116 Felipe Melo foi contratado para mudar o perfil do Palmeiras. O clube queria na Libertadores um jogador talentoso, mas competitivo, vibrante, malicioso, vivido. Inconformado com derrotas. E escolheu o volante da Inter. Zé Roberto, Fernando Prass, Edu Dracena são bonzinhos demais...
A boca do javali tem algo assustador. Seus caninos são mais grossos que os demais dentes, curvados para cima e crescem continuamente durante toda a vida. São armas poderosas, que costumam rasgar a pele dos rivais na época do acasalamento e dos seus inimigos naturais.

O Palmeiras resolveu burlar os olhos menos atentos, em novembro de 2016.

O mascote que entra em campo com o time não apenas um porco.

E sim um javali, marombado, assustador.

Não retrata a 'fofura' de um alegre porquinho.

Mas a fúria do mais temido dos mamíferos artiodáctilos.

O porco mais selvagem.

Essa analogia representa a mudança profunda na personalidade, no espírito do Palmeiras de 2017. O jogador brasileiro mais importante que foi repatriado no futebol brasileiro encarna os caninos do time de Eduardo Baptista. Principalmente na disputa da Libertadores.

Cuca o escolheu cuidadosamente.

O treinador, que conquistou o Brasileiro de 2016, ficou eufórico quando soube que Alexandre Mattos havia recebido a informação de empresários. Felipe Mello estava com problemas com a Inter de Milão e poderia voltar para o Brasil. Cuca sabe o quanto sofreu na Libertadores do ano passado. Se assustou não só com a fragilidade tática da equipe, deixada por Marcelo de Oliveira.

O ex-técnico palmeirense não se conformava com a personalidade do time. Zé Roberto, Fernando Prass, Edu Dracena eram líderes, sem dúvida. Mas educados, exageradamente contidos. Dudu, Rafael Marques, Alecsandro, Robinho, Barrios eram irritadiços demais.

38 Felipe Melo foi contratado para mudar o perfil do Palmeiras. O clube queria na Libertadores um jogador talentoso, mas competitivo, vibrante, malicioso, vivido. Inconformado com derrotas. E escolheu o volante da Inter. Zé Roberto, Fernando Prass, Edu Dracena são bonzinhos demais...

Faltava alguém com vibração, experiência, vivência. Capacidade para pressionar o juiz, intimidar o adversário, fazer o time reagir nos momentos mais difíceis. Malícia. Mas jogador também com talento com a bola nos pés. Com ótimo preparo físico. Experiência na Libertadores. Melhor ainda se for conhecido internacionalmente.

Felipe Mello reunia todas essas características.

Com o aval de Cuca, Alexandre Mattos fez de tudo para contratá-lo.

Não deu chance para Flamengo e São Paulo, que também o desejavam.

Desde outubro, José Rodrigues deixava claro. Se o volante não ficasse na Inter de Milão, jogaria no Palmeiras. O que desestimulou dirigentes flamenguistas e são-paulinos. A força financeira do clube paulista foi capaz de produzir a impressionante engenharia financeira.

Não assinou contrato por três temporadas à toa.

Se ficar até 2019, receberá o total de R$ 8,4 milhões só em luvas. Elas serão divididas em 12 parcelas trimestrais de R$ 700 mil cada, a primeira em fevereiro de 2017 e a última em novembro de 2019. Mais R$ 350 mil de salários. Ou seja, R$ 21 milhões.

Seriam R$ 580 mil mensais.

Seriam.

Porque ele terá R$ 20 mil de bônus por jogo disputado. A previsão, por baixo, é que dispute pelo menos seis jogos. Seus vencimentos bateriam nos R$ 700 mil a cada 30 dias.

Existem ainda bônus secretos por conquistas de título.

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Mas ele será cobrado por tanto dinheiro investido.

Não está definido ainda se ele será o capitão de fato do time. Ou se a tarja voltará para Fernando Prass ou seguirá com Dudu. Mas Felipe Melo será o capitão de direito. O Palmeiras mudará de perfil com o intuito de vencer a Libertadores de 2017. Se Eduardo Baptista declarou querer ganhar todos os títulos do ano, o problema é dele. A diretoria, muito mais realista, quer o foco na principal competição sul-americana.

Nos exames médicos e físicos que Felipe Melo fez, os resultados foram surpreendentes. Ele está muito bem. Não parece ter os 33 anos. Chega com fôlego e força física para conduzir o time na Libertadores.

Felipe Melo não terá de pedir licença para Eduardo Baptista para corrigir as mudanças de rumo durante uma partida. Como se o volante se desse ao trabalho. Muito pelo contrário. Ele poderá agir como quiser. Terá a liberdade para cobrar os companheiros, orientá-los, incentivá-los.

O jogador volta ao país disposto a limpar a imagem que mais o marcou para a população brasileira. A estúpida expulsão na Copa de 2010, fundamental na eliminação da Seleção de Dunga diante da Holanda. O volante pisou de forma escandalosa no atacante Robben. A imagem está marcada nas retinas de quem acompanha futebol. Antes tinha trombado com o goleiro Júlio César e o Brasil deu o primeiro gol holandês. Depois o inacreditável cartão vermelho.

"Eu sei da minha responsabilidade e tenho a humildade de assumir meu erro. É um grupo... É minha primeira derrota, uma derrota realmente dolorosa. Tenho minha vida a seguir. Assim como milhões de brasileiros eu estou muito triste, arrasado. Infelizmente aconteceu.

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"A expulsão... Na verdade eu vi a bola, a bola estava em cima dele, eu acabei pisando. Como homem eu assumo minha responsabilidade e minha parcela de culpa dentro do grupo. É um momento difícil e de tristeza. Mas vamos dar a volta por cima", sonhava.

Eu estava cobrindo a Copa da África e estava em Port Elizabeth. E entrevistei Felipe Melo após o jogo. Ele estava com os olhos vermelhos, arrasado. Mas teve força suficiente para encarar todos os jornalistas brasileiros. Foi o penúltimo a deixar a área de entrevistas. Só Daniel Alves foi depois dele.

"As pessoas podem tentar me culpar. Mas não sou vilão. Eu vinha jogando bem. O time perdeu. Eu errei, mas a Seleção deixou de marcar pelo menos três gols no primeiro tempo. Perdemos todos."

Felipe Melo tinha razão. Ele fazia uma Copa ótima. O primeiro tempo fez grande partida. Deu o lançamento no gol de Robinho. Depois, veio a segunda etapa, o desastre. E por mais que ele queira, a derrota de 2010 ficou tatuada na sua testa. Tanto que, mesmo jogando bem, nunca mais foi convocado.

O volante seguiu atuando na Europa por seis anos. No total foram 12 anos. Passando por Mallorca, Racing Santander, Almeria, Fiorentina, Juventus, Galatasaray e Inter de Milão. Enriqueceu. Virou ídolo na Turquia e respeitado na Espanha e Itália. Saiu da Inter porque o elenco é irregular, ele era um dos mais cobrados pela idade. Havia o desejo da diretoria de eliminar estrangeiros e diminuir a idade média do time. Ele se desgastou com o técnico Frank de Boer. Foi a gota d'agua da Inter.

 Felipe Melo foi contratado para mudar o perfil do Palmeiras. O clube queria na Libertadores um jogador talentoso, mas competitivo, vibrante, malicioso, vivido. Inconformado com derrotas. E escolheu o volante da Inter. Zé Roberto, Fernando Prass, Edu Dracena são bonzinhos demais...

Felipe Melo está inserido em um contexto importante no Palmeiras. Ele é um dos 14 atletas com mais de 30 anos no atual elenco. Cuca queria e Eduardo Baptista terá um grupo vivido, experiente para disputar a Libertadores.

O volante sabe que terá duas missões fundamentais.

Não só jogar e mostrar as garras.

Deixar claro que o time verde não se intimidará.

Seja em que campo for.

Ele será o volante que protegerá a zaga.

No 4-1-4-1, que o Palmeiras atuará em 2017.

É muita responsabilidade.

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Porém saída de bola, poder de desarme e cobertura, tem de sobra.

Ele sabe.

Ainda está em dívida para o torcedor comum.

O que chorou, lamentou a eliminação na Copa da África.

Ele jogou e perdeu duas Libertadores com Grêmio e Flamengo.

Quer sua redenção pessoal.

E muito mais com o brasileiro que não esqueceu o que fez contra a Holanda.

O palmeirense, no entanto, já tem uma certeza.

Com ele em campo, os adversários respeitarão muito mais a camisa verde.

Com o volante de 33 anos, o porquinho fofinho não poderia ser o mascote.

Javali representa muito melhor o time que tem Felipe Melo...
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