divulgacao191 Eu não recomendaria a uma grande empresa investir agora no futebol brasileiro. Agora, não. José Carlos Brunoro...

José Carlos Brunoro.

Executivo de futebol.

Responsável pelos projetos do Pão de Açúcar e do Grupo Sendas no futebol.

As duas empresas já possuem times na Segunda Divisão do Campeonato Paulista e Carioca.

Administra o basquete brasileiro.

Além disso, tem uma empresa especializada em estratégias de marketing no esporte.

Ficou por anos gerenciando a Parmalat na época recente mais vencedora do Palmeiras.

Foram milhões e milhões de dólares investidos no clube paulista sobre a gerência de Brunoro.

Em entrevista exclusiva, ele resume o que significa a grave implosão do Clube dos 13.

"Essa falta de união é desastrosa para o futebol brasileiro.

As desavenças só desestimulam o grande investidor do Exterior.

Com certeza, quem planejava colocar muito dinheiro agora em uma equipe não vai colocar.

Não sabe quem mostrará sua marca.

Ou mesmo se ela será mostrada.

Essa desavença vem em péssimo momento.

Eu não recomendaria a uma grande empresa investir agora no futebol brasileiro.

Agora, não."

Brunoro, como fica o investidor do Exterior diante de tanta indefinição no Clube dos 13?

Ou faz investimentos de curtíssimo prazo, por exemplo, o próximo campeonato, ou não investe.

O futebol brasileiro caminhava forte bem, com organização.

Negociando suas cotas com a televisão de maneira firme, com união.

Uma entidade para representar todos os clubes é muito mais forte do que os clubes soltos.

Conheço bem a maneira de pensar dos investidores do Exterior.

Eles querem organização.

Saber que não terão surpresas desagradáveis no futuro.

Eles valorizam seu dinheiro.

Por isso eu posso falar que essa indefinição é péssima entre os grandes clubes brasileiros...

E terá consequências nos próximos torneios.

Eu lamento muito....

A postura do Corinthians e do Flamengo de exigir mais dinheiro porque têm mais audiência é justa?

Muito justa.

Mas a maneira que os clubes decidiram buscar quantias maiores é que está errada.

O rompimento com o Clube dos 13 não deixa esses clubes mais fortes.

Pelo contrário.

O ideal seria tudo na mesa de negociação.

Os times mais populares do Brasil merecem ganhar mais já que movimentam mais dinheiro, mais torcedores, mais consumidores.

Mas as pessoas precisavam conversar, negociar.

No mundo dos negócios é preciso muito cuidado com as atitudes.

Os investidores do Exterior precisam sentir credibilidade, uma linha coerente de raciocínio no clube em que vão colocar dinheiro.

Os dirigentes brasileiros precisariam pensar, analisar e esgotar todas as possibilidades antes do rompimento.

Diante do quadro atual é muito melhor para um investidor forte partir para outro país e não o Brasil.

Quem recomendaria investir agora nos clubes que estão se desentendendo no Clube dos 13?

Muita gente pode se dar conta do prejuízo desse desacerto no futuro...

Qual é a sua sensação sendo um executivo de futebol diante do quadro atual?

A pior possível.

Não sei que clubes ficarão com quais televisões.

Pode ser que alguns fiquem com a A e outros fiquem com a B.

E aí?

Que horários seriam as partidas do Brasileiro de 2012, se uma TV quer às 22 horas e a outra às 20h30?

E quando as equipes de TVs diferentes se enfrentassem?

Quem transmitiria?

Essa situação parece brincadeira, mas é muito séria.

Realmente preocupante.

Tomara que os presidentes de clubes saibam o que estão fazendo.

A primeira coisa que um investidor do Exterior busca é um futebol organizado, com regras definidas.

E o que acontece agora é muito desestimulante.

A sua vivência no futebol lhe dá alguma certeza?

A de que não haverá dois campeonatos se os times se dividirem entre as maiores TVs do Brasil.

A CBF só irá autorizar um deles.

E, por consequência, a Fifa.

Então, nem pensar em dois torneios nacionais.

Os dirigentes precisam ter maturidade para acertar suas diferenças e pensar no bem dos clubes.

No bem do futebol brasileiro.

Essa situação não pode continuar por mais tempo.

Estão espantando todo tipo de patrocínio de fora do país.

Espero que acordem a tempo.

É preciso responsabilidade.

Credibilidade é algo sério demais para o investidor...

Ninguém fará um grande projeto com recursos vindo de fora para um clube no quadro atual.

E se o mercado brasileiro não estimula, existem vários outros no mundo que podem estimular...

Quem sai ganhando com essa briga?

Ninguém.

Principalmente os dirigentes dos clubes que pensam apenas em resolver sua vida.

Quanto mais isolados estiverem os dirigentes, pior.

Quanto mais sozinhos, menos força.

Quanto menos força, mais confusão, menos dinheiro de patrocinador forte.

É muito séria essa desavença no Clube dos 13.

Os clubes brasileiros estão espantando os investidores do Exterior.

Repito, as pessoas só irão se dar conta disso no futuro.

Infelizmente...

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