555 Dunga brincou, sorriu e até apostou hoje com um jornalista na coletiva. E não era um clone...

A reação dos jornalistas na entrevista de Dunga antes do jogo de amanhã contra o Chile foi a mesma.

Todos ficaram estarrecidos.

Só poderia ter sido substituído por um clone.

Foi simpático, sorriu, brincou.

Nem parecia o treinador que xingou o comentarista Alex Escobar da Globo.

Mostrou classe, alegria inesperadas.

Está certo que o adversário inspira: os fregueses chilenos.

Uma repórter suíça perguntou em italiano sobre a pressão de ser treinador da Seleção Brasileira.

Ele foi criativo.

"No Brasil ninguém aceita nada menos do que a vitória.

Mas só a vitória não serve.

Tem que ter espetáculo.

Mas só espetáculo não serve.

Tem de ser sete ou oito gols.

E quando você consegue tudo isso, o adversário é que era fraco."

Depois, quando lhe perguntaram sobre o uso de tecnologia no futebol, em referência ao gol inglês, mal anulado por Jorge Larrionda, Dunga foi ainda mais simpático.

"Olha, se eu puder te dar um conselho, não leva isso adiante.

Muita gente do futebol vai perder o emprego se acabar a discussão, a polêmica."

Ou seja, ele é contrário à modernidade, da justiça, mas colocou de forma delicada, simples.

Não revoltou ninguém.

Mas o melhor ficou para o final da coletiva.

Com os microfones desligados, o narrador da Jovem Pan, Nilson César, lhe foi dar parabéns pela calma na coletiva.

Ele agradeceu e ainda ironizou a pergunta de Nilson.

Esticou a mão e apertou a do narrador.

"Quer apostar que eu não vou trabalhar na Fiorentina como você me perguntou?"

"Vamos apostar milzinho, vai..."

"Milzinho..."

Nilson, fugiu da aposta.

E ainda havia mais.

O chefe de imprensa da CBF, Rodrigo Paiva, apontou para Dunga o jornalista da Folha de S. Paulo, Eduardo Arruda.

E falou do desmentido que publicou no site da CBF.

A entidade desmentiu que o presidente Ricardo Teixeira havia dado uma prensa em Dunga para maneirar nas suas entrevistas.

Todos olharam para o técnico esperando pelo pior.

Ele só olhou Eduardo e sorriu.

"Tudo bem. Tudo bem", disse se afastando.

Algo aconteceu.

Se foi Ricardo Teixeira, se foi aconselhado por amigos, se percebeu o exagero que estava cometendo, se foi o Chile, não importa.

Dunga acordou.

Chega de desgaste desnecessário com jornalistas.

Alex Escobar já pode até aparecer na próxima coletiva.

Os seguranças da Fifa podem relaxar.

Dunga se acalmou.

A briga aqui na África do Sul não é contra a imprensa.

Percebeu que sua missão é muito mais nobre.

Ganhar a Copa do Mundo, comandando a seleção mais vitoriosa do planeta...

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