13 Justiça do Rio de Janeiro volta atrás e Flamengo e Vasco terão suas torcidas na semifinal. Mas em Volta Redonda. A torcida única vai acabar prevalecendo no Rio, como já impera em São Paulo. A Segurança Pública assume sua falência...
"A decisão suspendeu parcialmente a liminar e o jogo será em Volta Redonda com duas torcidas. A culpa disso foi a falência da segurança pública. A PM não garante nenhum jogo, nem mesmo Fluminense e Madureira no Nilton Santos (Engenhão). A polícia não dá segurança, se desse segurança estaria tudo certo. O Vasco está se isentando de responsabilidade. Toda a segurança do torcedor, segurança no trajeto, não pode ser tratada de uma hora para outra."

Assim, de maneira direta, Eurico Miranda foi a figura chave de mais uma dia vexatório para o futebol brasileiro. O presidente do Vasco, que tanto brigou para evitar torcida única nos clássicos do Rio de Janeiro, disse publicamente hoje o que todo o país já sabe. A segurança pública está falida. E, como Pôncio Pilatos, lavou as mãos. "O Vasco está se isentando de responsabilidade."

Como assim, se isentando?

A patética trajetória que levou a semifinal do Primeiro Turno do Campeonato Carioca, espertamente batizado de Taça Guanabara para ser mais valorizado, até Volta Redonda tem total participação de Eurico Miranda. Dele e do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello. Graças a estas duas pessoas, não haverá torcida única na semifinal.

Como acontece, por exemplo, em São Paulo.

Assim como aconteceu na capital paulista no ano passado, a Justiça Carioca tentou agir. O juiz Guilherme Schilling, do Juizado Especial do Torcedor e dos Grandes Eventos do Rio determinou há cinco dias. A partir da sexta-feira, dia 17, apenas torcida única nos jogos envolvendo Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco.

A gota d'água que fez o juiz Guilherme agir foi a morte de Diego Silva dos Santos. Ele era membro de uma torcida organizada do Botafogo. Ele foi morto depois de um conflito envolvendo botafoguenses e flamenguistas, no último domingo. De acordo com denúncias que chegaram ao Ministério Público, a Polícia Militar carioca, que reivindicava maiores salários, chegou atrasada de propósito ao Engenhão. E proporcionou o encontro entre as organizadas rivais antes do jogo.

Hoje troca de tiros.

Oito pessoas feridas.

E Diego foi morto.

Mas não por um tiro.

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Mas de maneira cruel, absurda, um espeto de churrasco perfurou seu peito. Situação absurda, surreal. E que mostra até onde chega a selvageria dos vândalos que infestam toda torcida organizada do país.

Pois bem.

Bastou o juiz anunciar torcida única no Rio de Janeiro e os dirigentes e mais a Federação quase entraram em coma. Usaram os veículos de comunicação para pressionar o governo e mobilizar a sociedade para que a medida não entrasse em ação. Ainda mais às vésperas da semifinal do Primeiro Turno do Campeonato Carioca. E envolvendo Vasco e Flamengo.

Para qualquer jornalista esportivo seria absurdo defender torcida única. A graça do futebol é a rivalidade. Metade do estádio de uma cor e a outra de outra. Quando um time marca, a vibração é ensurdecera, eufórica de um lado. E do outro, silêncio de cemitério. Ou seja, esse teatro que o futebol proporciona é sensacional. A disputa em campo pelo doce sabor da vitória, a fuga da amargura da derrota.

Só que há anos que isso se tornou utópico no Brasil.

A não ser que seja jogo de Copa do Mundo, com a imagem do país em risco. Como foi em 2014, quando tanques e soldados invadiram as ruas. E garantiram a segurança das partidas. Reza a lenda que teria havido um acordo com traficantes e facções criminosas para que durante o Mundial nada acontecesse. Verdade ou fantasia, quem teve a chance de acompanhar a Copa do Mundo de 2014 pôde se sentir em outro país.

Mas bastaram os soldados e tanques saírem das ruas e voltarem para os quartéis e a insegurança voltou. Foi a senha para os vândalos das torcidas organizadas voltarem a mostrar sua selvageria, violência.

São Paulo optou por torcida única no ano passado.

Movido à comoção pela estúpida morte de José Sinval Batista de Carvalho,de 53 anos. Seu pecado foi andar na calçada, perto da estação de trens da CPTM, em São Miguel Paulista. José não adivinhou que torcidas organizadas do Palmeiras e Corinthians trocariam tiros. E ele, que não tinha nada a ver com o confronto, tomou um tiro no peito e perdeu a vida.

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Desde aquela briga no dia 3 de abril, São Paulo vive a rotina de torcida única. A Secretaria de Segurança Pública paulista assumiu a incompetência de proteger torcedores de dois clubes indo para o jogo. Aliás, já era uma situação patética. Porque com o mandante dando apenas 10% dos ingressos ao visitante, invariavelmente, eram as organizadas que assistiam o confronto. E vinha a cena ridículo de cem, duzentos, trezentos policiais dando escolta a vândalos que cantavam jurando violência contra a própria PM. Bizarro.

Com a torcida única a preocupação, pelo menos nos estádios e cercanias dos estádios, diminuiu. O vandalismo segue nas estações de trens, as tocais nas estradas, nos bairros. Nos estádios, não.

A situação do futebol carioca financeiramente é caótica. Bem pior do que o futebol paulista. Isso fez com que inimigos radicais quanto Eurico e Eduardo Bandeira de Mello virassem aliados de última hora. Com a cumplicidade do presidente da Federação Carioca, Rubens Lupes, Vasco e Flamengo lideraram a pressão pela reviravolta. Que o juiz Guilherme Schilling voltasse atrás.

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Afinal, dentro da balbúrdia que é o Campeonato Carioca, a cidade mineira de Juiz de Fora se recusou a sediar Flamengo e Vasco. Preferiu seu carnaval no sábado. Uma vergonha. Times cariocas já fariam a semifinal do Rio de Janeiro em Minas. A Prefeitura de Juiz de Fora assumiu que não teria como policiar o carnaval e o clássico.

Eurico, Bandeira e Rubens conseguiram uma audiência especial no Tribunal de Justiça do Rio. E depois de seis horas de apelo, a liminar que previa torcida única para o clássico da semifinal caiu. Tanto flamenguistas como vascaínos poderão ir ao jogo antes da folia. Mas a partida não será no Engenhão como desejavam os dirigentes. Será em Volta Redonda, onde o trabalho da polícia será facilitado.

No Engenhão, Fluminense e Madureira, sem risco algum, também no sábado.

A decisão foi provisória.

A vitória foi de Pirro.

Os dirigentes não vão ganhar o dinheiro que sonhavam.

O 'clássico dos milhões' foi restrito para o acanhado Raulino de Oliveira, com capacidade para 21 mil pessoas. Isso porque o Maracanã está criminosamente fechado. A polícia carioca assumiu não ter capacidade para cuidar de um público três vezes maior no Engenhão e também do Carnaval.

A torcida única no Rio é uma questão de tempo.

Solução paliativa.

Um país onde as pessoas se matam com espeto de churrasco, o problema é muito maior.

Está na impunidade.

Na frouxidão da sociedade com os criminosos.

Eurico Miranda finalmente merece ser aplaudido.

Descobriu depois de décadas que a Segurança Pública está falida.

E não tem competência para cuidar de duas torcidas nos clássicos.

Simples e doloroso assim.

Do lado esportivo, outro vexame.

O Estatuto do Torcedor exige que os jogos sejam marcados, com lugares definidos, vendas de ingressos, com no mínimo de 72 horas antes. Não será assim com Flamengo e Vasco.

As leis no Brasil foram feitas para serem burladas...
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