136 Gianni Infantino, novo presidente da Fifa. A proposta do braço direito de Platini é simplória. Um pouco de transparência. 40 países na Copa do Mundo. E R$ 4,8 bilhões para as Federações. A CBF? Adorou...
Depois da devassa que o FBI e o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, a Fifa tem novo presidente. Mas não é motivo para euforia. Depois de 18 anos de muita corrupção sob o comando de Joseph Blatter, acaba de ser eleito o suíço Gianni Infantino. Ele conseguiu vencer a bilionária campanha do xeque bahrenita Salman Al Khalifa.

O jordaniano Ali Bin Al-Hussein e o francês Jérome Champagne foram meros figurantes. O sul-africano Tokyo Sexwale desistiu antes de começar o pleito.

Desde 1974 não havia uma eleição para valer na Fifa. A disputa envolveu e juntou continentes. A Europa se juntou com a América do Sul, do Norte e Central por Infantino. E África e Ásia por Khalifa. Houve a necessidade de segundo turno. No primeiro, o suíço venceu apenas por três votos. 88 a 85. No segundo, ele conseguiu muito mais adesões. Foram 115 contra 88 do rival.

O discurso do suíço foi conciliatório. E de quem sabe que a Fifa vive a maior crise de credibilidade de sua história.

"Vamos recuperar a imagem e o respeito da Fifa. Temos de estar orgulhosos da Fifa, todos têm de estar, orgulhosos pelo que faremos juntos. Quero agradecer a todas as confederações, todos os candidatos. É uma competição que é um grande sinal de democracia, quero ser o presidente de todos vocês, de todas as 209 federações nacionais.

"Viajo pelo mundo e continuarei fazendo isso. Quero trabalhar com todos vocês juntos para reerguer a Fifa em uma nova era, onde o futebol estará no centro do palco. É o momento de deixar para trás momentos tristes e de crise, de aplicar as reformas e para isso devemos implementar uma boa governança, transparência, respeito. Vamos recuperar esse respeito com muito trabalho e confirmar que podemos mais uma vez focar nesse jogo maravilhoso que é o futebol."

Por trás das promessas estão as ideias de Michel Platini. Gianni foi secretário-geral e braço direito, esquerdo e cérebro de Platini desde 2009. Foram os dois que bolaram uma estratégia simplista e muito eficaz para se perpetuarem no poder no território europeu. Aumentaram a Champions League e a Liga Europa. E a Eurocopa. Deram a possibilidade de mais clubes e mais seleções participarem. E distribuíam muito dinheiro às federações do Velho Continente.

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A mesma estratégia será usada na Fifa. A Copa do Mundo irá aumentar seu número de países. Em vez de 32, serão 40. Com a possibilidade de usar, sempre que possível, duas sedes. Gianni ganhou o coração dos dirigentes ao prometer repassar US$ 1,2 bilhão, cerca de R$ 4,8 bilhões da Fifa às federações. O que dará, em média, R$ 20 milhões a cada federação. Hoje elas recebem R$ 8 milhões.

Advogado, Gianni foi o criador do fair play financeiro exigido pela Uefa. Os clubes só podem disputar torneios se não têm dívidas com jogadores, outras equipes, segurança social e autoridades fiscais. Repassará essa obrigação a todos os campeonatos nacionais do mundo. Será uma exigência básica.

O novo presidente sabe: o bando de corruptos que fazia parte da cúpula da entidade custou caro. Sony, Emirates, Castrol, Continental, Johnson & Johnson decidiram não patrocinar o Mundial de 2018. Deixaram a entidade. Para não ficarem manchadas, ligadas a vigaristas.

Pela primeira vez, desde 2002, o balanço da Fifa apontou prejuízo. Foram US$ 102 milhões, cerca de R$ 407 milhões. O que é algo muito preocupante.

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Daí a mudança nos estatutos.

Para mostrar o mínimo de transparência.

Tentar recuperar credibilidade e patrocinadores.

Se tiver de escolher entre um e outro, não há dúvida.

Gianni ficará com os patrocinadores.

A primeira e mais do que obrigatória. Os mandatos serão limitados a 'apenas' duas reeleições. Ou seja, 12 anos de poder. Pode parecer muito. Mas não para a história da Fifa. Jules Rimet ficou 33 anos. Stanley Rous ficou 13 anos. Queria mais quatro. Acabou derrotado pelo brasileiro João Havelange. E ele mostrou como se faz. Profissionalizou a eleição. Permaneceu 24 anos. Blatter dominou por 18 anos. Ficaria até 2019 e completaria 21 anos de poder. Mas teve de renunciar, para não ser cassado, devido aos escândalos e às prisões de velhos companheiros, em 2015.

Ele e Platini se envolveram em um estranho pagamento de US$ 2 milhões, cerca de R$ 8 milhões. A suspeita é que o francês teria recebido esse dinheiro para não concorrer à eleição da Fifa em 2011. Os dois negaram. Ninguém acreditou. E ambos estão suspensos por seis anos do futebol.

Outra alteração fundamental foi em relação ao Comitê Executivo da Fifa. Em vez de apenas 24 membros, passará a contar com 36. E obrigatoriamente, no mínimo seis mulheres. A entidade passará a se chamar Conselho da Fifa. Quanto mais gente, menos poder para seus membros. Menos chance de corrupção.

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O secretário-geral e o Conselho da Fifa terão de se submeter permanentemente a um comitê de auditoria. A cada decisão analisada darão seu parecer público. O secretário geral só poderá ser demitido pelo Conselho da Fifa. Não será apenas o braço direito do presidente.

Além disso, haverá um novo Comitê de Finanças. Seus membros deverão ser independentes, especialistas em questões financeiras e não dirigentes da Fifa.

Outro item necessário. Todos os salários serão públicos. Divulgados internamente. Estarão no site da Fifa. Os que tiverem ficha criminal ou 'dívidas bancárias' não poderão trabalhar na entidade. E poderão ser investigados quando houver necessidade.

Jogadores também terão direito a um Comitê para analisar as decisões tomadas pela Fifa. Isso era algo que os sindicatos dos atletas pediam há dezenas de anos.

A Fifa busca credibilidade para sobreviver.

Gianni Infantino nunca foi santo. Mas já sabe o que aconteceu com os últimos corruptos. Inclusive com seu amigo íntimo e mentor, Michel Platini.

"O importante a ser dito agora é que é uma vitória do Brasil. Esta é uma vitória do futebol brasileiro."

"Primeiro porque o Infantino é latino, como nós, entende a nossa picardia, fala a nossa língua. E porque nós nos encontramos com ele no Paraguai, faz um mês, na reunião da Conmebol e ali acertamos que votaríamos em bloco com ele. Quando uma confederação se une, como a nossa, ninguém se mete com a gente."

As declarações foram do presidente da CBF, Coronel Nunes, na Suíça. Ele falou com meu ex-colega de Jornal da Tarde, o esperto Martín Fernandez, que trabalha no site esportivo da Globo.

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Nunes, por coincidência, votou no homem que o presidente licenciado, Marco Polo del Nero, desejava.

E o coronel jurou que a CBF nunca pensou em votar no xeque Salman Ibrahim Al-Khalifa. E que a entidade mudou de opinião ao perceber que o suíço venceria.

Gianni Infantino que tome cuidado com os aliados que escolhe.

Al-Khalifa alega que perdeu a eleição por ter sido traído.

Nada anormal nesta entidade chamada Fifa.

E que tantos corruptos produziu nestes anos.

Alguns estão presos.

Alguns...
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