Foram quatro segundos. Bastaram para mobilizar a opinião pública mundial. A Fifa conseguiu de novo ser manchete. Desta vez não pela corrupção de seus dirigentes, como é habitual. Mas pela censura descuidada, tosca. Dispensável. Que pareceu uma provocação.

Na premiação de segunda-feira do melhor jogador de 2015, foram exibidas imagens de Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar. Dribles, gols, comemorações. Pelo que fizeram, a Fifa teria horas e horas para escolher os segundos que exibiria. Mas do brasileiro houve um momento 'especial'.

Os quatro segundos que ele aparece com o troféu da Champions League, sorrindo. E com uma chamativa faixa na cabeça. Branca. Toscamente retocada para parecer que nada havia escrito nela.

Só que esta imagem foi amplamente divulgada em junho do ano passado. Nela estava escrito 100% Jesus. O jogador é evangélico e, desde menino, costuma utilizar essa mesma faixa para agradecer a Jesus Cristo.

512 Fifa apagou 100% Jesus da faixa de Neymar, campeão da Champions. Foi um aviso. Não quer provocação a intolerantes religiosos. O Barcelona exigiu respeito aos R$ 220 milhões pagos pela Nike. O brasileiro aprendeu...

Neymar sentiu na pele a força da intolerância religiosa. Uma coisa é usar a faixa nas categorias de base, no Santos. O Brasil é um país laico, que aceita todas as crenças. É comum, por aqui, um judeu ser amigo de um palestino. Um espírita estar casado com uma umbandista.

Há a tolerância. Crimes praticados em nome de religião são raríssimos.

Aqui também os clubes seguem amadores com seus departamentos de marketing. A recessão que domina o Brasil é a desculpa perfeita para a incompetência. Quantos clubes grandes estão sem patrocínio master? Ninguém reclamaria que, justo na hora da conquista do torneio mais importante, o nome do patrocinador seja ofuscado por Jesus, Alá, Buda, Maomé, Alan Kardec, Oxum, Zeus.

Mas a tolerância religiosa é uma das poucas situações que o Brasil está à frente das grandes potências.

O mundo vive o terror por causa dos radicais do Estado Islâmico. Atentados covardes aconteceram em Paris e seguem na Europa e Ásia. Execuções bárbaras. Judeus e palestinos seguem se matando em nome da "Guerra Santa".

A intolerância religiosa dá a 'licença para matar'. A deturpação de livros sagrados libera fanáticos para matar 'infiéis'. Este é o principal motivo da maior migração de seres humanos, depois da Segunda Guerra Mundial.

Segundo a Organização Internacional para as Migrações foram cerca de um milhão e cem mil refugiados a conseguirem chegar na Europa.

47 1024x681 Fifa apagou 100% Jesus da faixa de Neymar, campeão da Champions. Foi um aviso. Não quer provocação a intolerantes religiosos. O Barcelona exigiu respeito aos R$ 220 milhões pagos pela Nike. O brasileiro aprendeu...

Com a triste experiência de ter sido o centro de duas guerras mundiais, a Europa tenta se prevenir de outra. Em todas as áreas. O artigo 14 do Regulamento Disciplinar da UEFA: "Todas as formas de propaganda ideológica, política e religiosa são proibidas". E com direito a suspensão.

Por isso acabaram as camisetas com mensagens, debaixo das oficiais do clube. Como a que Kaká utilizava, com os dizeres, "I belong to Jesus", 'Eu pertenço a Jesus'. Ou do colombiano Falcão Garcia, "With Jesus, you will never be alone", "com Jesus, você nunca estará sozinho".

Apesar dos seus quase 30 funcionários, Neymar não foi orientado. Entrou para a decisão da Champions League de 2015, com a faixa escrita Jesus a seu alcance. Bastasse o Barcelona vencer a Juventus, em Berlim. E ela seria utilizada. Nas derrotas, os jogadores religiosos não fazem seus agradecimentos.

Não foi apenas a UEFA, mas a própria cúpula do Barcelona ficou revoltada com a atitude do brasileiro. Ele foi alertado que nunca mais deve tomar a mesma atitude. O clube tem torcedores de todas as religiões. É cultuado em países muçulmanos.

Além disso, a Nike paga 50 milhões de euros, cerca de R$ 220 milhões, ao Barcelona. E a empresa ficou revoltada com a faixa que Neymar utilizou. Tirou o foco do material esportivo, justo na decisão.

 Fifa apagou 100% Jesus da faixa de Neymar, campeão da Champions. Foi um aviso. Não quer provocação a intolerantes religiosos. O Barcelona exigiu respeito aos R$ 220 milhões pagos pela Nike. O brasileiro aprendeu...

O brasileiro teve de se redimir. Pouca gente percebeu, mas quando o Barcelona venceu o River Plate e conquistou Mundial de Clubes, no Japão, em dezembro, ele estava diferente. Na cabeça de Neymar havia outra faixa. Desta vez preta. Em vez de Jesus, estava o logotipo da Nike.

Na festa de premiação dos melhores do mundo, o editor de imagens da Fifa não foi irônico ou ingênuo. Optou de propósito pelo momento de Neymar mostrando a faixa. A decisão passou pela cúpula de entidade. Toda a cerimônia de entrega da Bola de Ouro é minunciosamente estudada e ensaiada dias antes de acontecer. Nada é por acaso. O tosco retoque foi visto com todo cuidado.

A imagem mentirosa foi mostrada para todo o planeta.

Quatro segundos.

Mais do que incomodar, para alertar.

A revolta de religiosos se justifica.

Neymar optou por agradecer a Jesus.

Manipulação alguma vai mudar isso.

Borracha ou photoshop vai apagar.

A estratégia é antiga, estúpida.

De propósito.

Lembra, entre outros exemplos, o que a extinta União Soviética tanto fez, afastando os 'heróis' da revolução russa de 'traidores'. Como manipulou fotos de Stalin. E fez desaparecer o comissário Nikolai Yezhov. Acusado de corrupção, ele foi assassinado pela polícia secreta, a KGB. Sua imagem foi apagada ao lado do ditador.

37 Fifa apagou 100% Jesus da faixa de Neymar, campeão da Champions. Foi um aviso. Não quer provocação a intolerantes religiosos. O Barcelona exigiu respeito aos R$ 220 milhões pagos pela Nike. O brasileiro aprendeu...

Jornalistas experientes europeus acreditam que a Fifa não foi incompetente no caso de Neymar. Mandou um recado a jogadores e clubes de todo o planeta.

Neste momento de Estado Islâmico, qualquer manifestação será proibida.

E punida.

Neymar continua religioso.

Mas o Barcelona fez o que o Santos não teve coragem.

Ensinou a separar as coisas.

Sua fé deve ser demonstrada fora dos gramados.

Dentro deles, principalmente nas conquistas, já sabe.

Até sua testa 'belongs to Nike'.

Na Seleção Brasileira, a ordem é a mesma.

Até porque a patrocinadora, também.

Resta saber duas coisas.

A primeira: se alguém da CBF terá coragem de proibir Neymar.

A outra.

Se o time de Dunga ganhará alguma competição que justifique a faixa...
73 Fifa apagou 100% Jesus da faixa de Neymar, campeão da Champions. Foi um aviso. Não quer provocação a intolerantes religiosos. O Barcelona exigiu respeito aos R$ 220 milhões pagos pela Nike. O brasileiro aprendeu...

http://r7.com/sAi0