma que eu tinha quando trocaram o Vadão, a gente precisa de tempo para trabalhar. Não dá para fazer acontecer os resultados de um dia para o outro no futebol feminino, mas a gente sabe como nossa cultura no Brasil é baseada em resultados.

"Infelizmente, a gente teve vários resultados negativos, um atrás do outro. E eu não coloco a culpa na comissão. Muita gente pediu a permanência dela, nós atletas pedimos a permanência dela.

"Eu não assinei nenhuma carta, não assinei porque temos uma hierarquia, e naquele momento o Marco Aurélio era o cara que representava o presidente. Nós falamos com ele e esperávamos que ele chegasse ao presidente. Mas acredito que, quando chegou ao presidente, a decisão já estava tomada.

"Antes disso, eu tinha me reunido com algumas atletas e tinha proposto uma ligação para o presidente, que aí ele não tinha como dizer que não recebeu carta ou outro recado. Mas isso não aconteceu. E só agora que estão colocando nas minhas costas, por esse simples fato. Mas futebol é assim, e a gente está aí. Vamos seguir trabalhando como sempre."

 Marta envelheceu. E Emily teve coragem de enxergar. Esse é o motivo da grave crise na Seleção

O Brasil teve derrotas seguidas com Emily. Mas foi ela quem pediu os adversários mais fortes. E ainda avisou Marco Polo e Marco Aurélio: os times estavam em estágios melhores que os brasileiros. Mesmo assim, seguiria fazendo testes, porque estava remodelando a Seleção.

Foi quando houve a demissão.

As cinco renúncias à Seleção são vexames internacionais. E estão sendo repercutidas de forma muito constrangedora para o Brasil de Vadão.

Este ano, Marta não conseguiu figurar nem entre as dez melhores jogadoras do mundo, na primeira pré-seleção ao prêmio da Fifa.

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Lucy Bronze (Inglaterra), Deyna Castellanos (Venezuela), Pernille Harder (Dinamarca), Samantha Kerr (Austrália), Carli Lloyd (Estados Unidos), Dzseniffer Marozsan (Alemanha), Lieke Martens (Holanda), Vivianne Miedema (Holanda), Wendie Renard (França) e Jodie Taylor (Inglaterra) foram as indicadas.

Deyna Castellanos (Venezuela - Santa Clarita Blue Heat/Florida State Seminoles), Carli Lloyd (EUA - Houston Dash/Manchester City) e Lieke Martens (Holanda - Barcelona)são as finalistas.

Quem vive, quem respira o futebol feminino garante que não é por acaso. Marta pode não ser mais a melhor do mundo, mas segue sendo importante para a Seleção.

Mas não tem cabimento ser a grande estrela.

O tempo passou.

Marco Polo Del Nero não viu.

E puniu quem ousou enxergar.

Por isso Emily foi demitida.

E cinco jogadoras viraram as costas à Seleção.

Por enquanto...
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