gettyimages Luxemburgo no Flamengo. Seleção na mente. E sanguessugas no pescoço...

Os sanguessugas de Vanderlei Luxemburgo estão em festa.

De um jeito torto, o sonhado plano de vê-lo na Seleção na Copa de 2014 está em ação.

Depois que Luís Álvaro ganhou a eleição no Santos, ele despachou o cabo eleitoral de Marcelo Teixeira.

Sem choro nem vela.

Grande amigo pessoal de Ricardo Teixeira, o treinador sabia que o presidente da CBF lhe deve um enorme favor.

Na CPI do Futebol, em 2000, Luxemburgo teve a sua cabeça cortada do comando da Seleção.

Caiu pelo vexame da Seleção Olímpica.

Mas sabe que sua saída desviou o foco da imprensa.

Diminuiu, e muito, a fome dos jornalistas.

Um grande peixe perdeu o maior cargo entre os treinadores do mundo.

Ele aceitou a demissão, se calou.

Em nenhum momento fez escândalo.

Aceitou, defendeu lealmente Ricardo Teixeira.

O presidente da CBF ficou eternamente grato pelo gesto do amigo.

Com o passar dos anos, a carreira de Luxemburgo foi despencando.

Depois do Brasileiro de 2004, nada mais representativo ele ganhou.

Apenas estaduais que servem de pré-temporada no País.

As demissões se sucederam.

As saídas dos clubes cada vez mais deprimente.

Palmeiras, Santos e Atlético Mineiro.

Ele aceitou trabalhar em Belo Horizonte porque não as portas estavam fechadas para ele nos grandes clubes paulistas e cariocas.

Foi com a determinação de aproveitar a popularidade do Atlético Mineiro.

Clube sem conquista de Brasileiro desde 1971.

"Quero fazer história por aqui", declarou na sua chegada.

E fez mesmo.

Foi demitido depois de uma derrota por 5 a 1 diante do Fluminense.

O caro time que montou com o dinheiro do clube e do BMG foi um fracasso.

Luxemburgo estava levando o clube para a Segunda Divisão.

Foi devidamente demitido pelo presidente Alexandre Kalil.

Por telefone.

Sua estratégia de conseguir um grande título para o Atlético Mineiro e, de lá saltar para um clube importante do eixo Rio-São Paulo, parecia ter fracassado.

Mas para o bem ou para o mal, Luxemburgo tem estrela.

Zico já lhe havia convidado para assumir o Flamengo.

Parecia o roteiro sem imaginação de um dos filmes de Stallone.

A redenção logo no lugar mais desejado, na manjedoura onde nasceu.

No sagrado Flamengo.

Luxemburgo logo se esqueceu das duas passagens fracassadas por lá.

E aceitou.

Os sanguessugas e pessoas que vivem de adular a sua personalidade comemoraram.

E repetiram em coro o mesmo mantra que quase acabou com sua carreira.

"Você é o melhor treinador do universo."

Ele acreditou.

Esses vampiros estão mais felizes do que o próximo ganhador da megasena.

Para eles, Luxemburgo não só salvará o Flamengo.

O clube da Gávea será o trampolim para a Seleção Brasileira.

Seu contrato vai até o final de 2012.

Ano fundamental para a permanência ou não de Mano Menezes.

Ano de Olimpíada de Londres.

A derrota pode ter conseqüências.

Abrir a possibilidade de cobrar a dívida com Teixeira.

O marombado Stallone já estaria esfregando as mãos ao escrever esse roteiro de quinta categoria.

Basta Mano Menezes fracassar.

E o Flamengo fazer campanhas maravilhosas.

Adivinhe quem os sanguessugas já estão vendo com o agasalho verde e amarelo?

Isso é péssimo para quem ainda nem começou seu trabalho na Gávea.

Ele chega com o espaço de um manager.

Poderá comprar, vender e construir um Centro de Treinamento.

Mas antes de tudo, precisará fazer o que parece haver esquecido: ganhar jogos e títulos importantes.

Esperta, a diretoria do Flamengo não permitiu que ele levasse à Gávea a maior Comissão Técnica do Brasil.

E também a mais cara.

Apenas Antônio Mello, preparador físico da velha caixa de areia.

E como auxiliar, o filho de Antônio Lopes.

O destino colocou Luxemburgo na encruzilhada.

Ou ele recupera o respeito como treinador de ponta.

Ou se afunda de vez.

Fica taxado como treinador decadente, que perdeu o encanto.

Fascinado com o pôquer.

Sua única saída seria seguir os passos de gente importante da tevê.

Tentar a política.

Quem sabe consiga brigar pelo Senado do seu amado Tocantins?

Para vencer uma eleição não é preciso ganhar campeonato nenhum.

Muitas vezes, nem ler ou escrever.

Ler, Luxemburgo sabe bem.

Principalmente as últimas rescisões de contrato.

As que sacramentaram suas seguidas demissões...

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