a12 Há 50 anos, Pelé ensinava o caminho. O melhor do mundo não improvisa. Estuda adversários, tática, entende o que está acontecendo durante o jogo. Não depende só de técnicos. Vai além. Passou da hora de Neymar acordar para a vida...

Neymar será sempre o mais cobrado na seleção.

A relação é simples.

Quanto maior o potencial, maior a cobrança.

E ela já veio forte ontem na reestreia de Felipão.

O Brasil perdeu para a Inglaterra.

E Neymar teve outra atuação frustrante.

Não importa se o time esteve mal distribuído em campo.

Que faltou força física para Ronaldinho Gaúcho o auxiliar.

Que é impossível esperar grandes tabelas e dribles de Luis Fabiano e Fred.

Que Adriano tenha se preocupado apenas em não ser tão humilhado por Walcott.

E que os ingleses o encaixotaram com o velho truque de duas linhas de quatro.

O que se esperava de Neymar contra a Inglaterra era além de sua preparação.

De sua visão de jogo.

Ele não entende ainda como argentinos, mexicanos, ingleses o travam.

Não sabe o que ocorre e nem como se livrar de duas linhas apertadas de quatro adversários.

Se acostumou a deitar e rolar em ter um jogador pela frente e outro correndo na sobra.

Por isso se deleita diante dos atrasados esquemas táticos dos clubes brasileiros.

A marcação por aqui é ultrapassada, não é levada a sério.

Marcar atrás da linha da bola é muito diferente de duas linhas de quatro.

Com elas, o jogador habilidoso fica preso como um mosca na teia de aranha.

Se não tiver companheiros para tabelar, se infiltrando, se deslocando...

Dando opções para passes pela direita e esquerda, não adianta.

Os dribles ficam inúteis porque não há espaço.

Há rivais antecipando, o marcando e na cobertura.

Sozinho, o resultado será cada vez pior.

Ele sentiu na pele o que muitas vezes Messi já passou na Argentina.

Sem entrosamento e com jogadores com menos qualidade do que ele.

A comparação que o brasileiro de 21 anos sofre é injusta.

A de que só mostra futebol contra times fracos.

Basta fazer a contabilidade.

Pelé, Messi, Cristiano Ronaldo marcaram muito mais gols contra equipes pequenas.

Muitos se esquecem que o melhor jogador do mundo foi questionado no Brasil.

Zagallo não o colocou no banco no Morumbi, alegando falta de condições técnicas?

Cristiano Ronaldo não é xingado pelos portugueses desde a perda da final da Eurocopa em 2004?

Para a Grécia, em pleno estádio da Luz, em Lisboa?

Vale demais se lembrar da participação de Messi nas Copas.

Em 2006, com 19 anos, ele marcou apenas um gol na Alemanha.

Foi contra a Sérvia e Montenegro.

E em 2010, na África do Sul, com 23 anos?

Não conseguiu marcar sequer um gol.

Neymar é a maior esperança do futebol brasileiro.

País campeão do mundo por cinco vezes.

Aos 21 anos está sob os olhares e cobrança do mundo.

Tem de se acostumar com isso.

Se preparar muito melhor.

Precisa estar mais forte psicologicamente para os grandes confrontos.

E se aprofundar em algo que vem desprezando: taticamente.

A genialidade de Pelé não foi fruto do acaso.

"Eu sempre estudei os adversários.

No meu tempo não tinha tantos recursos como hoje.

Mas aproveitava o tempo nas concentrações para levantar o que podia.

Como o time marca, quais os pontos fortes e fracos de quem iria me marcar.

Combinava jogadas com meus companheiros para furar uma retranca.

Nunca esperei só pelos técnicos, não.

Muitas vezes fiz o que achava melhor.

Porque sabia o que tinha de fazer, sem esperar ninguém me dizer."

a24 Há 50 anos, Pelé ensinava o caminho. O melhor do mundo não improvisa. Estuda adversários, tática, entende o que está acontecendo durante o jogo. Não depende só de técnicos. Vai além. Passou da hora de Neymar acordar para a vida...

As frases foram ditas logo após a conquista do Brasil em 1994.

Era o fim do jejum de 24 anos.

Pelé já dava o caminho que Neymar não enxerga.

Não há como deixar apenas para o treinador saber detalhes dos grandes inimigos.

Se quer mesmo se firmar como um dos melhores do mundo, ele precisa ter maior interesse na carreira.

Sacrificar um pouco as farras e saber como os grandes times do planeta atuam.

Como marcam, como os zagueiros, os volantes se movimentam.

Entender, sim, de tática.

Não adianta esperar que, como aconteceu na partida da Inglaterra, um treino só resolva.

E que em Wembley, o improviso o ajude.

Saber que vai enfrentar jogadores fisicamente melhores do que ele era fundamental.

Não depender de alguém que o faça entender.

Sua temporada mal começou, depois de um mês de férias e farras.

Os britânicos estão no vigor da metade da temporada.

As estatísticas são cruéis, transparentes.

Nos dois minutos e dez segundos que teve a bola nos pés, foi um fracasso.

Perdeu oito vezes a bola.

Errou dribles, arremates.

Foi quem mais errou na seleção brasileira.

Teve uma atuação fraca, apagadíssima.

Decepcionou empresários, jogadores, jornalistas do mundo todo.

Não teve força nem para enfrentar Ronaldinho na hora do pênalti.

Era ele o jogador designado por Felipão para a cobrança.

As câmeras mostraram ele tentando pegar a bola, mas o veterano não deixou.

Completava cem partidas com a seleção e queria comemorar com o gol.

Sem graça, Neymar apenas deu um tapinha de incentivo.

E viu Ronaldinho perder o pênalti.

O favor foi visto como omissão por repórteres ingleses.

Daqui para a frente, será sempre assim.

A Copa das Confederações e o Mundial de 2014 se aproximam.

Não importa se trocou treinador, foi mudada a mentalidade, a filosofia de jogo.

Neymar será o jogador brasileiro mais cobrado.

É o ônus por ser o melhor.

Não há que reclamar, bater boca ou fugir da imprensa.

Dar resposta como a de ontem, que "fica para a próxima".

Se não houver um preparo sério, uma tomada de consciência...

Se Neymar continuar acreditando que tudo depende dos seus treinadores, será sempre assim.

Ele precisa acordar para a vida.

E perceber que o interesse é seu.

Estar cada vez melhor para enfrentar os adversários que vierem.

E estar pronto para sentar e conversar com seus companheiros na concentração.

Não ensaiar dancinhas.

Mas combinar jogadas, entender como devem fazer para se livrar da marcação.

Completar o que os treinadores não conseguem enxergar.

É sua obrigação como profissional.

No Barcelona, time que venera, isso é uma constante.

A concentração é aproveitada.

E também seus funcionários precisam agir.

Assessoria não serve apenas para garantir os melhores camarotes no Carnaval.

As baladas mais agitadas do Brasil.

Mas preparar Neymar para o que ele enfrentará em campo.

O ajudar a entender como joga cada adversário.

Antecipar os pontos fortes e fracos dos seus marcadores.

Não custa nada dar a ele um esboço dos times que enfrentará.

Com o perfil tático e individual.

Afinal, ele não quer se firmar como um dos melhores do mundo?

É preciso ter interesse e visão profissional.

Entender o que acontece e o que o espera.

Se Pelé fazia isso na década de 60, é o mínimo que se espera, 50 anos depois.

Basta que seus assessores encarem o futebol com profissionalismo.

Com o fim dos improvisos, as decepções vão diminuir.

Porque as cobranças só vão aumentar daqui para a frente.

A Copa das Confederações e o Mundial estão chegando.

Em caso de fracasso, será o mais marcado.

Passou a hora de Neymar acordar.

Para depois não chorar...

ae7 Há 50 anos, Pelé ensinava o caminho. O melhor do mundo não improvisa. Estuda adversários, tática, entende o que está acontecendo durante o jogo. Não depende só de técnicos. Vai além. Passou da hora de Neymar acordar para a vida...

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