124 Gabigol escolheu o caminho mais fácil para deixar a Inter. Rompimento litigioso. A Itália o considera como um dos maiores fracassos de todos os tempos. O time de Milão comprometeu R$ 237 milhões com o artilheiro de um gol. Sem mercado na Europa, Santos e Palmeiras surgem como saídas viáveis...

Uma das estratégias mais simplórias para que um atleta deixe qualquer clube do planeta é arrumar confusão. De preferência, publicamente. O que Gabriel fez ontem em Roma, foi perfeito para quem deseja ir embora.

A Inter conseguia uma vitória marcante, virando o jogo contra a forte Lazio por 3 a 1. O treinador Stefano Vecchi havia feito as três substituições e quando o brasileiro compreendeu que não entraria na partida, pegou suas chuteiras brancas com detalhes em rosa e abandonou o banco. Sabia que todas as câmeras estariam voltadas para ele. E que ao descer as escadas já poderia arrumar as malas.

A contratação de Gabigol pela Inter foi considerada pela imprensa italiana não só um fracasso. Mas um escândalo pelo dinheiro desperdiçado. Na semana passada, o site Calciomercato teve acesso aos documentos da compra do brasileiro de 20 anos. Os números são impressionantes.

O valor total da transação alcançam R$ 237,8 milhões, 64,4 milhões de euros. A Inter gastou com a compra nada menos do que 30 milhões de euros (R$ 110,9 milhões). Santos possuía apenas 40% do jogador. E recebeu 12 milhões de euros (R$ 44,4 milhões). O pai do jogador tinha mais 40% de seus direitos, ou seja, mais 12 milhões de euros, R$ 44 milhões. A Doyen recebeu 20% dos direitos, 6 milhões de euros, (22,1 milhões).

Muito interessante a participação de Giuliano Bertolucci. Ele não é o representante de Gabriel. É Wagner Ribeiro. Porém, por intermediar a venda, Bertolucci terá direito a 4,5 milhões de euros (R$ 16,5 milhões), divididos em doze parcelas. Oito no valor de 350 mil euros (R$ 1,2 milhão) e quatro de 300 mil euros (R$ 1,1 milhão).

Ele deverá dividir esse dinheiro com Ribeiro.

Ainda há os salários do jogador. O que era tratado com sigilo absoluto. Por cinco anos de compromisso, Gabigol tem direito a 6 milhões de euros por temporada, cerca de R$ 22,1 milhões. Ou seja, 500 mil euros por mês, nada menos do que R$ 1,8 milhão. Por cinco anos de compromisso, o atacante brasileiro tem direito a 30 milhões de euros, só em salários, R$ 110 milhões.

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O grupo bilionário chinês Suning comprou em junho de 2016 nada menos do que 68,5% das ações da Inter. Pagou 270 milhões de euros, cerca de R$ 995 milhões. Os 31,5% restantes seguem com o magnata indonésio Erick Thohir. Os chineses prometeram montar uma excepcional equipe para a temporada 2016/2017. Sonhavam com o título italiano ou, no mínimo, a volta para a Champions League.

Faltando uma rodada para o Italiano acabar, briga pela sétima colocação com a Fiorentina. Atingiu apenas 59 pontos. Está fora da Champions. Não há possibilidade real sequer de atingir a Liga Europa. O Milan, sexto, tem 63 pontos.

Em Milão, não há outra palavra para classificar a temporada para a Inter: fracasso. E o jogador que personifica a decepção tem nome Gabriel. Ou Gabigol, como era chamado no Santos. O garoto de 20 anos, que chegou a ser comparado a Ronaldo Fenômeno, é considerado um enorme erro.

Ele saiu do Brasil como campeão olímpico, convocado para a Seleção principal.

Com toda moral possível.

Só que ele não conseguiu se adaptar ao futebol europeu. Acreditou que seria suficiente atuar como no Santos. Na frente, agudo. Canhoto pela direita. Sem ter o mínimo trabalho de recomposição. Apenas esperando a bola para disputar com a zaga, com lançamentos perfeitos de Lucas Lima, ou tabelas limpas com Ricardo Oliveira.

Nada disso.

A Inter de Frank De Boer, Stefano Pioli e Steffano Vecchi seguiu o mesmo padrão. Futebol competitivo, compacto, de muita intensidade. Com todos os jogadores envolvidos com ou sem a bola. Gabigol fracassou com os três. Os técnico o consideraram individualista, improdutivo, sem empenho na marcação da saída de bola dos adversários. Tímido, tenso, decepcionante.

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Tanto que entrou apenas em dez jogos oficiais. Com os três treinadores. Marcou apenas um gol.

Se tornou reserva do reserva.

"Por que ele não encontrou espaço com nenhum dos treinadores nesta temporada? Porque neste elenco há jogadores de ataque muito fortes: Icardi faz 25 gols por temporada, Eder está jogando muito bem, e Palacio, que é um grande jogador e um grande homem, está fora, mas treina sempre ao máximo. Tudo isso deveria ser um exemplo para todos os jovens. Hoje, Gabigol deixou o banco, e o clube vai tomar medidas", avisou Vecchi, que se sentiu desrespeitado com a atitude do brasileiro.

O clube italiano já tentou se livrar do atacante no final do ano passado. Havia acertado seu empréstimo com o pequeno Las Palmas, clube que terminou o Espanhol em 14º lugar. Gabigol se negou. E disse que só trocaria a Inter por um clube poderoso europeu. Ou preferiria voltar ao Brasil.

Se Gabigol e Wagner Ribeiro aceitassem, a Inter romperia o contrato imediatamente. E não arcaria com mais quatro anos de contrato. Como o jogador e o empresário não rasgam dinheiro, só aceitariam a rescisão se o total do compromisso fosse pago. Como os chineses não são tolos, essa condição eles não aceitam.

A saída mais provável será o empréstimo.

O Santos, como era de se esperar, é candidato.

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E usar a mesma fórmula que adotou com Robinho.

Desde que a Inter banque os salários.

Pagar R$ 1,8 milhão ao atacante é impensável.

A relação entre dirigentes da Inter e Palmeiras é ótima.

E ficou mais próxima com a liberação de Felipe Melo.

Não seria algo impossível ele aparecer no Palestra Itália.

Gabigol não gostaria de voltar ao Brasil antes de alguns anos.

Mas o cenário na Europa é tenebroso.

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Ele não fez nada que justificasse a aposta.

E ainda escolheu o caminho da indisciplina.

Pode ser um atalho para deixar a Inter.

Mas prejudica ainda mais para encontrar outro grande time europeu.

Gabriel tinha como grande sonho disputar a Copa da Rússia.

Só que está fora dos planos de Tite há muito tempo.

O jogador pretende uma reviravolta na carreira.

Sabe que ninguém acredita nele na Inter.

E já deu o primeiro passo na direção de outro clube.

Escolheu a separação litigiosa.

Está apostando alto.

Jogador que, desde os 14 anos, é da Seleção Brasileira.

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Tratado como uma joia na Vila Belmiro.

Com seu ego massageado todos os dias pela torcida.

Agora se vê como um estorvo, mero desperdício de dinheiro.

Reserva dos reservas, do médio time que a Inter montou.

Cansou da situação.

Atitude pensada, ensaiada ou não, Gabigol agiu.

E não terá volta se Stefano Vecchi seguir comandando o time.

Ele tem contrato até o junho de 2018.

O atacante brasileiro não se importa.

Quer sair do fundo do poço.

E escolheu o caminho...

(O caminho foi escolhido. Mas Gabigol teve de pedir desculpas públicas. Para ter sua saída facilitada, precisa estar bem com a diretoria. A mensagem, articulada por um assessor, não poderia ser mais padrão. "Interistas e colegas de trabalho, ontem durante o jogo entre Lazio e Inter, repentinamente tive uma atitude impensada e inadequada ao sair do campo antes de terminar o jogo. Depois de passar o calor do jogo, com calma e com o apoio da minha família vi que tal coisa contraria o espírito esportivo e os meus valores profissionais. Reconheço meu erro e gostaria de registrar as minhas sinceras desculpas a todos os torcedores nerazzurri que sempre me apoiaram e aos colegas de trabalho."

Atitude protocolar de quem deseja ir embora.

Simples assim...)

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