2agenciacorinthians1 Fábio Carille caiu na tentação. Quis agradar a torcida, a diretoria, a imprensa. Esqueceu a limitação do seu time. E o Corinthians está fora da lucrativa Copa do Brasil. Se o novato técnico se iludir de novo à tentação, pode passar vexame contra o São Paulo...
"É o momento mais difícil da minha carreira de três, quatro meses, com certeza."

O desabafo de Fábio Carille tinha razão de ser. O treinador do Corinthians sabia como foi ruim, em todos os sentidos, a eliminação da Copa do Brasil, no Itaquerão, diante do Internacional, às vésperas da semifinal do Paulista contra o São Paulo.

O treinador tem a proteção de Roberto de Andrade, com quem conversa muito. Carille sabia o quanto Andrade estava esperançoso em relação à Copa do Brasil. Pelo dinheiro nos mata-matas, ontem o clube arrecadou R$ 1.639.381,20 com os ingressos de 32.352 pagantes. Para as oitavas-de-final, o preço dos ingressos seria aumentado. O mesmo aconteceria nas quartas, semifinal e final, sonhava Roberto. Mas esta fonte de renda não existe mais em 2017.

Além disso, seria maravilhoso para o treinador iniciante conseguir a vaga para a Libertadores de 2018 na competição. O que o possibilitaria disputar o Brasileiro muito mais tranquilo.

A eliminação foi um golpe também na confiança para o clássico de domingo. A vantagem segue imensa, depois dos 2 a 0 no Morumbi. Mas o momento emocional do São Paulo tem tudo para ser melhor depois da ótima partida de ontem, contra o Cruzeiro no Mineirão, acabando com a invencibilidade do time mineiro em 2017.

Carille sabe que seu time frustou diretoria e torcedores também pela rivalidade. Desde o Brasileiro de 2005, a rivalidade com a equipe gaúcha cresceu. Conselheiros importantes fizeram questão de mostrar sua irritação com a eliminação de ontem.

Todos estes aspectos são importantes.

Mas o maior foi dentro do campo.

Carille sabia que o Corinthians tinha como adversário um time com menor potencial técnico. Que está sendo montado para disputar a Segunda Divisão do Brasileiro, rebaixado em 2016. E que seus jogadores tiveram a vitória nos pés, antes da disputa dos pênaltis.

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Tudo havia sido melhor do que o planejado.

O Corinthians saiu na frente, com o gol de Maycon. Eram sete minutos de jogo. A torcida se preparou para uma vitória convincente, o clima de festa era imenso no Itaquerão. Afinal, o sistema clonado de Tite que Carille utiliza desde que foi efetivado como técnico incentivava essa expectativa. O time mostrava inaptidão para o ataque, mas firmeza importante, consistência, intensidade para travar o adversário. E explorar contragolpes. Com o apoio de sua torcida, no seu caldeirão, com um gol de vantagem logo tão cedo, contra o time gaúcho da Segunda Divisão, sem seu principal jogador, D'Alessandro, era a chance do treinador iniciante se consagrar.

Mas o Corinthians mostrou o quanto a imaturidade de Carille pesou. A equipe entrou na correria desesperada do Internacional de Antônio Carlos. Só interessava aos gaúchos o ritmo veloz e com esticões, corridas de 100 metros no ataque, o desprezo pelo toque de bola no meio de campo. O Corinthians se deixou levar, aceitou o desafio, saiu de suas características.

O jogo aberto pode ter sido bom para a televisão. Houve inúmeras chances de lado a lado. Mas o Corinthians não poderia nunca ter aberto seu 4-1-4-1, o sistema que estava dando tão certo, diante de sua limitação técnica com a falta de dinheiro para grandes reforços. Na busca de agradar a torcida e imprensa, Carille quis o ataque. Deixou a defesa desguarnecida. Ofereceu os contragolpes para o Internacional, mesmo vencendo o jogo.

O Corinthians vencia e corria errado, de forma desesperada.

Nesta roleta russa desnecessária, poderia ter marcado mais gols.

Ou sofrido.

Aberto, acabou se frustando com o gol contra de Fagner.

Mesmo assim, o time não teve o equilíbrio.

Buscou de forma insana, escancarado a vitória.

Quase perde o jogo.

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A derrota ficou para a decisão dos pênaltis.

O fim precoce na desejada Copa do Brasil.

A frustração dominou sem dó o Itaquerão.

Na busca elementar de um culpado, o questionamento público sobre o melhor jogador do Corinthians na temporada. Rodriguinho. O meia foi honesto quando perguntado por Carille se estava bem para cobrar. Assumiu estar cansado. Deixou claro que não desejava bater.

"O Rodriguinho não se sentiu confiante para bater. Faz parte, temos de escutar o atleta também. Por isso decidimos pela ida do Arana", se desculpava o treinador, repassando a culpa para a derrota ao meia. A sua falta de confiança teria obrigado a escolha do garoto de 20 anos, que isolou a cobrança decisiva.

Foi outra péssima decisão de Carille.

Havia outros jogadores que poderiam cobrar sem ser Arana. A escolha foi do treinador. E ele não ganhou nada com essa tentativa de transferência de culpa do fracasso para Rodriguinho. Atitude perigosa e que faz mal a qualquer técnico junto aos jogadores.

O Corinthians foi eliminado por um adversário inferior.

4siteinter Fábio Carille caiu na tentação. Quis agradar a torcida, a diretoria, a imprensa. Esqueceu a limitação do seu time. E o Corinthians está fora da lucrativa Copa do Brasil. Se o novato técnico se iludir de novo à tentação, pode passar vexame contra o São Paulo...

Se deixou levar pela inexperiência de Carille.

Tivesse sido firme, mantido seu futebol feio, a chance de classificação seria muito maior. Com o atual elenco, sempre que o Corinthians jogar aberto será um risco. Mesmo atuando em Itaquera, diante de sua apaixonada e vibrante torcida.

Cabe ao treinador ser o comandante.

Não se deixar empolgar.

E nunca se esquecer de suas limitações, seus defeitos.

A tentação foi enorme ontem à noite.

Agora, veio a frustração.

Mas que fique a lição.

Se repetir a dose, o domingo pode ser amargo para o Corinthians.

Querer forçar uma vitória convincente contra o São Paulo é desnecessário.

O objetivo é chegar à final do Paulista.

Mesmo jogando feio, dentre de suas limitações, o time tem dois gols de vantagem.

A precipitação pela autoafirmação de Carille custou caro demais.

Não há lógica em tentar agradar torcida, diretoria, imprensa.

Seu time não pode jogar escancarado, aberto.

O Corinthians desperdiçou a chance de ir além na Copa do Brasil.

Lamentar agora não adianta.

Que o novato treinador tenha aprendido a lição.

Se não, pode voltar a passar vexame no domingo...
1siteinter Fábio Carille caiu na tentação. Quis agradar a torcida, a diretoria, a imprensa. Esqueceu a limitação do seu time. E o Corinthians está fora da lucrativa Copa do Brasil. Se o novato técnico se iludir de novo à tentação, pode passar vexame contra o São Paulo...

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