a120 Lance Armstrong. A confissão do homem que desmoralizou o ciclismo e os Estados Unidos. Foi tratado como herói. Nunca passou de um farsante dopado. Acabou o conto de fadas...
Foi o final de uma das histórias mais lindas do esporte.

O que seria fábula ficou provado se tratar de farsa.

Lance Armstrong finalmente confessou.

Se dopou em todos os anos que ganhou a Volta da França.

"Tinha acesso a coisas que melhoravam muito meu desempenho como atleta.

Meu coquetel era muito simples.

Usava um pouco de EPO, transfusões de sangue e testosterona."

EPO é o hormônio Eritropoietina.

Foi além.

Usou doping em todas as sete voltas da França que ganhou.

Admitiu que sem as drogas não teria vencido nenhuma delas.

Lance escolheu a apresentadora de maior prestígio mundial para a revelação.

Falou a Oprah Winfrey.

O programa Oprah's Next Chapter foi gravado.

E exibido ontem à noite.

O mundo esperava pela confissão.

A revelação desaponta todos os Estados Unidos.

Lance Armstrong era um dos maiores ídolos da história do esporte do país.

E o maior ciclista da história.

Até a descoberta do seu doping.

Filho de país separados, a mãe se sacrificou.

Trabalhou para que o filho pudesse ser atleta.

E Lance chegou a ganhar provas de triatlo infantil.

Como se destacava no ciclismo, mergulhou de cabeça.

Foi ser ciclista.

Estava indo muito bem quando teve um câncer nos testículos.

A situação foi dramática.

Médicos chegaram a afirmar que tinha apenas 40% de chances de sobreviver.

Fez um tratamento terrível, mas conseguiu.

Não só viver como o que parecia impossível.

Voltar a competir.

E ganhar.

Venceu a Volta da França, competição mais importante do mundo, por sete vezes.

Teve três filhos, dois vieram de semen congelado antes de começar o tratamento para o tumor.

Com as vitórias passou a ser um dos atletas com maiores patrocínios do mundo.

Rico, criou uma fundação para o combate do Câncer.

Sua biografia, "Vontade de Vencer, a Minha Corrida contra o Cancêr" virou best seller.

Lance se transformou em referência do esporte no planeta.

Só que a história perfeita ruiu.

Os boatos já eram imensos.

E davam conta que Lance com a ajuda de médicos teria usado o doping para vencer.

Teria conseguido profissionais tão capacitados que esteve sempre à frente dos exames antidoping.

Mas tudo começou a desmoronar quando o jornal francê L'Equipe cravou que ele usou doping para vencer em 1999.

A denúncia aconteceu em 2005.

Esses seis anos de diferença foram fundamentais.

Só assim laboratórios puderam pegar o EPO que havia usado tanto tempo antes.

Foi um escândalo.

E havia até quem o defendesse, já que o EPO não era conhecido em 1999.

Sendo assim não poderia ser considerado doping.

Lance negou a acusação e se declarou perseguido por ter vencido tanto.

Só que a pressão foi aumentando com o passar dos anos.

Até que em 2011, vários parceiros seus confessaram que ele se dopava.

As confissões fizeram com que até o FBI entrasse na investigação.

O ciclismo estava desmoralizado.

Muitos jornalistas foram descobrindo o que classificaram como acomodação do esporte diante do doping.

A resposta veio na cassação de medalhas e vitórias anuladas de Lance.

Entre elas, lógico, as sete vitórias da Volta da França.

Ele acabou banido do ciclismo.

Perdeu patrocínios milionários.

O estádio de Kansas City pagou R$ 400 milhões para ter o nome Livestrong Living Park.

O dinheiro ia para a fundação do ciclista que combate o cancêr.

Seu casamento acabou, a esposa ficou com os três filhos.

Até que veio a revelação, a confissão de Armstrong.

Ela já não surpreendeu ninguém.

Mas os americanos aprenderam a lidar com Lance.

E jornalistas garantem que a confissão tem um objetivo.

Conseguir que dispute provas de triatlo e maratonas.

Sua confissão é tão importante que coloca em xeque a continuidade do ciclismo nas Olimpíadas.

Lance foi medalhista em 2000.

O Comitê Olímpico Internacional está exigindo a medalha de volta.

O que fica dessa história é a modernidade dos laboratórios.

A agilidade com que drogas dopantes são fabricadas.

Muito mais rápidas do que são detectadas.

Fica também a triste constatação.

No mundo moderno, não há lugar para conto de fadas.

Os Estados Unidos acordam humilhados nesta sexta-feira.

A nação mais desenvolvida do mundo venerou um trapaceiro.

A cada vitória, a ansiedade pela próxima.

E o mergulho em novas drogas.

"Eu não me sentia trapaceando", afirma, sem o menor constrangimento.

Não passa de um grande farsante.

Lance Armstrong desmoralizou o ciclismo mundial.

E que confessa agora por interesse, como é a marca registrada da sua vida.

A pose de herói, de símbolo da superação, acabou de vez.

Ele nunca passou de um mentiroso, falso.

Ídolo de barro, recheado de doping...

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