1sitecorinthians 1024x640 Graça ao Palmeiras, Corinthians exige pena mínima para Jô. O medo está na sinceridade do jogador
Nada de 12 jogos, nem mesmo quatro. O departamento jurídico do Corinthians acredita que os auditores do STJD estão amarrados. Não poderão manter o pontapé intencional que Jô deu em Rodrigo como agressão. A única testemunha que pode mudar esse quadro é o próprio artilheiro corintiano.

Por uma questão de 'justiça', os auditores do STJD serão obrigados a 'aliviar' para Jô. Porque, de acordo com o departamento jurídico corintiano, fizeram o mesmo com o Palmeiras. E trataram com todo o carinho o atacante Willian. Ele deu um pontapé nas 'partes íntimas' de Valdivia, do Atlético Mineiro.

Até os advogados palmeirenses esperavam uma grave punição. Só que no julgamento, o STJD, os auditores desqualificaram o ato. Minimizaram o pontapé. Em vez do palmeirense ser julgado no artigo 254-A, praticar agressão física durante a partida, que prevê punição de 12 a quatro jogos, foi aplicado o 254, jogada violenta. Willian poderia ser suspenso de um a seis jogos. E o que aconteceu? Uma partida apenas.

Por isso, João Zanforlin e Luiz Alberto Bussab, acreditam que Jô pode ficar tranquilo. O julgamento da quarta-feira, no STJD, vai apenas afastá-lo de uma partida. O Corinthians exigirá igualdade na avaliação da punição. O famoso princípio da isonomia processual, ou seja, se valeu para o Palmeiras, tem de valer para o seu rival.

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"Se foi agressão? Foi. Toda ação gera uma reação. O Rodrigo me puxou e me derrubou. Eu pedi o pênalti. Ele foi indo para trás e acabou pisando, tanto que meu pé ainda está roxo. Eu fiz com certeza o movimento da minha reação e acabou pegando na canela dele. Na hora, o juiz não deu nada, mas as imagens pegaram. São coisas que a gente aprende. Se tiver punição, a gente respeita e aceita.

"Eu só tive uma expulsão na minha carreira. Ele [árbitro] não deu cartão, nem deu falta, não deu nada. Mas a defesa do Corinthians tem argumentos bom, a gente torce para dar tudo certo.Eu tive a reação de ter tocado não me isento de total inocência. Mas tem de torcer para as coisas darem certo. Se for punido, torcer para ser a pena mínima", admitiu o atacante."

Apesar da confiança de Zanforlin e Bussab, as declarações de Jô, após o clássico, os deixaram muito irritados. Eles acreditam que Jô poderia se conter nas palavras. Só que o atacante decidiu: depois de negar ter feito o gol com o braço, contra o Vasco, nunca mais esconder a verdade nas entrevistas. Afinal, ficou muito contraditório, diante de sua postura, elogiando Rodrigo Caio por tê-lo salvo de uma injusta suspensão na semifinal do Campeonato Paulista.

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E também por se declarar recuperado da vida desenfreada que viveu, quando atuava pelo Atlético Mineiro e Internacional. Por isso decidiu ser o mais transparente possível desde que foi massacrado por negar o óbvio contra o Vasco.

Jô está vivendo um momento muito especial. Aos 30 anos, artilheiro do Brasileiro, junto com Henrique Dourado do Fluminense, com 16 gols, ele tem recebido boas notícias de Giuliano Bertolucci e Kia Joorabchian, seus empresários. Eles estão buscando um clube do Exterior para que o atacante faça seu último 'grande contrato'. Apesar de ter compromisso com o clube paulista ir até o final de 2019, a multa rescisória não é alta. Não para equipes de fora do país. Conselheiros ligados a Roberto de Andrade confirmam que alcança 3 milhões de euros, cerca de R$ 11,4 milhões.

O preço de Jô seria tão baixo porque não havia grande expectativa quando chegou ao Parque São Jorge. Estava desacreditado. Foi dispensado do Internacional. Fez uma péssima Copa do Mundo, em 2014. Ficou mais de um ano sem marcar no Atlético Mineiro. Assinou contrato de cinco anos no Al Shabab dos Emirados Árabes. Ficou apenas uma temporada. Acabou no Jiangsu Suning da China. Atuou apenas 24 vezes e também foi liberado.

Chegou no Corinthians e ficou sem meses sem atuar, só treinando, no ano passado.

Se converteu, se tornou evangélico.

Jura que abandonou as baladas e está só concentrado na família e no futebol.

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Bertolucci e Kia acionaram seus contatos pelo mundo. E entre os vários jogadores que representam, Jô é um dos principais. O estão ofertando como campeão paulista. E provável campeão brasileiro e lutando pela artilharia do torneio nacional. Situação que o torna outra vez 'negociável'. O Corinthians resgatou sua carreira.

E também se tornou refém do seu jogador de referência na área. Não há reserva à altura do goleador. O inglês, naturalizado turco, Kazim tem futebol muito abaixo. Carille tem em Jô a peça fundamental ofensiva do seu 4-1-4-1. E precisa do atleta nos jogos que faltam para acabar o Brasileiro. Contra o Atlético Paranaense, em Curitiba; Avaí, em Itaquera; Fluminense, em Itaquera; Flamengo, no Rio; Atlético Mineiro, em Itaquera e; diante do Sport, em Recife.

Os advogados corintianos seguem otimistas.

Mas preocupados com uma testemunha no julgamento de quarta-feira.

O próprio Jô.

Seu depoimento verdadeiro pode tornar difícil a equiparação na sentença de Willian.

Difícil negar a agressão se o próprio jogador acredita ter agredido o rival.

Por mais que os auditores do STJD sejam condescendentes, flexíveis.

Por isso avaliam: se será seguro levá-lo ou não ao tribunal...
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