47 Kazim fez um coro dominar Itaquera. É campeão, é campeão, é campeão
Colin Kâzım-Richards. Ou Kazim, para a torcida corintiana. O peito estufado do Gringo da Favela garantiu mais três pontos fundamentais para o Corinthians. O gol garantiu a vitória contra o Avaí, na Arena Itaquera. Resultado que deixa o time de Fábio Carille a 'centímetros' do heptacampeonato brasileiro. Basta o Grêmio não vencer Vitória ou São Paulo. E novo triunfo corintiano contra o Fluminense, na quarta-feira e o Brasileiro de 2017 já terá dono, com três rodadas de antecedência.

Por isso, um coro dominou a arena ao final do jogo.

"É campeão. É campeão. É campeão..."

Foi uma festa para os mais de 43 mil corintianos que lotaram a arena.

O time chegou a invejáveis 68 pontos. Foi a vigésima vitória do Corinthians em 33 jogos. A décima por 1 a 0.

A partida contra os catarinenses foi tensa, nervosa. Carille não queria dar a mínima chance para uma surpresa. Seu time mostrou muito nervosismo, principalmente no primeiro tempo. E forçou cruzamentos inócuos da intermediária, que só facilitou o trabalho da defesa do retrancado Avaí. A tensão já dominava arena, quando logo aos três minutos do segundo tempo. A bola sobrou para Guilherme Arana. O cruzamento foi forte, enviesado. Kazim se antecipou a Fagner Alemão. E meteu o peito na bola, surpreendendo o ótimo goleiro Douglas Friedrich. Ele só atuou porque Jô estava suspenso. Foi apenas o seu 13º jogo no Brasileiro. Ficou 20 fora.

A comemoração misturou raiva, vibração, desabafo. O inglês naturalizado turco correu e arrancou o 'pau de escanteio'. Aproveitou que ele era enfeitado com a bandeira corintiana. E Kazim o ergueu para os torcedores, que adoraram o gesto.

"Eu quero dedicar esse gol para o Wilson e para o Walter, que se machucaram. Foi muito difícil para mim, principalmente nos primeiros 20 minutos, porque não tenho ritmo. Porque o Jô joga para ca... Quer dizer, joga muito. Este ano foi difícil para mim, porque não joguei muito. A Inglaterra não tem torcida. Eles só ficam batendo palmas. Aqui não. As pessoas não tem comida em casa, mas paga ingresso. E estão aqui vibrando. Isso é torcer", dizia, empolgado, Kazim.

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Vacinado por derrotas contra Vitória e Atlético Goianiense, times mais fracos que venceram por um gol de contragolpe, Carille tratou de organizar o Corinthians. Mesmo sabendo que seu time está avançado na reta final para ser heptacampeão, ele tratou de usar o bom senso. Não queria sua equipe entrando na euforia da torcida. E orientou os atletas para trocarem bola, terem calma. Buscar o gol, mas sem se escancarar atrás.

Sem Jô, Kazim seria a referência na frente. Jogador carismático, identificado com a torcida, pela garra, disposição. Troca a técnica, que não tem, pela vontade. No momento, com o time entrosado, serve. Mas não pode ser o titular da equipe, caso realmente Jô seja negociado no final do ano.

Claudinei Oliveira tratou de montar sua equipe de maneira compacta, fechada. Espelhada com a corintiana. 4-1-4-1 dos dois times. O que se viu foi uma luta na intermediária. Carille exagerou e jogou o primeiro tempo com dois volantes, Gabriel e Camacho. Não precisava. Os catarinenses não saíam do seu campo. Queriam contragolpear em velocidade, não em toque de bola. Até porque seu elenco é fraco.

No primeiro tempo, o Corinthians se deixou levar pela ansiedade da torcida. E seus jogadores forçaram cruzamento da intermediária. Os malfadados 'chuveirinhos'. Eles pegavam os zagueiros de frente e os atacantes corintianos, de costas. Ou seja, a zaga do Avaí levava toda a vantagem.

Clayson era titular e seus dribles eram importantes para abrir a defesa. E Romero era o atacante mais decidido a marcar. Tentou, de forma afobada, quatro arremates. Com outros companheiros livres, o que irritou, por exemplo, Rodriguinho.

O Corinthians falhava pela falta de tranquilidade para fazer as triangulação e usar as laterais do campo, a linha de fundo para cruzar com muito mais perigo as bolas para a área do Avaí. O 0 a 0 na primeira etapa não foi placar, foi nota.

Para o Avaí, era excelente sair de Itaquera com o 0 a 0. Ao Corinthians, seria frustrante. Carille deixou seu exagerado bom senso de lado. Tirou Camacho e colocou Jadson, para ajudar Rodriguinho, outra vez mal, na armação das jogadas. A ordem era abrir, espalhar o time no ataque, na busca do gol. Arana e Fagner também tiveram salvo conduto para atacar.

E logo deu resultado, os ataques bem coordenados pelas pontas. Foi da esquerda que Arana cruzou forte, rasante, na primeira trave. Alemão estava pronto para despachar a bola, quando Kazim surgiu como um raio. Estufou o peito e com ele empurrou a bola para as redes de Douglas. Aos três minutos, o Corinthians marcava seu fundamental gol. 1 a 0.

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A equipe de Carille seguiu com o domínio do jogo, só que os catarinenses adiantaram a marcação e os contragolpes já eram em bloco. A defesa corintiana era testada. E em cruzamentos e arremates de longe, o jovem goleiro Caíque, que atuou no lugar de Cássio, que está na Seleção.

O Corinthians foi se enervando ao final do jogo e o Avaí pressionou nos últimos dez minutos de jogo. A ponto de deixar apreensiva a torcida. A tensão refletia em campo. Mas Balbuena e Pablo estavam outra vez firmes. Gabriel também foi bem protegendo a entrada da área. E Caíque foi preciso e corajoso para cortar cruzamentos na área.

Foi suado, mas o Corinthians ganhou. Deu mais um passo importantíssimo para o título.

"O jogo me preocupava muito pela questão de intensidade, pelo que foi a semana, final de ano, final de campeonato, pelos jogos contra Palmeiras e Atlético-PR... E realmente acabou acontecendo, vimos jogadores não dominando muito bem as bolas, isso mostra isso. Foi um passo importantíssimo para o título. Sei que nossa vantagem aumenta porque é uma rodada a menos e vamos manter oito pontos de vantagem no mínimo", dizia Carille, sem assumir a situação absolutamente privilegiada.

O treinador sabe mas não pode dizer a posição corintiana.

A frase ficou então para os torcedores que gritavam entusiasmados.

"É campeão. É campeão. É campeão"...

Quem pode negar?
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