divulgacao22 Eduardo José Farah. O homem que pode mostrar a Ricardo Teixeira a amargura. E, principalmente, a dor de quem acreditou que seu poder seria eterno. E se vê esquecido...
Ninguém passa sem marcas no futebol.

Ainda mais quem foi poderoso e caiu em desgraça.

Soube de uma das maiores tristezas da vida de Alberto Dualib.

Ele teve a confirmação que um de seus parentes procurava ocultar o próprio sobrenome.

Não queria ficar marcado no trabalho por ter parentesco com o ex-presidente corintiano.

Foi uma mágoa profunda...

No entanto, um dos dirigentes mais tristes com a reviravolta na sua vida é outro.

Seu nome: Eduardo José Farah.

Aos 78 anos, muito doente, ele vive recluso.

Amargurado, se afastou do mundo do futebol desde 2003.

Uma das últimas aparições públicas foi há dois anos.

Falou sobre a Copa de 2010.

As mãos e a voz estavam trêmulas.

Cabelo, bigode e sobrancelhas brancos, sem a tinta caju, sua marca registrada.

Mais do que a idade, foi a amargura que o envelheceu.

O transformou em uma sombra do homem decidido, imponente, que mandava com mão de ferro na FPF.

Seu reinado durou 15 anos.

Neste período fez o que quis com o futebol mais rico do País.

Instituiu um velho hábito na Federação.

Os almoços em que os dirigentes de clubes grandes e pequenos brigavam por um lugar à mesa.

Farah transformou a FPF em uma potência milionária.

Tirou a sede de um velho prédio na avenida Brigadeiro Luiz Antônio.

E a levou para uma fortaleza imponente, com direito a heliporto, na Barra Funda.

Valor da obra: R$ 14 milhões.

Fez questão que o prédio tivesse uma bola gigantesca e o símbolo da FPF.

Queria que fosse visto de longe e demonstrasse o seu poder.

Farah fez questão de instalar câmeras em todos os andares e nas maiorias das salas.

Tinha mania de perseguição.

E queria controlar absolutamente tudo o que acontecia no milionário prédio.

Pensava que controlava.

Farah adorava a mídia.

Queria se tornar um dirigente internacional, como grande prestígio.

Adorava chamar atenção para a FPF e para seu pensamento 'moderno'.

"Criei a parada técnica, o spray que os árbitros usam, as várias bolas para o jogo não parar.

Parada técnica, limite de faltas, lateral com os pés.

E também as cheerleaders, as meninas que dançam nos intervalos das partidas.

A Federação Paulista deu sua contribuição para a modernização do futebol mundial."

Ficasse nisso, tudo bem.

Mas foi Farah que instituiu o controle econômico dos clubes.

Ele controlava a todos antecipando as verbas de transmissão da televisão.

Muitas vezes ele emprestava o dinheiro de um ou até dois anos adiantados.

Com isso, tratava a todos com rédeas curtas e pouco milho.

Era o Imperador do futebol paulista.

E não abria mão disso.

Adorava a sua popularidade.

Criativo, quando quis o amor dos corintianos, criou o disque Marcelinho.

A rica FPF foi repatriar o jogador da Espanha.

E entre quatro números de telefones, os torcedores deveriam escolher o destino do jogador.

Foi uma promoção destinada ao Corinthians, todos sabiam.

E Farah devolveu o jogador ao Parque São Jorge.

O presidente da FPF quase foi canonizado.

Mas a ambição cegou Farah.

Ele queria um cargo maior do que o da presidência da FPF.

Se aproximou de Ricardo Teixeira nos primeiros dias de poder.

Tinha a certeza que ganharia a confiança do genro de João Havelange.

Só que não contava com a concorrência dura e forte.

Dois homens acostumados com os bastidores do poder se juntaram para anulá-lo.

E conseguiram.

Eurico Miranda e Eduardo Viana se aliaram a Teixeira e exigiram que virasse as costas a Farah.

Desesperado, o dirigente paulista tentou fazer um pacto com o presidente da CBF.

São Paulo sempre estaria com ele se o ajudasse a assumir a Confederação Sul-Americana de Futebol.

Teixeira foi obrigado a escancarar o pacto entre Brasil e Argentina.

Nicolás Leóz está desde 1986 comandando a entidade por ser paraguaio.

Brasileiros e argentinos se comprometeram a sempre manter na Sul-Americana alguém que não tenha nascido em nenhum dos países.

Assim garantem teoricamente um equilíbrio de forças.

Farah tentou que Teixeira o ajudasse a ter um forte cargo na Fifa.

Mas o presidente da CBF estava muito ligado a Eurico Miranda e Caixa d'Água.

Desprezou o pedido de Farah.

Enquanto olhava para fora do país, o dirigente se descuidou.

Perdeu toda a força na sua Federação.

Ao mesmo tempo se tornou alvo de uma terrível investigação da Receita Federal.

As denúncias eram estampadas nas primeiras páginas dos jornais.

E revistas de circulação nacional.

Ele tentou fazer seu sucessor José Reinaldo Carneiro Bastos.

Mas não conseguiu.

Marco Polo del Nero, seu advogado por 18 anos, foi mais ágil na transição.

Ele o ajudou demais com a Receita Federal.

E Farah tinha a convicção que continuaria com os privilégios de presidente.

Com relembra o comentarista Flávio Prado.

"Como Farah ainda tinha voz forte, Del Nero prometeu-lhe tudo.

Até a permanência na mesma sala, motorista, salário régio etc.

Aos poucos foi cortando tudo.

Até que Farah sumiu."

De repente, o homem todo poderoso se viu esquecido.

E completamente sem saída.

Era 2003.

As portas da CBF já estavam fechadas a ele há muito tempo.

As da FPF se mostraram ainda mais trancadas.

Rancorosos com sua maneira ditatorial de comandar, os dirigentes dos clubes também não quiseram saber dele.

Jornalistas só queriam falar da sua riqueza, dos problemas com a Receita Federal.

Velhos amigos de Farah revelam que ele foi perdendo sua característica mais forte: a vaidade.

Abandonou os ternos italianos.

Parou de pintar o cabelo, o bigode, as sobrancelhas.

Se isolou de tudo e de todos.

Envelheceu de repente.

Sem o poder, perdeu o viço, a alegria de viver.

Doente, faz hemodiálise três vezes por semana.

Quer distância da imprensa.

Ser esquecido.

E esquecer que, por 15 anos, foi o homem mais poderoso do futebol paulista.

A história de Eduardo José Farah vem a calhar.

No dia seguinte ao final de 23 anos de Ricardo Teixeira na CBF.

De Miami, ele deveria ligar para Farah.

E se preparar para o amargor de quem se achava eterno.

Um dia pareceu que Farah nunca sairia da FPF.

Assim como a CBF desabaria sem Teixeira.

"A gente se acostuma com o poder.

É bajulação de todos os lados.

E, depois, quando perdemos o cargo, tudo muda.

Ninguém nos abre a porta dos carros, carrega as nossas malas, nos dá as melhores mesas nos restaurantes.

E a verdade é uma só.

Depois de ser rei, ninguém quer voltar a ser plebeu."

Sábias palavras de Alberto Dualib.

Elas se aplicam bem demais ao destronado Eduardo José Farah...

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