julio Júlio César. De reserva do reserva à inédita unanimidade...

Em Weggis, na Suíça, quando percebeu que não teria a menor chance nem de brigar pelo banco de reserva, Júlio César teve uma atitude inesperada.

Ele tratou de se aprimorar 'na linha'.

Na bagunça que foi a preparação final para a Copa de 2006, sua diversão na maior parte dos treinamentos era tentar fazer gols de voleio em Dida e Rogério Ceni, os preferidos de Parreira.

Sempre com um boné ao contrário na cabeça, como um Golias dos tempos modernos.

E foi um fantasma no Mundial.

Na correria dos repórteres pela maior matéria, ninguém lembra do terceiro goleiro da Seleção Brasileira.

E não adiantava falar que ele havia conseguido a posição na Inter de Milão, desbancando o ídolo Toldo.

"Não vende, ninguém quer ler sobre o Júlio César", falava o meu editor na época, diante da minha sugestão sobre a estranha situação do goleiro de um dos maiores clubes do mundo.

A matéria não foi feita, lógico.

Meu editor não era o único com uma visão de pequeno alcance.

Copa do Mundo é assim mesmo, por isso a repetição de tantas matérias iguais nos vários veículos de comunicação.

Mas os tempos são outros.

Agora posso falar de Júlio César.

Depois de entrevistá-lo algumas vezes, a impressão que ele passa é de uma pessoa corajosa, diferente.

A coragem já começou no seu casamento com Susana Werner.

No mundo machista do futebol, ele assumiu o relacionamento sério com ex-namorada de Ronaldo, que viveu com ele na Itália.

Esse é um tema vetado, evidente, para quem pretende conviver bem com Júlio César.

Ele está certo, preserva a família com raiva.

Júlio César se destacou no Flamengo pelo reflexo, explosão muscular e segurança que passava à zaga.

Não caiu na tentação fácil de se esparramar no chão com voos de malabarista a cada defesa.

Mais reservado, não empolgou pelo carisma.

"Ele foi para a Itália por causa da sua técnica apurada.

Só quem tem olho clínico percebe o quanto Júlio César é bom.

Mesmo quando está fazendo uma defesa que parece fácil para quem está assistindo.

E ele melhorou absurdamente nestes quatro anos.

Os italianos são muito criteriosos em relação ao goleiro.

Sei o que sofri no Parma.

Para o Júlio ser o titular da Inter de Milão é porque já é um dos melhores do mundo há muito tempo."

As frases foram ditas ao blog por Taffarel.

O fracasso de 2006 fez com que Dida e Rogério Ceni fossem afastados da Seleção.

Na renovação, Dunga apostou em Júlio César.

Como goleiro ele teve uma evolução espetacular de 2006 para cá.

Ganhou ainda mais confiança, personalidade, títulos e muito dinheiro.

Focou que seria não só goleiro titular da Copa da África, como campeão do mundo.

Em Londres, depois do último amistoso antes do Mundial, contra a Irlanda, Júlio César foi muito direto a uma pergunta feita pelo blog.

Júlio César, o grupo está pronto. Ou ainda há espaço para muita gente de fora?

Olha, o Dunga teve o maior critério do mundo para formar esse grupo por anos.

Acredito que não existe outra resposta a não ser que estamos fechados.

Só nós sabemos o quanto sofremos para sermos os primeiros nas Eliminatórias, ganharmos a Copa América e a Copa das Confederações.

E mais, resgatar a confiança do torcedor brasileiro na Seleção."

Júlio César fala com a força de quem sabe ser o melhor goleiro do mundo.

A própria problemática imprensa italiana gosta de dar esse apelido ao goleiro da Inter de Milão.

E ele se dá ao direito de discursar como um dos líderes do time de Dunga.

Mas Júlio César merece esse privilégio.

Poucas vezes o Brasil vai para à Copa do Mundo com tanta confiança no seu goleiro.

O tempo em que era um atacante ruim tentando fazer gols de voleio acabou.

Quem ousaria pensar em tirar a camisa de titular do gol brasileiro de Júlio César?

Neste caso é a vitória da unanimidade burra.

Ninguém no País quer outro goleiro na África sem ser Júlio César.

E rezar para que o reserva imediato, Doni, apenas assista a Copa do Mundo...

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