cbf Marin joga com as palavras. Diz que antecipou Felipão para manter o foco de Tite no Mundial. Foi o contrário. Com o Corinthians campeão, a pressão seria insuportável para que outro técnico de Andrés assumisse o Brasil. O presidente da CBF foi maquiavélico...
José Maria Marin é um político na sua essência.

Aprendeu com Paulo Maluf a jogar com as palavras.

Inverter situações, sem o menor constrangimento.

E ele mostrou isso com maestria ontem.

Quando pela primeira vez revelou porque antecipou o nome de Felipão.

O presidente da CBF disse que não esperou por janeiro deste ano.

Como havia prometido ao demitir Mano Menezes.

Marin disse ao Sportv que o motivo foi o Corinthians.

Ele não queria ser acusado de atrapalhar o time no Mundial.

"Se o Tite perdesse o Mundial falariam que o Marin tirou o foco de Tite."

Foi essa a sua desculpa ao antecipar a chamada de Felipão.

Mas no Parque São Jorge, a certeza é outra.

Pessoas ligadas a Andrés Sanchez garantem.

Ele antecipou a chamada exatamente pelo contrário.

Ou seja, não haveria como não chamar Tite com o título mundial.

O treinador conseguiu conquistas seguidas incontestáveis.

Venceu o Brasileiro de 2011.

E foi campeão da Libertadores da América e o Mundial de 2012.

A pressão da mídia e da população seria imensa.

Marin não queria ninguém ligado a Andrés na CBF.

Por isso extirpou sem dó Mano do cargo.

Ele havia escolhido Felipão ainda quando trabalhava no Palmeiras.

Esperto, sabia se deixasse para depois da disputa no Japão as comparações seriam evidentes.

Como escolher um treinador que havia acabado de sair de um clube rebaixado?

E preterir aquele que havia sido campeão do mundo?

Marin e Marco Polo del Nero anteciparam a escolha para não correr o risco.

Cortaram o mal pela raiz.

Quem perdeu com a antecipação foi só Tite.

Os inimigos de Marin que comandam o clube até que gostaram.

O treinador corintiano manteve mesmo o seu foco no Mundial.

Trabalhou até com mais empenho, mais raiva.

Ele sabe que foi injustiçado, mas não tornará pública a sua indignação.

Se Tite fosse chamado, Mano Menezes assumiria o Corinthians.

Isso já estava certo entre Andrés e Gobbi.

Marin aproveitou a entrevista de ontem para garantir Felipão.

Ele tem o direito de perder a Copa das Confederações.

Está liberado pelo chefe.

Para o dirigente, a competição serve de teste para os jogadores.

Não para o treinador.

Vai com ele até a Copa do Mundo de 2014.

A relação entre os dois é realmente excelente.

Felipão perdeu a rebeldia que tinha em 2002.

Ele está muito mais afável com o presidente da CBF.

Até porque Marin não tenta influenciar tanto nas convocações quando Ricardo Teixeira.

Os dois concordavam com nova chance a Ronaldinho.

E a Júlio César, as duas maiores polêmicas do jogo de estreia, amanhã contra a Inglaterra.

O presidente da CBF usou também a retórica para se livrar de Guardiola.

Ele disse que quem comanda os espanhóis é Vicente del Bosque.

E se eles o preferem a Guardiola, o catalão não serviria para o Brasil.

Jogo de palavras novamente.

Mera retórica que Marin decorou e expôs sem contestação ontem.

Ele sabe que o ex-treinador do Barcelona é homem de difícil trato.

Nacionalista e um dos maiores defensores da ditadura militar, Marin não se dobraria jamais.

Dar a Seleção na Copa dentro do Brasil a um estrangeiro.

Jamais.

E o presidente ainda fez uma 'revelação'.

Disse que foi Ricardo Teixeira quem se antecipou.

E se desligou da CBF no dia 31 de janeiro.

Abandonou o cargo de consultor.

Abriu mão dos R$ 130 mil mensais.

Não quis mais receber o dinheiro nos Estados Unidos.

Depois de um ano, se cansou.

Foi apenas coincidência, Teixeira parar de ganhar quando Juvenal Juvêncio protestou.

O presidente do São Paulo estava disposto a romper com Marin por causa dessa situação.

E se aproximava de Andrés Sanchez para formar a oposição na próxima eleição da CBF.

Coincidiu.

Assim caminha o comando do futebol brasileiro.

Repleto de coincidências e retórica vazia.

Por isso Tite, atual campeão do Mundo, não comanda a Seleção.

E Guardiola nunca teve a mínima chance.

Com Marin, o Brasi é dos brasileiros.

Ame-o ou deixe-o...

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