Marco Aurélio Cunha, o pivô da queda de Emily. Os bastidores da demissão da técnica da Seleção
Marco Aurélio Cunha.

O coordenador é acusado de maneira aberta pela ex-técnica da Seleção Brasileira de Futebol. Emily Lima deixa claro que foi ele quem articulou sua queda da Seleção. A primeira mulher a comandar o Brasil teria caído porque Marco Aurélio desejava trabalhar novamente com um homem. E que deseja o retorno de 'seu amigo' Osvaldo Alvarez à Seleção.

"Eu já imaginava que isso fosse acontecer. Não pelos resultados em si, como alegaram, mas pela falta de respaldo da coordenação técnica. Num tive esse respaldo do Marco Aurélio (Cunha, coordenador de futebol feminino da CBF). Já entrei com ele contra mim. Então, foi complicado. Busquei resultados do Vadão (ex-treinador)...foram vários negativos...3 a 0...4 a 0... mas no caso dele, isso nunca importou.

"Quando eu entrei, o planejamento sempre foi trabalho de longo prazo. Mas logo no começo desses dez meses vi que seria bastante difícil porque o coordenador é os olhos do presidente. O Marco Aurélio nunca disse que era contra mim e vai continuar negando, mas tenho informações de dentro da CBF."

As declarações de Emily são pesadas.

O celular de Marco Aurélio está desligado.

As versões para a saída da treinadora convergem para o mesmo rumo. A disciplina rígida que ela resolveu impor à Seleção. Emily sabia que estava reconstruindo a Seleção tendo como meta a Olimpíada de 2020, no Japão. E que tinha nas mãos um grupo que sempre foi muito protegido. Os homens que treinaram o Brasil sempre tiveram um comportamento paternal.

Emily foi direta com Marco Polo del Nero. Iria reformular a Seleção. O time não poderia mais depender de Marta. A jogadora terá 34 anos na Olimpíada de Tóquio. Agora, aos 31 anos, ela já não consegue mais manter o nível de excelência que tinha há quatro, três anos atrás. E a técnica pediu a Marco Polo amistosos e torneios contra seleções fortes.

"Para o time sofrer, criar casca", como ela dizia. Seria muito fácil, seguir jogando contra rivais fracos. Goleando os times da América do Sul. E depois chegar com uma imagem distorcida nos grandes torneios.

O começo foi instigante. Sete jogos e sete vitórias. A conquista do Torneio Internacional de Manaus, em dezembro, quando venceu a Itália na fase de grupos (3 x 1) e na final (5 x 3), e as últimas duas partidas, as primeiras disputadas fora de casa , em junho: em Madri, uma virada por 2 x 1 contra a Espanha; e, em Reykjavik, a vitória por 1 a 0 diante das islandesas. Antes, 6 x 0 contra a Costa Rica, 4 x 0 diante da Rússia e o 6 x 0 em cima da Bolívia.

Tudo começou a despencar em julho, quando o Brasil, desfalcado, por não ser data-Fifa, perdeu para as alemãs por 3 a 1, em Sandhausen, Alemanha.

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Depois veio o torneio das Nações. O Brasil empatou em 1 a 1 com o Japão, perdeu para os EUA por 4 a 3, depois de estar vencendo por 3 a 1, e para as australianas por 6 a 1. Essa goleada aconteceu porque Emily resolveu fazer testes, já que o time estava eliminado da competição. Conversou com Marco Aurélio Cunha. Pediu que avisasse Marco Polo. A resposta que teve de Cunha foi que não haveria problemas em caso de derrota. Só que ninguém esperava o massacre por 6 a 1.

Vieram dois amistosos e outras duas derrotas para as australianas. 3 a 2 e 2 a 1, com partidas parelhas, equilibradas. Nelas, Emily não fez testes.

Mas ela sabia que Marco Aurélio Cunha iria brigar pela sua demissão. Ela sentia a rejeição de Cunha. E a vontade do coordenador em voltar a trabalhar com homem à frente da Seleção. Era algo claro.

E não só Emily percebeu.

As jogadores sentiram que ela seria demitida.

E fizeram uma reunião ainda na Austrália.

Tentaram se antecipar à manobra por sua demissão.

Mandaram uma carta para Marco Polo del Nero.

Rosana e Cristiane foram as articuladoras do movimento.

Este é o texto.

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Mas não houve salvação.

Del Nero preferiu ficar com Marco Aurélio.

A tendência enorme é que um homem volte a comandar as mulheres.

O favorito é Vadão.

Aliás, algo importante.

Emily não ganhava no comando da Seleção nem um terço do salário de Vadão.

Ela está arrasada com a demissão.

Não quer trabalhar mais no Brasil.

Já foi sondada pela Seleção Colombiana.

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E tem ligações com clubes europeus.

A postura de Marco Polo Del Nero não poderia ser mais seca.

Publicou um comunicado oficial.

"Após reunião realizada na manhã desta sexta-feira (22), a Confederação Brasileira de Futebol informa o desligamento da técnica Emily Lima do comando da Seleção Brasileira Feminina. A CBF agradece a treinadora pelo trabalho realizado neste período, desejando sucesso em sua próxima jornada."

Marco Aurélio, o vitorioso no duelo com Emily, seguia com o celular desligado. Antes, falou à ESPN, rebatendo Emily.

"Dei todo respaldo possível. Às vezes o trabalho tem que ser mais calculado, grau de exigência mais calculado, e quem tem 39 anos de futebol tenta auxiliar", dizendo que fora deixado de lado nas decisões da técnica.

Agora isso não se repetirá.

O Brasil não tem mais Emily Lima.

Acabou em dez meses o comando da Seleção por uma mulher.

Até as jogadoras sabem: homem está a caminho.

O grande favorito é Vadão, que fracassou na Olimpíada...

(Na CBF, Marco Aurélia Cunha, ironizou as acusações de Emily. "Quem sai sempre culpa alguém"...)
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