1reproducao1 Marcos sempre esteve certo. Ídolo não deve ser treinador do clube onde foi amado. Mesmo despreparado, Rogério Ceni, arrogante, correu o risco. Agora, demitido, percebe o desgaste e o quanto foi usado por Leco. E o São Paulo fará proposta a Dorival Júnior ainda hoje...

"Não tenho perfil para treinador. Não quero essa pressão. E nem tenho mais saco para concentração, viagens, cobrança todos os dias. Não vale a pena. Além de sacrificar de novo o que mais amo: a minha família, os meus amigos. Fazer da minha vida treino, viagem, concentração, jogos, entrevista. E na segunda-feira, tudo de novo. E com o risco de ser xingado pela torcida que te amava. Não quero.

"Quando o cara é ídolo em um clube fica visado. Vira alvo. E arrisca o que tem de mais importante : sua credibilidade, as portas abertas com a imprensa, com o torcedor. Se está trabalhando com um presidente, a oposição tem de fazer o quê? Miná-lo, desmoralizá-lo. Para prejudicar quem manda no clube. Caso se alie a um candidato de oposição, está ganhando por fora. No futebol tem muita inveja. Tenho muito medo de estragar tudo que fiz.

"Tenho muito medo de voltar a trabalhar no futebol. O clima é muito pesado. Há muita sujeira. E graças a Deus, eu consegui ter uma carreira limpa. Ninguém tem nada para falar de mim. Dei minha vida, empenhei tudo que podia e o que não podia pelo Palmeiras, pela Seleção. Sou bem tratado onde vou. E não só por palmeirenses. Corintianos, torcedores todos os clubes me abraçam, beijam a minha careca. É uma coisa impressionante. E que me orgulho. Não quero arriscar tudo isso voltando ao futebol. E me queimar."

Essa foi a postura de Marcos, quando o entrevistei em fevereiro de 2016.

Suas palavras foram promissoras.

Parecia que ele estava adivinhando o que aconteceria com Rogério Ceni. Foi tremendamente desgastante sua passagem como técnico do São Paulo. Ele também confundiu a imagem de ídolo com a de mais um simples treinador. Ele acreditou que seria tratado com respeito e consideração. E, principalmente, que Leco manteria sua palavra. Daria os dois anos para que trabalhasse.

Ceni está profundamente magoado com a demissão.

Mais do que isso, revoltado.

Se sentindo não só exposto, traído.

2reproducao 1024x649 Marcos sempre esteve certo. Ídolo não deve ser treinador do clube onde foi amado. Mesmo despreparado, Rogério Ceni, arrogante, correu o risco. Agora, demitido, percebe o desgaste e o quanto foi usado por Leco. E o São Paulo fará proposta a Dorival Júnior ainda hoje...

Na reunião que aconteceu ontem entre ele e Leco, ouviu de maneira direta do presidente do São Paulo. O time não estava reagindo, seguia cada vez pior, estava na zona do rebaixamento. E que era preciso dar um tratamento de choque no elenco. E isso exigia a saída do treinador.

Rogério Ceni estava demitido.

Os R$ 5 milhões de multa não acalmam sua alma.

Apesar da sua postura assumidamente arrogante diante dos jornalistas, para tentar intimidá-los, Ceni foi ingênuo, crédulo. Percebeu que era usado politicamente por Leco, como seu maior cabo eleitoral, na busca pela reeleição. Só que depois que conseguiu o que queria, o presidente mostrou sua verdadeira face.

Sem comprometimento nenhum com o futuro do time em 2017, promoveu um desmanche insano. Sem levar em consideração o que Ceni falava, pedia. Os jogadores que ele acreditava serem imprescindíveis. Se houvesse proposta, Leco sentava, analisava, e sempre pedia mais dinheiro. Se os clubes pagassem, levavam. Sem o menor critério.

Seu auxiliar Michael Beale ficou revoltado com a falta de respeito de Leco ao trabalho de Ceni. O britânico que comandava as categorias de base do Liverpool viu Leco pisar no planejamento do time. E preferiu ir embora. Sabia que o presidente sabotava o trabalho de Ceni.

Inexperiente, dominado pelo ego, Rogério ficou atônito. Não sabia como reagir. Apenas acreditava na palavra do gerente executivo de futebol, Vinicius Pinotti. Só que o milionário e um dos herdeiros do grupo Natura, também é um marinheiro de primeira viagem. De torcedor fanático do São Paulo, daqueles que ostentam tatuagem, Pinotti se viu dirigente, por ter emprestado dinheiro para o clube comprar Centurión. Era um sonho. Ainda mais conviver com seu ídolo maior, Rogério Ceni. Foi o responsável e organizou, com todo amor, a festa de despedida do futebol de Rogério.

3reproducao 1024x576 Marcos sempre esteve certo. Ídolo não deve ser treinador do clube onde foi amado. Mesmo despreparado, Rogério Ceni, arrogante, correu o risco. Agora, demitido, percebe o desgaste e o quanto foi usado por Leco. E o São Paulo fará proposta a Dorival Júnior ainda hoje...

E foi o maior entusiasta de sua contratação como técnico.

Pinotti, cego pela idolatria, teve a coragem de dizer que o trabalho de Rogério Ceni era inquestionável. Mesmo com as eliminações do Campeonato Paulista, Copa do Brasil e Sul-Americana. Com o time mergulhado na zona do rebaixamento no Brasileiro, ele garantiu a Ceni que ele seguiria como técnico. Reforços chegariam. E ele buscaria jogadores para fazer o São Paulo chegar à Libertadores de 2018 e, talvez, até brigar pelo título nacional.

Leco acabou com a festa dos ingênuos.

Desmoralizou as promessas de Pinotti ao ídolo Ceni.

E, inseguro que é, cedeu à pressão de conselheiros, companheiros de diretoria, das organizadas, da imprensa. Ele estava sendo muito cobrado pelo desmanche. Viu a oportunidade de desviar o foco para o 'engenheiro do fracasso' do São Paulo em 2017. E mandou embora Ceni.

Mal o técnico saiu e começaram a vazar informações para denegrir sua passagem no clube. A maneira com que pressionava os jogadores a não desrespeitar seu trabalho em entrevistas. O clima ruim que permaneceu no grupo com a demonstração de fair play de Rodrigo Caio no clássico contra o Corinthians. A insegurança dos atletas quanto à indecisão da maneira que o time deveria jogar. Mudando a cada rodada, sem a menor coerência.

Leco fez valer também sua vontade na reunião de ontem. Como já havia deixado vazar pela imprensa, vai atrás do seu técnico 'de verdade' na vaga de Rogério Ceni. Dorival Júnior. O presidente do São Paulo acredita que terá um técnico capaz de fazer o time atuar ofensivamente. Com experiência vencedora também no trabalho com jovens promessas.

O dirigente oferecerá contrato até o final de 2018, como uma tentativa de mostrar o quanto confia em Dorival. Se esquecendo de que foi o mesmo período que ofereceu para Rogério Ceni, que ingênuo, acreditou que seria cumprido.

Os jogadores já foram orientados por Pintado. Não deverão se expor. A ordem é para serem os mais discretos possíveis em relação à saída de Ceni. Lamentar, mas destacar que é algo comum no futebol. Trazer a culpa também para os atletas. E ponto final. Nada de detalhes, exageros.

53 Marcos sempre esteve certo. Ídolo não deve ser treinador do clube onde foi amado. Mesmo despreparado, Rogério Ceni, arrogante, correu o risco. Agora, demitido, percebe o desgaste e o quanto foi usado por Leco. E o São Paulo fará proposta a Dorival Júnior ainda hoje...

Como aconteceu em relação às demissões de Falcão no Internacional, a imagem de Rogério Ceni ficou muito desgastada. Atingiu até sua idolatria. Como ele está milionário, vai analisar o que fará de sua vida. Pode ir para a Inglaterra terminar o curso de treinador que largou pela metade. E assumir o óbvio, estava despreparado para comandar o São Paulo.

Ele ainda está chocado com a demissão.

Marcos tinha inteira razão.

É difícil demais um ídolo ser treinador no Brasil.

Ainda mais do time que foi amado como jogador.

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Renato Gaúcho é a grande exceção.

Mas ele mesmo já saiu do Olímpico chorando, demitido.

Romário, Falcão, Júnior, Figueroa, Dunga...

Carlos Alberto Torres, Leão fracassaram.

O São Paulo teve Leônidas, Dario Pereyra.

Rogério Ceni sempre foi arrogante, prepotente.

Talvez tenha sido a chave do sucesso como goleiro.

Mas essas características não bastaram como técnico.

Foi traído por Leco e, sem querer, pelo fã obcecado Pinotti.

Não percebeu seu próprio despreparo.

Pensou que, como maior ídolo, estava acima do bem e do mal.

Não estava.

Que venha Dorival, especialista em velórios de treinadores demitidos...
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