Em Caxias do Sul, o encontro do ressentimento contra a mágoa. Dois treinadores que tiveram a chance de comandar o Brasil na Copa de 2014. Acabaram demitidos. Mas acalentam um sonho: um dia voltar à Seleção. Dunga e Mano Menezes…

1afp8 Em Caxias do Sul, o encontro do ressentimento contra a mágoa. Dois treinadores que tiveram a chance de comandar o Brasil na Copa de 2014. Acabaram demitidos. Mas acalentam um sonho: um dia voltar à Seleção. Dunga e Mano Menezes...
Será o ressentimento contra a mágoa.

Dunga e Mano Menezes se enfrentarão pela primeira vez na vida.

Os ex-treinadores da Seleção acreditam que estão no lugar errado.

Deveriam estar comandando o Brasil, se preparando para a Copa.

Era o sonho de ambos estarem no Mundial de 2014.

E tiveram a chance.

Quando Ricardo Teixeira procurou Dunga em 2006 foi claro.

Queria o treinador para disciplinar a Seleção.

Montar um time forte e sem farras.

Roberto Carlos e Ronaldo, comandantes das festinhas, foram vetados.

Se a Seleção conseguisse ser campeã do mundo, o vínculo seria renovado.

O exilado ex-presidente tentaria fazer o que não conseguiu com Scolari em 2002.

O capitão do tetracampeonato não pensou duas vezes.

Aceitou e tratou de chamar seu parceiro Jorginho.

Os dois transformaram aos poucos o ambiente da Seleção.

Da liberalidade exagerada de Parreira ao absurdo.

Uma mistura de quartel com mosteiro.

Jorginho tinha uma ótima visão tática e Dunga, excelente motivador.

Houve um golpe, apenas medalha de bronze em Pequim.

Mas foi exceção.

As coisas caminhavam muito bem.

Com o Brasil ganhando todas as competições preparatórias para o Mundial.

Venceu Copa América, Copa das Confederações.

E se classificou nas Eliminatórias com um pé atrás.

Acontece que um problema de 20 anos atrás ressurgiu.

Aos poucos, Dunga foi mostrando todo seu ressentimento.

Ele sofreu, mas sua família muito mais com o Mundial da Itália.

Sebastião Lazaroni foi um treinador ruim, com dirigentes fracos.

Teixeira mal havia assumido o cargo e não sabia como lidar com os jogadores.

Um racha entre atletas do Rio e de São Paulo implodiu o ambiente.

Lazaroni decidiu seguir o caminho italiano do líbero.

Foi visto como uma afronta pela imprensa e população.

O Brasil deixava de ser ofensivo.

Dentro do campo o que imperava era a briga pela bola, não o talento.

Dunga virou o símbolo desta seleção.

Para o bem, enquanto o time caminhava.

E para o mal, quando houve o fracasso, a eliminação diante dos argentinos.

Dunga virou o símbolo do fracasso.

A raiva veio à tona em 1994.

Foi o único capitão em toda história ao levantar o troféu xingando.

Sua fisionomia era mais de raiva do que de alegria.

2reproducao4 Em Caxias do Sul, o encontro do ressentimento contra a mágoa. Dois treinadores que tiveram a chance de comandar o Brasil na Copa de 2014. Acabaram demitidos. Mas acalentam um sonho: um dia voltar à Seleção. Dunga e Mano Menezes...

Desabafou contra os jornalistas, que fizeram sua família sofrer.

Só que o trauma voltou na África do Sul.

Ele sabia dos privilégios que a Globo sempre teve na Seleção.

Com direito a jogadores em plena concentração dando exclusivas.

Treinadores figuras comuns no Jornal Nacional.

Uma relação quase de funcionário.

Ele decidiu que não seria assim na Copa.

Mas ele radicalizou e decidiu que a imprensa não teria acesso algum aos atletas.

Só as coletivas obrigatórias da Fifa e ponto final.

Os jogadores foram proibidos de falar na folga.

Robinho decidiu falar por cinco minutos.

Foi severamente cobrando diante do grupo e teve de se desculpar.

O clima de hostilidade chegou ao ápice quando ele xingou Alex Escobar.

Em plena coletiva para jornalistas do mundo todo.

Teixeira só não o demitiu durante o torneio porque não teve coragem.

O Brasil foi eliminado diante da Holanda.

Felipe Mello e Júlio César mostraram todo o descontrole emocional do time.

Dunga voltou ao Brasil demitido.

Adeus título, adeus Copa de 2014.

Ricardo Teixeira queria Muricy Ramalho no cargo.

O procurou, mas o Fluminense não abriu mão da multa rescisória.

O dirigente da CBF deixou a cargo do treinador decidir.

A entidade não pagaria.

O técnico resolveu manter a sua palavra com os dirigentes cariocas.

Foi quando o amigo de Teixeira, Andrés Sanchez, batalhou por Mano Menezes.

1ae17 Em Caxias do Sul, o encontro do ressentimento contra a mágoa. Dois treinadores que tiveram a chance de comandar o Brasil na Copa de 2014. Acabaram demitidos. Mas acalentam um sonho: um dia voltar à Seleção. Dunga e Mano Menezes...

Desde a Copa da África ele já havia tentado empurrar o treinador.

Sem qualquer obstáculo, Mano assumiu.

Com a promessa de dirigir o Brasil na Copa de 2014.

Tinha como missão montar um novo time.

Quase nada sobrou da Seleção de Dunga.

Tendo Neymar e Ganso como jogadores símbolos da renovação.

Do ressurgimento do futebol brasileiro.

Prometia esquemas mais ofensivos, novos atletas.

Mas Mano se mostrou inexperiente para tanta pressão.

Inseguro,acabou convocando 106 jogadores.

12 goleiros.

Tudo ficou muito pior com o exílio de Ricardo Teixeira.

O dirigente abandonou o cargo perseguido pela Polícia Federal.

E pelas denúncias de seu envolvimento com a ISL pela Fifa.

Na verdade, caiu por ter traído Blatter na eleição.

José Maria Marin assumiu e deixou claro que não queria Andrés.

Fez todas as humilhações possíveis até que o dirigente corintiano renunciou.

Mano ficou sem padrinho.

"Se o Brasil ganhasse a Olimpíada, não teria como trocar.

Como perdeu, coloquei o treinador de minha confiança, o Felipão."

A revelação fria foi de Marin.

O octogenário presidente da CBF foi cruel.

Esperou tudo se acalmar, deu a impressão que Mano continuaria.

E logo após o inútil Superclássico das Américas o demitiu sem dó.

A mágoa de Mano Menezes ainda é imensa.

Está claro que ele não se conforma de ter chegado tão perto do Mundial.

E ter sido demitido.

Neste domingo, os dois gaúchos se encontram.

Dunga comandando o Internacional e Mano, o Flamengo.

Um tentará esconder o ressentimento.

O outro, a mágoa.

Mas ambos não conseguiram engolir suas demissões até hoje.

E têm pouca idade para treinador.

Dunga 49, Mano 51.

Isso faz com que os dois acalentem um sonho.

A chance de retornar à Seleção Brasileira no futuro.

Até por uma questão de honra.

Mostrar o que poderiam fazer.

Mas depois dos fracassos, ambos sabem que estão no fim da fila.

Felipão está firme no cargo depois da conquista da Copa das Confederações.

Marin tem o utópico sonho de dar a vaga para Alexandre Gallo depois de 2014.

Scolari quer trabalhar em outro selecionado, seja qual for o resultado.

José Maria se esquece que será Marco Polo del Nero o presidente da CBF.

E ele pode se dobrar ao excelente trabalho de Tite.

Se houver a dissociação de Andrés Sanchez.

Dunga e Mano são nomes vetados hoje.

Como um dia já foram Zagallo, Parreira, Telê Santana...

E até Flávio Costa, treinador derrotado na final da Copa de 50.

Todos voltaram a comandar o Brasil.

Não há motivo para esquecerem de vez o sonho.

Enquanto isso, os dois se preparam para o clássico de amanhã.

Caxias do Sul verá o ressentimento contra a mágoa.

Resultado imprevisível...
4reproducao3 Em Caxias do Sul, o encontro do ressentimento contra a mágoa. Dois treinadores que tiveram a chance de comandar o Brasil na Copa de 2014. Acabaram demitidos. Mas acalentam um sonho: um dia voltar à Seleção. Dunga e Mano Menezes...

22 Comentários

"Em Caxias do Sul, o encontro do ressentimento contra a mágoa. Dois treinadores que tiveram a chance de comandar o Brasil na Copa de 2014. Acabaram demitidos. Mas acalentam um sonho: um dia voltar à Seleção. Dunga e Mano Menezes…"

20 de July de 2013 às 12:24 - Postado por Cosme Rímoli

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Comentários
  • Luis Felipe
    - 29 de julho de 2013 - 21:36

    Resposta para 20.7.2013 ai vem aquela questão similar ao ovo de Colombo... Teria o Dunga colocado todos no mesmo caldeirão de ódio pelo fato de "todos" sempre terem medo da platinada? desculpa, mas não é de agora que os jornalistas tem medo da Globo. PS: é óbvio que eu não estava lá, não sou jornalista. Mas isto não diminui o meu ponto de vista como telespectador e cidadão. Att

    Responder
  • Deivid
    - 23 de julho de 2013 - 11:30

    Uma coisa é certa: o RS é a maior escola de treinadores do Brasil com Tite, Dunga, Mano e Felipão.

    Responder
  • Soní
    - 21 de julho de 2013 - 18:05

    Deu Dunga mais uma vez, para a tristeza de muitos. INTER1X0 Flamengo.

    Responder
  • Gustavo T
    - 21 de julho de 2013 - 02:49

    Por fim, é a imprensa que tem ressentimento contra o Dunga.

    Responder
  • Gustavo T
    - 21 de julho de 2013 - 02:46

    Caro Cosme, o Dunga merece todo e respeito pelo excelente trabalho que fez no comando técnico da seleção brasileira, mesmo diante do descrédito e despeito de muitos. Não é justo, por uma sanha vingativa e corporativista da imprensa, querer estigmatizar o Dunga como o responsável pela perda daquela Copa. A culpa maior foi do sr. Júlio César, o qual, inclusive, era queridinho pela mídia, tido como o melhor goleiro do mundo, sendo que quando nós mais precisamos dele ele falhou e se mostrou inseguro, desestabilizando todo o time. O pior é que ele é vai ser novamente o nosso goleiro na próxima Copa... Quanto a Dunga ele tem provado diante do Internacional que é um grande técnico, mesmo que a imprensa corporativa(grande imprensa) não queira engolir e admitir isso. Na minha opinião, o Dunga é melhor do que Felipão...

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  • Ray Domingos Motta
    - 21 de julho de 2013 - 00:39

    Dois bons treinadores, mas tudo nos indica que Tite e Muricy estão passos a frentes de ambos que "voltaram" ao fim da fila. Após a Copa a tendência, infelizmente pra nós corinthianos, é o convite ser feito a Tite...

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  • Marcos
    - 20 de julho de 2013 - 20:50

    Cosme, eu desconhecia esse tal veto a Telê Santana na seleção. quando foi isso? Por quem? Por que? Poderia explicar? Obrigado.

    Responder
  • Victor Dunstan
    - 20 de julho de 2013 - 19:11

    Tite? um enorme retrocesso....péssimo,coletivas dele dá sono

    Responder
  • Magui
    - 20 de julho de 2013 - 18:47

    Dunga perdeu somente a Copa.E, por conta de um goleiro que foi e é frangueiro.No mais , ele é lider natural, campeão em tudo como jogador. Até cabeçada em jogador dormindo em campo, ele precisou dar. Quando implicaram com ele,ele ficou de lado e o Brasil perdeu pra França.É vencedor.

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  • Luis felipe
    - 20 de julho de 2013 - 18:26

    Cosme, honestamente eu acho que você e a maioria da imprensa tinham de agradecer ao Dunga por ele ter acabado com as regalias da Globo... mas não, nunca vi, parece que todo mundo tem o rabo preso com a platinada carioca... Luís Felipe, você escreve isso porque não estava lá. Eu, sim. E o Dunga colocou todos no mesmo caldeirão de ódio. Cosme Rímoli...

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