1reproducao11 Fred e Guerrero no Flamengo. Bandeira de Mello pressionado a ter os dois artilheiros
A estratégia já estava decidida.

E colocada em prática.

A direção do Flamengo iria rescindir o contrato com Guerrero. De forma amigável, Bandeira de Mello mostraria que não poderia seguir pagando R$ 800 mil mensais até agosto de 2018, por um jogador suspenso até novembro do próximo ano.

O peruano já estava até conformado.

Dava razão ao dirigente.

E iria propor um valor intermediário, para não entrar em uma briga jurídica sem fim.

O raciocínio do departamento jurídico do Flamengo era simples. A Comissão de Apelação da Fifa não iria diminuir a suspensão de um ano dada ao atacante. Afinal, foi constatada a substância benzoilecgonina, um metabólito da cocaína no seu organismo. Foi o que apontou o exame antidoping antes do confronto pelas Eliminatórias, entre Peru e Argentina.

Não haveria lógica.

A Fifa está em uma cruzada contra o doping. A entidade anunciou no dia 8 de dezembro a suspensão de um ano para o atacante. O recurso feito para a Comissão de Apelação da Fifa deveria ser algo protocolar, sem resultado prático. Os advogados de Guerrero deveriam apelar em seguida para o último recurso. O CAS (abreviatura de Court of Arbitration for Sport, em inglês), o Tribunal Arbitral do Esporte, deveria dar seu veredicto, como de costume, de forma lenta. Leva, em média, de três a seis meses. Neste prazo, o Flamengo já teria se livrado de Guerrero.

E contratado Fred.

A diretoria do Atlético adorou o interesse no seu jogador de 34 anos. Oswaldo de Oliveira já se antecipou e disse que desejava Everton, em troca. Bandeira de Mello oferecia Mancuello e uma quantia em dinheiro. Porém, se o presidente Sérgio Sette Câmara insistisse, Everton iria para Belo Horizonte.

O salário de Fred é de R$ 800 mil.

A lógica de Bandeira de Mello indicava. Rompia com Guerrero. Pegava o dinheiro do peruano, acrescentaria mais R$ 200 mil. Pagaria, sorrindo, R$ 1 milhão a Fred. Teria um novo ídolo na Gávea, artilheiro e com uma característica a mais que o peruano, um líder.

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Fred estava animadíssimo com a possibilidade de voltar ao Rio.

E ter um contrato de dois anos com o clube mais popular do Brasil.

Só que deu tudo errado.

A Comissão de Apelação da Fifa acabou indo contra a lógica. E ontem diminuiu em seis meses a suspensão de Guerrero. Ele poderá voltar a campo no dia 3 de maio. A tese que ele não usou cocaína e sim tomou um chá 'negro', receitado por um nutricionista da Seleção Peruana. Guerrero estava gripado antes do jogo. E tomou o chá que continha folhas de coca, onde há o metabólico benzoilecgonina. A quantidade verificada na urina do jogador foi muito baixa. O que eliminaria a tese do uso da cocaína.

Com a drástica redução da suspensão pela metade, Guerrero e seus representantes não estão mais interessados em aceitar um acordo para a rescisão com o Flamengo. Só aceitam a dispensa se o clube carioca pagar seus salários até agosto. Ou seja, cerca de R$ 8 milhões. Contando o salário deste mês e o 13º. O que o atacante até pensa em aceitar é prorrogar seu contrato por seis meses, ficar sem receber até maio, já que não poderá entrar em campo.

Mas talvez nem precise. Seus advogados têm a certeza que o CAS apressará a redução da pena. Depois da postura tão firme e surpreendente da Comissão de Apelação da Fifa. Há a esperança que a situação mude radicalmente. E no começo de 2018, ele poderá entrar em campo.

Bandeira de Mello está encurralado. Não sabe o que fazer. Se dependesse apenas dele, contrataria Fred agora. E somaria mais R$ 1 milhão à folha salarial do clube, que já consome R$ 12 milhões mensais.

Mas o executivo Rodrigo Caetano alega. Se Guerrero for liberado, por exemplo, em março, o Flamengo teria dois jogadores caríssimos, veteranos e com a mesma característica, atuando como referência no ataque. Seria quase impossível atuarem juntos. A saída seria se livrar de atletas caros, que não têm rendido. Mancuello, Rafael Vaz e Alex Roberto ganham cerca de R$ 1 milhão, juntos. Mas a liberação dependeria de Reinaldo Rueda.

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Bandeira está entre o bom senso, esperar a decisão do CAS. Ou agir, gastar. E assegurar Fred para a disputa da Libertadores, prioridade absoluta do time carioca para 2018. O grupo político que apoia o presidente quer a contratação. Até para amenizar o clima derrotista que ficou com a perda da final da Sul-Americana, em pleno Maracanã. Conselheiros importantes acreditam que o clube necessite de um líder como o atacante que está no Atlético. Diego não ocupou esse espaço. Os veteranos Juan e Rever tentaram ocupar esse vazio. E não conseguiram.

Outro fator favorável a Fred é a utilização de Guerrero pela Seleção Peruana. O treinador Gareca deverá contar com todos seus jogadores a partir do fim de maio, para a preparação final para o Mundial da Rússia. O Flamengo mal usaria seu jogador, caso o CAS não reduza a pena.

Fred e a direção do Atlético esperam pelo clube carioca.

Everton também está disposto a ir para Belo Horizonte.

A situação é tensa.

A empolgação virou pressão.

A redução da pena de Guerrero atrapalhou o Flamengo.

E o clube se mostra dividido.

Mas com a tendência maior para contar também com Fred.

Depois decidir o que fazer com o peruano.

Principalmente, se houver nova redução da suspensão.

Talvez até emprestá-lo, caso seja liberado antes de maio.

Porque nenhum aceitaria passivamente o banco de reservas.

Bandeira de Mello terá de agir...
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