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Entre Oswaldo de Oliveira e o fantasma de Loco Abreu, os botafoguenses optam pela saudade. O político técnico transformou o egocêntrico jogador em mártir. E agora sofre as consequências…

Postado por Cosme Rímoli em 1 de fevereiro de 2013 às 11:42 em Sem categoria | 31 Comments

ae1 Entre Oswaldo de Oliveira e o fantasma de Loco Abreu, os botafoguenses optam pela saudade. O político técnico transformou o egocêntrico jogador em mártir. E agora sofre as consequências... [1]
Foi Oswaldo de Oliveira quem não quis mais Loco Abreu.

O maior ídolo do Botafogo foi embora do clube por causa dele.

Mauricio Assumpção colocou a decisão nas mãos do técnico.

O presidente ouviu que ele seria reserva com o treinador.

Mas um jogador com tanto carisma minaria o clube no banco.

De gênio forte não controlava suas entrevistas.

Quer disputar a Copa do Mundo de 2014.

Sabe que na reserva seria abandonado por Óscar Tabárez.

Além disso, a torcida pediria sua entrada em todos os jogos.

E ele foi para o Nacional do Uruguai.

Certo que estará nos planos para o Mundial do Brasil.

Mas não poderia deixar por menos.

De lá, mostrou o quanto é vingativo.

"Eu não saí porque eu quis.

Eu saí porque, obviamente, o treinador não queria a minha presença.

Sou muito agradecido ao Botafogo.

E para não atrapalhar ninguém, achei que sair era o melhor."

O jogador de 36 anos sabia que suas palavras teriam poder no Rio.

Sabotariam o trabalho de Oswaldo.

O jogaria contra a apaixonada torcida.

Principalmente porque não há ninguém no elenco como ele.

Um ídolo de tanto carisma, personalidade.

Seedorf é outro tipo.

Contido, importante para o grupo.

Não é de inflamar torcedores com declarações, gestos teatrais.

Nunca pensaria na atitude de Loco Abreu.

Jogando emprestado ao Figueirense enfrentou o Flamengo.

Após a partida fez questão de se dirigir até a torcida rubro negra.

Mostrou que por baixo da camisa catarinense tinha a do Botafogo.

E beijou o escudo diante dos flamenguistas.

Ainda fez o gesto da cavadinha, lembrando a decisão do Carioca.

Quando marcou o gol na cobrança de pênalti, batendo da sua maneira debochada.

Espetacular golpe de marketing.

Sabotou sua passagem por Florianópolis.

Mas não se preocupou.

Queria e conseguiu ganhar de vez o coração dos botafoguenses.

Órfãos, os torcedores passaram a se vingar de Oswaldo.

Não importa se o Botafogo vença a partida.

O importante é crucificar o técnico.

Xingar, ofender, humilhar.

No pobre Campeonato Carioca, vários estádios são vergonhosos.

Não combinam com o século XXI.

Acanhados, os torcedores ficam gritando a três metros do técnico.

E Oswaldo tem sido torturado.

Sentido nos tímpanos a cobrança por ter mandado embora Loco Abreu.

Na quarta-feira, no Moça Bonita, ouviu todos os palavrões possíveis.

O time goleava o Audax por 4 a 0 e xingamentos continuavam.

Os gols do Botafogo não importavam.

Um grupo de torcedores se postou atrás do banco e cobrou o técnico.

Não o perdoava pela saída do uruguaio.

Oswaldo esqueceu tudo que aprendeu sobre zen budismo, meditação.

Virou as costas para o jogo e devolveu boa parte dos palavrões aos torcedores.

Desabafou, falou até o que gostaria de ter dito ao jogador.

E foi além.

"Quarta-feira, a esta hora, só tem vagabundo."

Lógico que ele estava se referindo a quem estava no estádio.

O jogo foi na tarde de quarta-feira.

Mas inteligente que é, percebeu o absurdo que disse.

O gesto seria explorado como um desafio a toda torcida botafoguense.

Aí não sobreviveria sequer mais um dia no cargo.

Tratou de dar uma desculpa esfarrapada.

Disse que o problema era só com aqueles torcedores.

"Sou daqui e conheço algumas pessoas que me xingavam.

Foi para elas a quem me dirigi.

Não tenho problema com a torcida do Botafogo."

Resposta política, mas que não convence.

Oswaldo é trabalhador, honesto.

Mas um treinador fraco, seus times são previsíveis.

Não têm vida longa.

Se fez na carreira ganhando o título mundial com o Corinthians em 2000.

Assim como Brasileiro e Paulista de 1999.

Ganhou porque assumiu o time montado por Luxemburgo, que foi para a Seleção.

Só seguiu o que já estava definido.

Depois do Mundial de 2000, sua carreira naufragou no Brasil.

Não venceu mais nada em cinco anos.

Foi para o Catar.

Voltou para o Fluminense e Cruzeiro.

Dois vexames.

Foi para o Japão em 2006.

Lá se encontrou.

O Japão parou de investir no futebol [2].

Os campeonatos são muito fracos, com jogadores locais.

Ou estrangeiros decadentes.

Acabou o dinheiro para grandes contratações.

Nesta terra de cegos, Oswaldo fez a festa.

O Kashima Antlers é um dos clubes mais ricos.

E nele Oswaldo ganhou oito títulos em cinco anos.

O que pode parecer uma façanha para quem não acompanha o atual futebol japonês.

Cansado, queria voltar ao Rio de Janeiro.

No dia em que completou 61 anos foi anunciado no Botafogo.

Na temporada passada esteve várias vezes ameaçado de demissão.

No meio do ano bateu de frente com Loco Abreu.

O público é que o treinador se cansou da falta de movimentação do atacante.

Lento, sem explosão por causa da idade.

Meia verdade.

O uruguaio se sabia ídolo botafoguense.

E não tolerou quando o treinador lhe indicou o banco de reservas.

Os dois ficaram sem se falar.

Foi um duelo silencioso.

A diretoria ficou do lado de Oswaldo.

Com motivo.

"A última vez que conversei com ele foi no jogo contra o Inter.

Ele ia ficar na reserva e não quis viajar.

Aliás, só jogava no Rio de Janeiro.

Não viajou para a Paraíba, Campinas, Campos, Macaé.

Como bate no peito e diz que é botafoguense?

E se recusa a entrar em campo quando o time precisa?"

Oswaldo só trouxe a público a situação agora, quando está sendo perseguido.

Revelasse o quando Loco Abreu é egocêntrico enquanto ele estivesse no Rio.

O desmascarasse diante da torcida.

Agora é fácil.

Tudo foi muito mal conduzido.

Pela diretoria e principalmente pelo treinador.

Loco Abreu saiu como vítima.

Oswaldo como criminoso.

A situação vai continuar enquanto o endividado clube não buscar alguém carismático.

Capaz de fazer o coração dos botafoguenses bater mais rápido com suas palavras.

Enquanto isso, tal qual a famosa tortura chinesa, muitos torcedores vão continuar.

Em todo jogo xingarão Oswaldo de Oliveira.

O cobrarão pela ausência de Loco Abreu.

O treinador tinha todo o direito de não querer um atacante lento.

E rebelde.

Mas aos 62 anos deveria ter aprendido.

A sinceridade era a melhor saída.

Tivesse mostrado o quanto Loco só pensava nele tudo estaria esclarecido.

Revelar os podres agora tem dois efeitos colaterais.

O primeiro, o de não convencer.

O segundo, e muito pior, mostra o quanto lhe falto firmeza, personalidade.

Técnico firme teria convocado uma coletiva.

E impedido Loco Abreu de pisar no Botafogo com ele como técnico.

Foi ser político, transformou o jogador, que não é um santo, em mártir.

E ganhou o ódio eterno de vários botafoguenses.

Eles se sentem órfãos.

Quem perde nesta fogueira de vaidade, no duelo de egos?

O Botafogo de Futebol e Regatas...


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