"EUA, ajude-nos para prender os brasileiros corruptos da nossa administração do futebol.

"Cadeia neles."

Essa era a singela faixa que Moisés Campos, ex-chefe de segurança da CBF, e Valmir Alves Diniz, faziam questão de mostrar para as câmeras em Nova York. Os dois faziam questão que fosse fotografada por agências internacionais e jornalistas brasileiros. Ela era pano de fundo para o ex-presidente da CBF e ex-governador biônico de São Paulo, José Maria Marin, que se encaminhava para a Corte do Distrito Leste de Nova York.

Marin se encaminhava cercado de advogados e não falou uma palavra. Aos 85 anos, ele tem plena consciência de tudo que está vivendo. Ele é um presidiário do Departamento de Justiça Norte-Americano. Criminoso comum que circula com tornozeleira eletrônica, passaporte confiscado e vigiado em sua prisão domiciliar, desde 2015.

68 Marin não delatará Del Nero ou Ricardo Teixeira. Por ser totalmente inocente

Ele é acusado de sete crimes. Todos envolvendo fraude e lavagem de dinheiro nas seguintes competições: Copa América, Copa Libertadores e Copa do Brasil. Pesa também sobre ele, a acusação de participar de uma organização criminosa, montada para exigir propinas nas negociações envolvendo competições na América do Sul. Os Estados Unidos o mantém na prisão e o julgará porque o caminho do dinheiro que chegou até Marin, ou foi escondido por ele, passou por bancos americanos.

Marin está sendo julgado porque se manteve fiel aos companheiros de crime. Não aceitou se declarar culpado. Não trocou delações para se safar, como fez, por exemplo, Jota Hawilla. Não. Apesar de todas as provas levantadas e que devem ser responsável por uma condenação exemplar, Marin não quis ser 'dedo duro'. Pelo contrário. Ele acredita que, por estar muito velho, escapará de uma condenação pesada.

Mas por via das dúvidas, mandou vender, em junho do ano passado, uma mansão que mantinha em São Paulo. Por R$ 11,5 milhões. Basicamente só para pagar advogados. O imóvel tem dois andares. !2 salas, 10 banheiros, estacionamento para 30 carros. E fica nos Jardins, região nobre da capital paulista.

O julgamento é uma desmoralização para o futebol brasileiro. Os Estados Unidos conseguiram provar que Marin recebia propinas há muito tempo. É inacreditável lembrar que as autoridades nacionais não conseguiram levantar provas contra o ex-presidente da CBF. E que, durante a Copa de 2014, foi tratado como chefe de estado. Um vexame.

A perspectiva é que o julgamento seja demorado. Marin será julgado junto com peruano Manuel Burga, ex-presidente da Federação Peruana de Futebol, e o paraguaio Nicolas Leoz, ex-presidente da Conmebol. Os três foram delatados por Hawilla de receberem propina de empresas de marketing esportivo, responsáveis pela transmissão dos torneios.

 Marin não delatará Del Nero ou Ricardo Teixeira. Por ser totalmente inocente

O ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, e o atual, Marco Polo del Nero, estão citados nas acusações. Mas ainda não respondem a acusações formais. Por isso seguem livres.

Moisés, responsável pela faixa, foi chefe de segurança da Seleção Brasileira no período de Ricardo Teixeira. Ele acumula dossiês contra Marin, Teixeira e Marco Polo. São 46. Como revelou ao jornalista Silvio Barsetti, repassou todo o material para o Ministério Público carioca.

Moisés tenta fazer chegar seu material às mãos da juíza Pamela Chen, responsável pelo julgamento de Marin.

Marco Polo del Nero e Ricardo Teixeira seguem repetindo estarem tranquilos.

E os advogados de Marin garantindo que ele não delatará ninguém.

Por ser "totalmente inocente"...
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