147 E segue a rotina de Luxemburgo. 12ª demissão seguida. O Sport foi mais um projeto fracassado
Foi a 12ª demissão em seguida. Desde 2006. É como se os jornalistas esportivos estivessem presos no 'Feitiço do Tempo', filme famoso de Bill Murray. Roteiro original de 1993, que narra as desventuras de um meteorologista obrigado a reviver o mesmo dia, inúmeras vezes, até que mude sua atitude arrogante diante da vida.

Com Vanderlei Luxemburgo é a mesma coisa. O mesmo e cansativo roteiro. Ele assume um clube. Faz promessas de modernização, de revolução. Contagia dirigentes, setoristas, torcedores. Todos esperam o treinador revolucionário do fim da década de 90. Mas aos poucos, o time vai perdendo, caindo, decepcionando, passando vergonha. Vanderlei escolhe uma derrota significativa e cobra os jogadores em público.

Os dirigentes adoram a demostração de autoridade. Na verdade, um velho truque. O de repassar a culpa da falta de imaginação, de ter ficado ultrapassado para os jogadores. "Eles perderam", deixa claro.

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Só que Luxemburgo não percebe que, além do seu pobre repertório tático, os jogadores mudaram. Não são mais submissos como na década de 90. E não têm porque mostrar dedicação para que os trai publicamente, se isenta das derrotas. Vanderlei não sabe, há muito tempo, gerenciar os egos dos seus atletas. A magia, a química, não existe mais.

Seu ego fez com que perdesse o toque diferente, a empolgação com o trabalho. Enriqueceu, perdeu o apetite de vitórias, o rumo, não tem foco, não sabe o que deseja para a carreira. Apenas deseja estar na mídia. Por isso se cerca dos seus amigos jornalistas poderosos para jantares regados a vinhos caro. Sempre terá programas para aparecer, ser bajulado pelo que fez antes das 11 demissões seguidas.

O problema é que não tem mais o que dizer.

A não ser repetir velhos discursos que convencem cada vez menos.

Já fechou as portas dos grandes clubes de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul. E agora, do Sport, em Pernambuco. Em míseros cinco meses de trabalho, depois de ter sido mandado embora da Segunda Divisão Chinesa, comandou o time de Recife por 34 jogos. Venceu 11, empatou oito. Conseguiu perder 15 vezes. Seu aproveitamento foi pífio: 40,1%.

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Deixa a equipe a dois pontos da zona do rebaixamento. Foi humilhada hoje em Recife, quando perdeu para o Junior Barranquilla por 2 a 0. Finalmente, a diretoria que havia cometido a heresia de renovar seu contrato até dezembro de 2018, percebeu a besteira que havia feito. O time não reagiu mais aos seus comandos. Os atletas se cansaram de seus gritos, seus socos na mesa, seus palavrões, suas cobranças aos berros, para jornalistas e diretores ouvirem. E pouco conhecimento dos adversários. Além da falta de soluções.

Foi assim no Real Madrid, no Santos (duas vezes), Palmeiras, Atlético Mineiro, Flamengo (duas vezes), Grêmio, Fluminense, Cruzeiro, Tianjin Quanjian e agora no Sport.

"Aconteceu uma coisa que eu falei para o Gustavo há três, quatro meses, que Gustavo Dubeux (responsável pelo futebol do clube), ia chegar lá na frente e me mandar embora. E me mandou embora no vestiário, eu tinha certeza que isso ia acontecer. O futebol é dessa forma, a culpa vai ser sempre do técnico", desabafava o demitido Luxemburgo.

Lógico que Dubeux iria tomar uma atitude. Apesar da renovação de contrato de Luxemburgo, se o Sport seguisse despencando, como está, o treinador seria mandado embora. E foi, sem levar em consideração a tal renovação.

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Luxemburgo estava tenso, nervoso. Apesar de toda sua experiência em demissões, ele sentiu o baque. Era evidente que não esperava que fosse despachado do clube dessa maneira.

Ainda nesta sexta-feira, seguindo o cansativo roteiro dos últimos anos, Vanderlei Luxemburgo dará uma, duas, três, quantas entrevistas puder dar para os amigos. Falará que seu projeto foi interrompido, que viriam muitos frutos no futuro, que a diretoria se precipitou, vai lamentar e dizer que seguirá torcendo pelo Sport.

Os dirigentes pernambucanos sentiram na pele que ele não é nem sombra do excepcional treinador do final da década de 90. E não estavam nem um pouco interessados na promessa que Luxemburgo de ficar no clube, mesmo rebaixado. E que diminuiria seu salário. Os dirigentes finalmente acordaram, esqueceram a ingenuidade. Perceberam que era Vanderlei que levava o time para a Segunda Divisão. E o despacharam.

Os amigos que Vanderlei cultiva na televisão vão ter trabalho para recolocá-lo no mercado. O técnico está cada vez mais desacreditado. Porque o desempenho está cada vez pior. Parou no tempo, quer com seus projetos, quer na gestão de elenco.

Fox Sports e Sportv serão os lugares reservados para longas entrevistas egocêntricas. Culpará a todos, menos a si mesmo, pela demissão no Sport. E dirá que não deseja trabalhar mais em 2017. Só em 2018. Apostará na amnésia de alguns dirigentes para voltar ao trabalho.

Desde o Real Madrid, são 12 anos de explicações de sua decadência. Os dirigentes contratam o Vanderlei Luxemburgo do final da década de 90 e encontram uma triste caricatura. E são obrigados, pelas derrotas, pela campanha fracassada, a encarar a realidade e demiti-lo. Para o bem do clube.

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E assim segue a vida de Vanderlei Luxemburgo da Silva.

Mais uma demissão na coleção.

A 12ª seguida.

Pernambuco já foi.

Quem sabe no Tocantins? Pará, Amazonas?

Guiana?

Ainda há quem acredite nos seus projetos.

O Sport se cansou.

Como se cansaram 11 clubes anteriores...

http://r7.com/6Vyk