Em Pernambuco, médico é ‘capturado’ na torcida para que o jogo termine. De Norte a Sul, o Brasil continua brincando com a vida. Dos torcedores, dos jogadores, de todos. O descaso e o desrespeito dominam a organização do futebol no País da Copa..

a43 Em Pernambuco, médico é capturado na torcida para que o jogo termine. De Norte a Sul, o Brasil continua brincando com a vida. Dos torcedores, dos jogadores, de todos. O descaso e o desrespeito dominam a organização do futebol no País da Copa..
Patético, absurdo, irresponsável.

Qualquer adjetivo se encaixa perfeitamente.

Petrolina e Náutico só jogaram ontem por causa de um homem.

José Carlos Mauro.

Sem ele, a partida do Campeonato Pernambucano não iria até o final.

Há a obrigatoriedade de uma ambulância para um jogo ser validado.

Com médico, lógico.

A que estava no estádio Paulo Coelho teve de sair.

Foi atender uma criança no centro da cidade.

O árbitro Gilberto Castro Júnior foi avisado.

E tomou a decisão certa.

Sem ambulância a partida seria suspensa.

Chegou às pressas uma ambulância dos bombeiros.

Mas faltava médico.

Todos passaram a procurar na torcida um doutor.

Cena bizarra.

Foi aí que surgiu José Carlos Mauro.

Ele se apresentou como médico.

Depois de 14 minutos de paralisação, o jogo continuou.

A situação constrangedora pode ser motivo de piada para alguns.

Mas é muito séria.

Procurar um médico na torcida é absurdo.

Porque faltava o que deveria estar trabalhando.

Ninguém sabe a especialização, a capacidade, o treinamento do profissional 'capturado'.

José tinha ido ao estádio para torcer.

É um improviso inaceitável, vergonhoso.

A falta de competência dos dirigentes poderia ter custado vidas.

Como não há planejamento para que a ambulância possa deixar o estádio?

Com o jogo em andamento?

A Prefeitura de Petrolina precisa tirar a ambulância do jogo?

E a Federação Pernambucana não se manifesta?

A CBF se cala?

Este país não se cansa de brincar com a vida alheia?

O que é curiosidade para muitos...

Na verdade é a vitória da irresponsabilidade.

José Carlos Mauro foi assistir a uma partida de futebol.

Não trabalhar.

Ninguém sabe se estava apto.

Se havia trabalhado o dia todo.

Se tinha bebido, se estava apto para um salvamento emergencial.

Mas importava era o diploma.

Assim o jogo pôde ir até o seu final.

twitter Em Pernambuco, médico é capturado na torcida para que o jogo termine. De Norte a Sul, o Brasil continua brincando com a vida. Dos torcedores, dos jogadores, de todos. O descaso e o desrespeito dominam a organização do futebol no País da Copa..

E vamos, que vamos.

A vida segue em Pernambuco, no Brasil.

Amanhã todos vão se esquecer do caso.

Ninguém morreu nas mãos de José...

A irresponsabilidade domina o cenário.

E é democrática.

Vai de clubes ricos aos pobres.

Como foi o caso do Grêmio e sua nova Arena.

Com a diretoria expondo seus torcedores à absurda avalanche.

No Olímpico havia proteção para a manifestação dos torcedores.

Foi preciso acontecer o rompimento dos alambrados no primeiro jogo oficial.

E aí sim, a área interditada.

A avalanche proibida.

Será impossibilitada com a colocação de cadeiras.

Por pressão da quase sempre omissa Conmebol.

Até o São Paulo e seu Morumbi com pontos cegos, estratégicos, sem câmeras.

Onde ninguém nunca irá saber realmente o que aconteceu com o Tigres.

A tal briga que fez com que a final da Copa Sul-Americana acabasse no intervalo.

Nem na várzea é assim.

Até a reinauguração do Mineirão.

Sem água sequer para beber.

Banheiros empesteados.

Com lanchonetes fechadas.

Estacionamento aberto com duas horas de atraso.

Um caos no trânsito.

Quase 60 mil pessoas tratadas como gado.

R$ 1 milhão de multa e está tudo certo.

No ano passado, o pior ficou para Wendel Júnior Venâncio da Silva.

Um garoto de 14 anos morreu depois de ter tido convulsões durante treino no Vasco.

Não havia ambulância, médico, enfermeiro para atender os garotos.

Eles jogavam sob um sol senegalesco de fevereiro.

Quem deu o aval para Wendel jogar à esta temperatura?

Quem garantiu que ele tinha saúde?

Hoje faz um ano e cinco dias.

O que aconteceu?

Quem foi responsabilizado?

Ninguém.

O clube pagou o enterro em São João Nepomuceno, Minas Gerais.

A família ainda colocou uma bandeira do Vasco sobre o caixão branco do garoto.

O pai, pedreiro, Antônio Carlos da Silva, disse diante da tristeza.

"Deus sabe o que faz."

Deus sabe, mas e quem comanda o futebol no Brasil?

Será que sabe de alguma coisa?

Se preocupa?

De Norte a Sul, o mesmo desrespeito, irresponsabilidade.

A morte de Serginho do São Caetano foi em vão?

Médicos garantiram que se houvesse um simples desfibrilador à mão, ele não teria morrido.

Se alguém tivesse um AVC em Petrolina durante o jogo?

Como Ricardo Gomes teve no Engenhão?

Qual seria a qualidade do atendimento?

José Carlos Mauro não foi um herói em Petrolina.

Um médico que teve toda a boa vontade.

Desceu das arquibancadas para cobrir uma lacuna.

Improvisado.

Sem perceber, acabou usado como uma marionete.

Apenas serviu aos incompetentes.

Aos irresponsáveis.

Eles queriam é o jogo válido.

Evitar adiamento, problemas na tabela do campeonato.

Não proteger a vida de ninguém.

Essa é a organização do futebol no país da Copa do Mundo...

ae17 Em Pernambuco, médico é capturado na torcida para que o jogo termine. De Norte a Sul, o Brasil continua brincando com a vida. Dos torcedores, dos jogadores, de todos. O descaso e o desrespeito dominam a organização do futebol no País da Copa..

24 Comentários

"Em Pernambuco, médico é ‘capturado’ na torcida para que o jogo termine. De Norte a Sul, o Brasil continua brincando com a vida. Dos torcedores, dos jogadores, de todos. O descaso e o desrespeito dominam a organização do futebol no País da Copa.."

14 de February de 2013 às 12:26 - Postado por Cosme Rímoli

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Comentários
  • STEFANO
    - 16 de fevereiro de 2013 - 08:21

    BUENAS. É QUE O AMIGO MORA NO BRASIL E NÃO NA DINAMARCA. ENQUANTO ESSE LIXO QUE MANDA NO FUTEBOL BRASILEIRO NÃO FOR DESFENESTRADO DO MAPA AS COISA VÃO CONTINUAR ACONTECENDO. O BRASIL PRECISA DE UMA LIMPEZA GERAL. ABS. STEFANO.

    Responder
  • Alan
    - 15 de fevereiro de 2013 - 09:34

    Lamentavel e revoltante. enquanto isso ... que comandam o futebol e a politica brasileira fingindo que esta tudo certo. Eita mundo bom de acabar...

    Responder
  • Alan
    - 15 de fevereiro de 2013 - 09:32

    Lamentavel e revoltante. enquanto isso as ... que comandam o futebol e a politica brasileira fingindo que esta tudo certo. Eita mundo bom de acabar.

    Responder
  • Fernando
    - 14 de fevereiro de 2013 - 21:59

    Você foi perfeito em seu post, Rímoli. Apenas o diploma de médico, por mais estranho que pareça aos leigos, não é garantia de que um atendimento realizado por ele seria ideal. Um emergencista precisa de especialização nessa área, além de muitas horas de trabalho para ter condições de oferecer um atendimento correto sem causar danos. Não que eu questione a sua capacidade, mas estaria ele apto para fazer corretamente uma entubação, uma ressuscitação cardíaca, estabilizar um traumatismo craniano que evolui para uma convulsão? Ou a Federação Pernambucana de Futebol, uma entidade privada, está pouco se lixando para a segurança dos espectadores e atletas? E onde está o Corpo de Bombeiros, que deveria multar os responsáveis por permitirem um evento com aglomeração de pessoas não ter uma ambulância com médico emergencista disponível? A omissão das autoridades responsáveis por fiscalizar esses detalhes também mata pessoas - e a tragédia de Santa Maria não nos deixa dúvidas. E como a Bia palmeirense disse sabiamente, é um absurdo o SUS disponibilizar uma ambulância do SAMU para um evento privado. Mas o Secretário de Saúde não pode negar uma ambulância para um jogo de futebol, que tanto alegra a pobre população de Petrolina, não é mesmo? Tá tudo errado nessa história... E se alguém morresse naquela ocasião, o pobre médico voluntário ainda seria acusado de imperícia. Mas esses são outros quinhentos.

    Responder
  • maria
    - 14 de fevereiro de 2013 - 19:04

    Desde as categorias de base,jogadores e torcedores todos são derespeitados há tempos.Antes estádios sem o mínimo conforto,segurança mas ingressos caros.Agora vem os estádios mais modernos(?),nenhuma maravilha em arquitetura e arrojo,mas com valores que daria para contratar vários arquitetos que hoje revolucionam as construções deixando-as belas para se ver.A Arena do Grêmio foi o que vimos,o Minas Arena foi inaugurado sem condições para os torcedores.Na verdade o que importa a essa gente é o superfaturamento,se tem ambulância,se o calor é infernal lá estão eles em ar refrigerado.O povo é tratado pior que animais,entrem em algum Jockey Club e veja que os cavalos tem ar refrigerado e tratamento de primeira.A vida do ser humano virou um nada é revoltante.

    Responder
  • Mario
    - 14 de fevereiro de 2013 - 18:07

    Se nos PS de todo pais e assim,imagina em estadio...quantas vezes vamos aos hopitais e nao somos atendidos??..o que aconteceu ai foi apenas reflexo da realidade da maioria da populaçao.

    Responder
  • Nardo
    - 14 de fevereiro de 2013 - 17:37

    Pois eh Cosme.esse eh nosso Brasil q ker se tonar primeiro mundo.mas eis a pergunta?primeiro em que?

    Responder
  • Bia
    - 14 de fevereiro de 2013 - 16:06

    Em tempo, Cosme, minha crítica de sempre: por que é que uma ambulância do SUS tem que ser mobilizada para atender a um evento privado? Quando vão baixar uma lei no Brasil que não libera a realização de um evento por uma empresa particular enquanto não houver um plano de segurança e um plano de emergência, todos, é claro, sem onerar o poder público? Jogos de futebol? Só se a CBF e as Federações alugarem suas próprias ambulâncias e assinarem contrato com hospitais particulares da região para prestar atendimento, pagando, é claro, do prórpio cofrinho. Será que quando tem jogo no Madison Square Garden é a prefeitura de Nova York que mobiliza os bombeiros para ficar lá de plantão ou é uma estrutura bancada pela NBL?

    Responder
  • Bia
    - 14 de fevereiro de 2013 - 15:59

    Olha, Cosme, é capaz que Petrolina só tenha uma ambulância, mesmo... Há alguns anos na minha cidade (que não é nehum Nordeste) a prefeitura resolveu o problema da única Santa Casa da região não ter UTI com... Uma ambulância com UTI! É claro que também era a única ambulância, então era "a UTI" que levava pacientes a consultas em outras cidades, coisas que um micro-ônibus a serviço da secretaria de saúde deveria fazer. Parece que é piada, né, mas o prefeito ficava bravo quando tiravam sarro da "nova ala" do hospital...

    Responder
  • Papito
    - 14 de fevereiro de 2013 - 15:09

    Imaginem como deve ser então nesses campeonatos no meio da selva, tipo, campeonato amazonense ou um acreanão da vida. Tem cidade no interior do Brasil que se tiver máquina de moer carne já é avanço, exigir ambulância no campeonato pernambucano...

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