111 1024x683 Lucas Lima e Ricardo Oliveira foram fundamentais no clássico. E o Santos acabou com a invencibilidade do Corinthians no Paulista. Vitória tranquila por 2 a 0, na Vila Belmiro...
Duas certezas do clássico na Vila Belmiro. A primeira é que Tite não consegue encaixar seu sistema de marcação em Lucas Lima, o melhor jogador do Brasil. E a outra. Ricardo Oliveira superou o trauma por perder os milhões da proposta chinesa. As duas combinações acabaram a invencibilidade do Corinthians no Campeonato Paulista. O Santos fez o que quis com o Corinthians. Venceu por 2 a 0. Mas poderia ter marcado ainda mais gols. Foi sua melhor partida em 2016.

Das últimas 14 clássicos entre os dois clube, o do Parque São Jorge só venceu uma. Onze vitórias santistas e dois empates. O que mostra a força da Vila Belmiro nos confrontos.

"Está no meu sangue. Não existe isso de desmotivação. Nunca vou entrar para jogar sem dar o meu melhor. Respeito a minha carreira. E o Santos. ", garantia Ricardo Oliveira.

"O Ricardo não precisa dar resposta a ninguém , torcida conhece qualidade e profissionalismo dele. Única coisa que lamento é que toda situação criada com a possível saída. Fico feliz pelos gols, mas mais feliz ainda pelo rendimento. O Ricardo quando está focado produz e faz a equipe produzir", admite Dorival Júnior.

A motivação do capitão do Santos foi fundamental no clássico. A direção do clube sabia de sua decepção com a recusa em negociá-lo com o Beijing Guoan. Ele deixou de ganhar R$ 1,4 milhões mensais. Continuou com os mesmos R$ 150 mil. O reserva Cristian do Corinthians, ganhar R$ 500 mil. Os jogadores pediram para os dirigentes e eles articulam um aumento para o atacante da Seleção de Dunga. Estará muito longe da proposta milionária. Mas devera servir como reconhecimento a Ricardo Oliveira, melhor atacante do país.

A postura de Ricardo Oliveira mudou. Não graças ao dinheiro a mais que receberá. Mas pelo apoio dos companheiros e pela convocação de Dunga. Sua motivação hoje foi bem diferente do domingo passado, quando o Santos foi facilmente derrotado pelo Red Bull, em São José dos Campos, por 2 a 0, há uma semana. E a personalidade do atacante de 35 anos tem influência marcante no time.

O Corinthians foi para o clássico com jogadores importantes poupados. Felipe, Guilherme, Giovanni Augusto e Rodriguinho. Fora Elias, que o departamento médico está fazendo tratamento intensivo. Quarta-feira, o time enfrenta o Cerro Porteño pela Libertadores. O confronto é no Paraguai. Tite precisava preservar seu principal zagueiro e ainda atletas que estão longe do auge do condicionamento físico.

O treinador corintiano detesta jogar na Vila Belmiro. Não só pelas cusparadas que recebe dos torcedores. Mas pela força do Santos, que encara o time do Parque São Jorge como seu maior rival. Muitas vezes, além da rivalidade, a diretoria santista reserva premiação especial em caso de vitória contra os corintianos.

Tite sabia que iria passar por um sufoco. E tratou de mudar seu esquema tático. Além dos desfalques, ele tinha como obsessão travar Lucas Lima. Sabia que ele era o fator desequilibrante santista. E o técnico decidiu que não respeitaria o seu tradicional 4-1-4-1. Iria testar o 4-2-3-1. Com dois volantes, Bruno Henrique e Willians para tirar o espaço do meia.

O primeiro

Só que até os sorveteiros da Vila Belmiro sabiam que o Corinthians faria algo parecido. E Dorival Júnior foi muito esperto. Fez Lucas Lima se posicionar entre os zagueiros e os dois volantes, que marcavam adiantados, no meio de campo. Tite insistiu nos seus princípios. Mas até Guardiola, Luis Enrique e os grandes treinadores do mundo, de vez em quando, mandam um jogador de marcação se incumbir de perseguir o melhor jogador do adversário. Tite, não. Respeita a marcação por setor. O que foi fatal para o seu time.

Dorival segue fiel aos seus princípios. Principalmente quando o Santos atua na Vila Belmiro. Coloca seu jovem time marcando forte na intermediária adversária. Solta seus laterais. E explora ao máximo os jogadores técnicos. Exige troca de passes, movimentação constante do meio para a frente. Dá a Lucas Lima espaço para exercer sua maestria. Dar o ritmo ao time. Flutuando na intermediária. A marcação frouxa de Bruno Henrique e Willians foi cúmplice para uma exibição sensacional do meia da Seleção. O melhor jogador dentro do território nacional.

O Santos não demorou mais do que oito minutos para mostrar a que veio. Jogada maravilhosa. Daquelas que o curso de treinadores da CBF deve guardar. E mostrar aos seus alunos. O goleiro Vanderlei rolou a bola para Renato, o veterano volante descobre Lucas Lima, às costas de Bruno Henrique. Ele desce e serve para o eficiente Serginho. No ponto futuro, como dizia o falecido treinador Claudio Coutinho. O garoto bate forte, Cássio rebate. A bola procura o artilheiro Ricardo Oliveira, livre. 1 a 0, Santos.

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O Corinthians tinha grave deficiência na armação de sua jogadas ofensivas. Danilo, Lucca e Romero davam a alma. Mas não conseguiam fazer a bola chegar em Luciano. Faltava talento. E entrosamento. Acabaram presas fáceis da marcação santista.

O volume de jogo da equipe de Dorival continuou muito maior. Teve 58% de posse de bola. Lucas Lima demonstrando como um meia talentoso deve atuar. Ainda mais sem marcação. O Santos perdeu algumas chances importantes. 1 a 0 foi placar modesto demais para a primeira etapa. Vale registrar que o Corinthians foi leal ao extremo. Não fez sequer uma falta. Em compensação, chutou apenas uma bola a gol, com Danilo.

No intervalo, Tite trocou Romero por Alan Mineiro. Mas a tônica do jogo prosseguiu a mesma. O treinador corintiano não corrigiu a falha fundamental no seu esquema. E Lucas Lima seguiu desequilibrante. Se Gabriel não estivesse em uma tarde tão ruim, desperdiçando dois gols fáceis, o Santos golearia.

Mas viria o segundo e definitivo gol. Aos 39 minutos, Alan Mineiro, sem ritmo, perdeu para Paulinho. Ele imediatamente passa para Ricardo Oliveira. Iago tentou o bote desesperado, tomou a bola entre as pernas, e viu o frio atacante marcar seu segundo gol. 2 a 0, acabava com o clássico.

As torcidas santistas e corintianas se juntaram. Com faixas, protestaram contra a Federação Paulista de Futebol, contra o preço dos ingressos. E contra o monopólio do futebol da TV Globo.

Desta vez, a emissora carioca não mostrou...
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